Título original: Rise of the Planet of the Apes (2011); Direção: Rupert Wyatt;Roteiro: Amanda Silver e Rick Jaffa; Elenco: Tom Felton, Andy Serkis, James Franco, Freida Pinto, John Lithgow, Brian Cox.
Eu confesso: tenho certa antipatia por macacos. Talvez nem seja antipatia, mas desconforto, eu não sei, mas o caso é que macaco é um bicho que não me atrai mimos ( a não ser que seja filhote, porque então a coisa muda de figura. Filhotes são fofos e ponto final). Também confesso que sinto um pouco de pena quando vejo chimpanzés explorados em shows, portando meu desconforto não é exatamente uma antipatia, mas uma raiva inexplicável ao ver animais sendo treinados para perderem sua espontaneidade de bicho e se transformarem numa paródia tosca para divertimento de seres-humanos . E, talvez por conta disso, eu nunca achei o filme “O Planeta dos Macacos”, com Charlton Heston lá essas coisas, apesar dele ser considerado um clássico. Aquele filme com o Mark Wahlberg, uma versão tecnologicamente mais evoluída do original, não chega nem perto dele, então, vou me abster e também poupá-los de qualquer comentário a respeito dele nessa resenha, por enquanto. :)
Quanto à nova versão, que supostamente tenta explicar ao expectador como os macacos conseguiram se tornar os seres dominantes no planeta, ela também não conseguiu me cativar, apesar dos recursos tecnológicos estarem mais avançados e, conseqüentemente, apresentarem efeitos especiais de primeira linha. Vamos combinar que embora o roteiro acerte em alguns pontos, como na parte onde mostra ao espectador a maneira como a capacidade mental dos macacos foram estimuladas e aumentadas através de pesquisas em engenharia genética, ele é falho ao mostrar os macacos, liderados pelo macaco Caesar (ou César), vencendo uma civilização numérica e tecnologicamente superior a deles. Não existe lógica nisso, é impossível acreditar em uma história assim, me desculpem.
Nas cenas de ação finais, os macacos atacam os humanos usando paus, pedras, lanças e até os próprios corpos como armas, conseguindo derrubar helicópteros, danificar viaturas policiais e carros. Gente, até aí eu só vi o Rambo e o Exterminador do Futuro fazerem isso e olhe lá, mas apesar de achar tudo aquilo uma grande bobagem, fiquei assistindo aquela macaquice (ops, desculpem) e pensando que se fosse atualmente, em um país onde qualquer cidadão tem armas em casa, como os EUA, aquele bando de macacos teria virado um monte de corpos peludos depositados nas ruas em, no máximo, uma semana.
Penso que a idéia dos roteiristas era nos mostrar que após a fuga, os macacos conseguem – o filme não explica isso- reverter sua condição de fugitivos até se tornar uma civilização adversária que posteriormente dominaria a nossa. Mas como isso aconteceria? Talvez os macacos nos subjugassem atirando bananas (de dinamite) em cidades como N. Iorque, Washington, Rio de Janeiro e Madrid (ahahah, desculpem, não resisti...), mas na realidade é que o filme não nos dá explicação sobre a reviravolta dos macacos. Já o filme clássico, aquele onde Charlton Heston foi protagonista, esse sim, nos dá pistas de como os macacos tornaram-se “senhores do mundo”: Na cena final o protagonista encontra a Estátua da Liberdade parcialmente derretida e soterrada por areia, num indício claro de que houve uma hecatombe nuclear que exterminou a civilização humana e favoreceu o crescimento da civilização símia, porém mesmo essa explicação não fica muito plausível, porque você também pensa: “Oras, se acontecesse uma guerra nuclear, os macacos provavelmente morreriam juntamente com os humanos e boa parte dos animais que habitam o planeta”, então, fica aqui a pergunta e a resposta eu deixo por conta de vocês. O caso é que essa história do Planeta dos Macacos já não colava na época do livro do Pierre Boulle e os roteiros do cinema conseguiram fazê-la ficar ainda mais sem sentido. Sorry, não colou.
Com roteiro de Amanda Silver e Rick Jaffa, dirigido pelo inglês Rupert Wyatt, Planeta dos Macacos: A Origem, comete o mesmo pecados de blockbusters passados: é eficiente na hora de mostrar efeitos especiais e cenas de ação de tirar o fôlego, mas infelizmente esses recursos não deixam que o espectador preste atenção na história e roteiro sem sentido. O que para eles acaba sendo bom, lógico, já que boa parte dos espectadores achou tudo “uau” e etc. Já eu, não perdi o foco para o problema que falei anteriormente e,para piorar ainda mais meu desconforto, inventaram de encher o filme com homenagens à série, porque alguns críticos acham isso “cult” e os fãs da série adoram. Então o filme em questão está cheio de referências indiretas a cenas de filmes anteriores, desde uma onde Caesar brinca com uma miniatura da Estátua da Liberdade, até frases de Charlton Heston repetidas na íntegra. Já que eu sempre achei isso pedante, por conta disso, dou nota seis ( e olhe lá).
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
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