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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

American Horror Story - Haunted Mansion


A primeira temporada da nova série de terror do mesmo criador de “Glee” (seriado que eu a-do-ro), Ryan Murphy, chegou ao final nos Estados Unidos, colecionando milhões de fãs e sendo elogiada como uma das novas produções mais legais da TV. Muito bem recebida pela crítica e premiada com o Globo de Ouro de melhor série sobre o tema, o fim da primeira temporada da série "American Horror Story", que aborda histórias de horror envolvendo uma casa mal assombrada, prendeu a atenção do espectador do primeiro ao último episódio. 


Pelo menos foi o que aconteceu aqui em casa, onde aguardávamos ansiosamente cada novo episódio, inclusive comentando anterior, como se fosse novela das nove.E eu, que sempre curti histórias do tipo, envolvendo fantasmas e assombrações, não tenho o que reclamar ou dizer muito sobre a série a não ser que... "Quero mais".
Sim, porque a primeira temporada se despediu e mal posso esperar para que comece a outra. De preferência, logo. Aliás, eu menti. Vou falar um pouco sobre a série e sobre sua mais carismática personagem: Tate Langdon. E, sim, se você ainda não assistiu nenhum episódio da primeira temporada e não curte saber por antecipação o que aconteceu, eu aviso que esse texto contém spoilers, então esse é o momento de parar. Quem avisa, amiga é.   :)

Em alguns momentos, American Horror Story me lembrou um pouco os bons tempos de Supernatural, antes que os roteiristas cagassem no pau e descambassem para aquela baboseira ultra-fantasiosa sobre Apocalipse, demônios, anjos, leviatans, circulos de sal e o diabo. Estilo Cubanacan de escrever dos roteiristas de Supernatural, transformaram a série em um verdadeiro espeto-no-cu e conseguiram dispersar a atenção do espectador com toda aquele religiosidade arrancada das páginas da Bíblia. Agora, quando assisto supernatural, eu só tenho sono e pensando em qual baboseira distorcida eles criarão envolvendo alguma personagem bíblia ou da mitologia cristã e não consigo mais me sentir cativada pelas histórias, apesar da beleza e do charme dos atores que interpretam os irmãos Winchester. Nhé!

Já American Horror Story, além do roteiro bem amarrado e quase sem furo, contou também com um elenco maravilhoso e de tirar o fôlego, com nomes como Jessica

Lange (simplesmente maravilhosa no papel de Constance, uma mulher com tendências psicopatas e profundamente perturbada, responsável pela maioria das tragédias ocorridas naquela casa), Zachary Quinto, Dylan McDermott, Taissa Farmiga e... Evan Peters.

Esse último é um caso à parte, juntamente com Jessica Lange, o jovem ator praticamente carrega toda a história nas costas, não só pela sua interpretação maravilhosa, como também pelo carisma de sua personagem. E embora os outros atores tenham atuações igualmente brilhantes é quase impossível falar de American Horror Story sem mencionar o nome de Evan Peters. Também é quase impossível não se apaixonar (e ao mesmo tempo não sentir raiva, ódio e nojo) da personagem, Tate Langdon, o jovem com tendências psicopatas, filho da personagem de Jessica Lange.


Tate é justamente o tipo de garoto atormentado e sensível, bonito sem ser lindo, charmoso, mas inconsciente do próprio charme, aquele tipo de garoto que você vê na escola e sente vontade de enfiar os dedos naqueles cabelos cacheados, abraçar os ombros, sentar no colo e contar histórias alegres para fazer aqueles olhos melancólicos sorrirem... Enfim, Tate Langdon é como se fosse uma versão do principe encantado, porém mais moderno e embalado com visual de cabelo de surfista e roupas largas. O combo fica por conta de sua mente podre, completamente destruída, desde a infância, por obra e graça de sua mãe. Tate foi criado num lar desestruturado, onde a mãe tratava com desprezo a irmã que tinha síndrome de down e isolava num quarto no sotão, preso com correntes, o irmão que tinha profundas deformidades físicas e mentais. Constance, que não é nenhuma santa, já havia matado o marido (pai de Tate) quando o flagrara estuprando a bela e jovem empregada, Moira O'Connor. Aliás, Constance mata os dois e esconde os cadáveres. Depois de um tempo, arruma um amante e o induz a matar o filho deformado como forma de "libertação". Tate sabe disso tudo, mas o assassinato do irmão é o gatilho para desencadear sua crise psicótica. Dias depois ele queima sem dó o amante da mãe e em seguida vai para a escola, onde pratica um massacre. Morre vítima da polícia dentro da casa.



Porém o que Constance descobre ao longo dos anos é que todos os que morreram dentro da mansão ficaram presos ao seu plano de ação, porque a casa é na verdade como uma imensa gaiola, cheia de almas, algumas boas e gentis, outras perturbadas, vingativas e violentas. A alma de Tate é um misto das duas coisas, com o agravante de que ele tem uma maneira completamente psicopata de pensar. Algumas pessoas comentam que Tate é um psicopata, mas eu discordo um pouco dessa abordagem, já que ele se apaixona realmente por Violet. Na realidade Tate é mentiroso, manipulador, violento e responsavel por parte das mortes que ocorreram na casa, algumas bem cruéis e, tenho de concordar que mesmo depois de se apaixonar por Violet, isso não o impede de tentar cometer mais homocídio, inclusive de um garoto inocente que nada fez a não ser chamar a atenção de sua amada. 


A conclusão que chegamos é que até quando tenta ser bom, Tate é mal. Ele é fruto de uma criação amoral de sua mãe e o único carinho que conhece é aquele que testemunha na família de Violet, o qual vai pouco a pouco fascinando-o. Quando Violet  descobre seus crimes e resolve finalmente afastá-lo dela e de sua família, a qual ele tanto prejudicou é um pouco tarde, porque estão todos mortos, o que torna o final dessa temporada em parte emocionante e em parte amargo: Depois da família de Violet descobrir que poderia usar a ajuda dos espíritos bons da casa para quebrar o ciclo da maldição da  mansão assombrada, a cena termina com Tate e a ex-amante do pai de Violet olhando de fora da janela a felicidade que a família conseguiu construir após a morte. O epilogo fica por conta da cada vez mais louca, Constance, criando o filho que Tate gerou durante o estupro da mãe de Violet, o qual demonstra ser, aos 3 anos de idade, um assassino psicopata. Como diriam por aí: Tal pai, tal filho.

domingo, 3 de junho de 2012

FORA DO TOM

No mundo literário dedicado aquele nicho que os críticos classificam como “Literatura Cor-de-Rosa”, o nome que atualmente se destaca é o de Erika Leonard James, uma ex-gerente de produção de TV, casada e mãe de dois filhos adolescentes.

Inspirada (e apaixonada) pelos livros da Série Crepúsculo, Erika começou a escrever em meados de 2008 variações sobre a trama em sites de Fanfiction, lugares onde os fãs podem postar versões próprias de livros de sucesso favoritos. Um belo dia Erika saiu um pouco da rotina e começou a escrever aquilo que seria esboço do seu primeiro livro da Trilogia que agora faz sucesso entre seus fãs: Uma história semelhante aquelas que compramos em bancas de jornais e que fizeram o nome de escritoras renomadas no meio, como por exemplo, Barbara Cartland, considerada a rainha dos romances cor-de-rosa no seu país de origem: A Inglaterra. O diferencial entre os romances de Barbara Cartland e Erica Leonard James é que a história de Erika envolve sexo. Não apenas o sexo, digamos “convencional” que estamos acostumadas a ler em livros mais picantes estilo “Momentos Íntimos”, mas uma história onde protagonistas não tem medo de sair da rotina papai "meets" mamãe, para sessões de sexo picantes envolvendo Bondage e Sado-mazoquismo. Tudo com o consentimento dos protagonistas, lógico. :)

Sim, a heroína de Cinquenta Tons de Cinza, embora ingênua e virginal, como qualquer heroína de um romance de Barbara Cartland, não se assusta ao descobrir que seu “príncipe encantado”, além de bonito, rico e sexy, tem um apetite sexual e tendências sexuais além daquelas consideradas convencionais pelos mortais comuns. Digamos que estamos diante de um romance onde o protagonista não é nenhum Mr. Darcy e o termo “baunilha” fica no passado, porque, na luxuosa cobertura onde o “herói” de Cinquenta Tons de Cinza vive, num cômodo situado entre paredes decoradas com veludo e couro negro, podemos encontrar todo um aparato que deixaria os praticantes de bondage e S&M inspirados: cama gigante, almofadas macias, chicotes, coleiras, algemas e tudo mais que for necessário para a prática de sexo sadomasoquista. O diferencial entre esse romance e os outros é que em vez de proposta de casamento, o mocinho propõe a heroína que ela se torne sua escrava sexual e objeto de prazer. E ela... Aceita! Uma desconstrução do mito romântico da Cinderella (e outras princesas de contos de fada) que deixaria qualquer vovó de cabelos em pé.

Vendido inicialmente como E-book e tornando-se rapidamente um grande sucesso principalmente entre as mulheres, ávidas leitoras desse tipo de literatura (porém não somente elas, vale a pena frisar isso), não demorou muito para o livro atrair a atenção de Editoras Norte-americanas que passaram a disputar os direitos de publicação, inclusive os direitos de adaptação cinematográfica. Considerado um “fenômeno literário” por alguns críticos, o livro é criticado por outros que acusam a história de funcionar como manual erótico de auto-ajuda para donas de casa entediadas. O caso é que, gostando ou não, o livro é sucesso e já tornou-se uma trilogia. As seqüências encontram-se a disposição dos leitores na forma de e-books : “Cinquenta Tons Mais Escuros” e “Cinquenta Tons de Liberdade” (sic).

Não entendo o porquê de tanto auê em torno do tema. Aliás, até entendo, porque histórias envolvendo sexo, sempre fazem sucesso e todo mundo lê, mesmo aqueles que negam esse tipo de interesse literário, porém, quanto ao tema abordado por Cinquenta Tons de Cinza, particularmente acho bondage e sadomasoquismo práticas sexuais “boring”. Não me excitam, não me despertam interesse e essa história de "um tapinha não dói" não me agrada. Detesto pessoas agressivas, seja na cama ou fora dela, mas é compreensível que algumas pessoas sintam curiosidade e resolvam se “informar” , ler, e também “gostar” daquilo que descrevem para elas. Eu mesma, apesar do que afirmei no parágrafo anterior, não posso jurar que não lerei a trilogia ou não assistirei o filme.
Mulher é bicho curioso e, além do mais, a fantasia erótica de ser submisso (ou submissa) a um macho (fêmea) alfa ainda povoa a mente de muita gente, homens e mulheres, e é esse o nicho que "Cinquenta Tons de Cinza" pretende reconquistar.
Sim, reconquistar, já que livros  como "A História de O" (1954, Pauline Réage), um livro que também virou filme em 1975, já abordaram o tema no passado.

Aqui no Brasil, os direitos da obra foram recentemente adquiridos pela editora Intrínseca e o lançamento está previsto ainda para esse ano. Já a adaptação cinematográfica ainda pode demorar um pouco.

domingo, 15 de abril de 2012

Hotel Transylvania


Direção: Genndy Tartakovsky;  Roteiro: David I. Stern, Dan Hageman e Kevin Hageman; Gênero: Animação/Comédia; Ano: 2012.

Para aqueles, adultos e crianças, que curtem animação e são fãs dos personagens clássicos de histórias de Terror, a nova animação da Sony Pictures Animation (criadora de "O Bicho vai Pegar"), promete ser uma "boa pedida":


A Múmia, o Lobisomem, o Homem Invisível e o Monstro de Frankenstein, entre outros monstros e personagens clássicos de histórias de Terror, perceberam que se tornaram "irrelevantes" no mundo moderno e resolveram se refugiar das novas tecnológicas do século XXI em um local distante e reservado, um resort de luxo no interior da Transilvânia administrado nada mais, nada menos, pelo próprio Conde Drácula.
Tudo corre as mil maravilhas para os simpaticos monstrengos até que um hóspede humano resolve se hospedar no resort, colocando em risco o "refúgio secreto" das "estrelas do terror".
Para complicar ainda mais a situação, a presença do "intruso" também atiça os instintos paternais superprotetores do Conde Drácula, quando o jovem resolve se engraçar justamente para cima de Mavis, a filha adolescente do vampirão.

A previsão de estréia no Brasil é para outubro desse ano e a animação conta com um time de dubladores integrado por Selena Gomez, Cee-Lo, Adam Sandler, Kevin James e Andy Samberg, entre outros.

domingo, 23 de outubro de 2011

Notícias: Akira, Um Clássico do Mangá Japonês Ganhará Versão em Filme.

Numa mega-metrópole futurista, que poderia ser qualquer cidade do mundo, mas no caso da nossa história é Tokio reconstruída, após ter sido devastada por um evento psíquico provocado por uma criança com poderes telecinéticos, gangues de motoqueiros dividem suas vidas entre brigas com outras gangues e corridas insanas em suas motos. Quando um deles se vê envolvido, depois de um acidente, com um departamento secreto do governo e experiências secretas envolvendo crianças e seres humanos dotados de poderes psíquicos, seu amigo resolve resgatá-lo, mergulhando, junto com o espectador, no submundo de uma cidade governada por líderes corruptos e inescrupulosos. Quem hoje tem mais de 30 anos e não se lembra do sucesso da animação “Akira”, de 1.988, dirigido por Katsuhiro Ohtomo?

A animação encontra-se disponível para download na internet, eu vi e é excelente, mas parece que resolveram fazer uma versão da animação em filme e isso nos dará a oportunidade de assistir os personagens do violento e pós-moderno universo ciberpunk, criado por Katsuhiro Ohtomo, vividos por atores de carne e osso. Sempre acreditei que Akira daria um excelente filme de ficção se fosse bem adaptado para o cinema e parece que a Warner resolveu investir nesse projeto.
O estúdio comprou os direitos sobre a produção em meados de 2.008 e já investiu alguns milhões para regularizar normas jurídicas referentes a direitos autorais, criar um roteiro adaptado e finalmente dar o aval para o início da filmagem do longa. Porém o projeto que vem sendo levado a “passo de tartaruga” pela Warner, o que desagradou um pouco Albert Hughes (O Livro de Eli), convidado para dirigir o longa. A data prevista para início da filmagem é março de 2.012 e o orçamento do filme gira em torno de US$90 milhões (fonte: Variety). A adaptação ficará por conta de Steve Kloves, responsável por adaptar sete dos oito livros da série Harry Potter para a Warner.

Recentemente Albert Hughes desistiu da direção de Akira e o cargo ficou por conta de Jaume Collet-Serra (A Casa de Cera). A versão oficial para os sites de notícias, afirma que Albert Hughes preferiu se desligar por conta de “divergências criativas” com o estúdio, mas segundo boatos, o que pesou mesmo na decisão do diretor foi a lentidão da Warner para tocar o projeto, além das indicações fora de propósito de se pensar em contratar atores para os papéis principais; isso entre outras coisas, já que alguns nomes cogitados não se encaixam no perfil das personagens criadas por Katsuhiro Ohtomo.  Imagine que chegaram inclusive a pensar em Keanu Reeves para o papel de Kaneda e por aí você pode tirar uma idéia do que está rolando por aquelas bandas...¬¬ (Gente, pelamor, imagine um quarentão como o Keanu no papel de um motoqueiro adolescente? Que ridículo...).
Outros nomes cogitados para as personagens principais são: Robert Pattinson, Andrew Garfield e James McAvoy para o papel de Tetsuo e Garret Herdlund, Michael Fassbender, Chris Pine, Joaquim Phoenix e Justin Timberlake (socorro!) para o papel de Kaneda. Todos esses atores estão bem longe do perfil adolescente, porque _ Né?! _ são todos já homens feitos, mas enfim, o cinema é uma fábrica de ilusões e vamos esperar e ver se a adaptação fará justiça à animação de 1.988.

Alguns sites sobre cinema brasileiros estão escrevendo sobre essa notícia e sobre o roteiro da animação de Katsuhiro Ohtomo, mas lamentavelmente confundem Akira com Tetsuo ou com uma das crianças psíquicas que é atropelada logo no começo da história. Eita gente mal informada que escreve sobre aquilo que não conhece ou não lê: Akira, na animação de 1.988, havia sido dissecado pelo governo depois do cataclismo - criado por ele - que destruiu Tókio e só aparece no final, quando é reconstituído a forma original pelas crianças psíquicas. Pff! ¬¬

Enfim, vamos esperar, ter paciência e rezar para que tudo dê certo.  Akira tem todo um potencial para ser o Blade Runner do início do século XXI, so espero que esses empresários da Warner não estraguem tudo.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Fright Night - A Hora do Espanto

Fright Night (A Hora do Espanto);  Ano:2011; Direção: Craig Gillespie; Elenco: Colin Farrel, David Tennant, Toni Collette, Anton Yelchin, Imogen Poots, Christopher Mintz-Plasse.

Que mulher não gostaria de ter um bonitão feito o Colin Farrel como vizinho? Toni Collette tem essa oportunidade quando Jerry, seu novo vizinho, muda-se para a casa ao lado, mas, como nem tudo no mundo é perfeito, seu filho (Anton Yelchin) descobre que o misterioso vizinho envolto numa aura de perigo e sedução é na verdade um vampiro sanguinário cujo objetivo é converter todos os seus amigos e conhecidos em vampiros, inclusive, claro, sua mãe.

Remake de um filme de 1985 que teve, entre outros, Chris Saradon (ex-marido de Susan Saradon) e Roddy Mc Dowal no elenco, essa nova versão nos trás Colin Farrel – mais gostoso impossível – no papel do vizinho vampiro e David Tennant - ex-protagonista do seriado britânico “Doctor Who?” - no papel do caçador-de-vampiros. Toni Collette interpreta a mãe de Charlie (Anton Yelchin) e sua bela namorada é interpretada pela jovem atriz britânica, Imogen Poots. O filme ainda conta com uma participação especial de Chris Saradon no papel de uma das vítimas do vampiro.

Uma coisa que me incomodou um pouco - não somente eu, como outras pessoas também - foram as cenas noturnas; elas eram tão escuras que prejudicaram a visualização do que acontecia na tela. Quanto ao roteiro do remake, dirigido por Craig Gillespie, apesar de preservar a idéia do roteiro original ( de Tom Holland), tem algumas mudanças bem-vindas, particularmente no que diz respeito à origem de Peter Vincent  e a relação de amizade entre Charlie e seu amigo Ed (Christopher Mintz-Plasse). Outra mudança mais que bem-vinda e que agradarão minhas amigas feministas é que a namorada e a mãe de Charlie também não são mais as mocinhas em perigo do filme original; no novo elas são mulheres fortes e decididas, que inclusive salvam a vida de Charlie, mais de uma vez, em uma das sequências mais eletrizantes da história.

David Tennant dá uma nota toda especial de humor negro à personagem que interpreta e está bem à vontade no seu papel de especialista em vampiros atrapalhado, covarde e fanfarrão que só resolve enfrentar seus medos, depois que descobre que a família de Charlie esta prestes a ter o mesmo destino na sua; Toni Collette também não se sai mal como mãe de Charlie, apesar de sua participação na trama ser secundária; quanto a Colin Farrel, o qual sabemos ser um bom ator, ele pareceu-me estar um pouco desconfortável no papel, como alguém que estivesse fora de seu ambiente. Bem, alguns atores nutrem certo preconceito contra o gênero “terror” e talvez Colin sinta-se um pouco constrangido ao participar de um filme do gênero. O caso é que ele exagera um pouco nas caras e bocas e seu vampiro fica um pouco caricato, enquanto que o vampiro original era mais sutil e, talvez por isso, mais assustador.

Como vivemos no século XXI e as sutilezas foram abandonadas e substituídas, dando lugar a uma crueza quase pornográfica, baldes de sangue e cenas de mutilações não faltam nesse remake, porém ainda acho que o original, apesar da caracterização datada das personagens, é bem melhor.
Essa nova versão, apesar de contar com um bom elenco e mesmo roteiro, não ficou tão boa quanto o original e dificilmente se tornará "cult", como aconteceu no passado. Parece que falta alma a esse remake, como se ele fosse também um morto-vivo, simples cópia bonitinha e sem conteúdo de algo mais valioso. Sei lá, acabei de ver os dois filmes (Fright Night I e Fright Night II) no Youtube e achei esse remake meio... Bleh!

Que o grande público não curtiu tanto quanto o público de 1986, isso é verdade, porque o remake de Fright Night não foi muito bem nas bilheterias dos EUA e, talvez, o isso se repita também por aqui. Culpar autores e autoras de livros, enredos de cinema e seriados de TV que usam vampiros e monstros no papel de anti-heróis com problemas existenciais pode ser precipitado e injusto, mas acho mesmo que o público se viciou no estereótipo do “vampiro sangue-bom” para apreciar algo que mostre a lenda sob outro contexto que não aquele desenvolvido em romances soft-porn-água-com-açúcar que se vendem em bancas de jornal. Uma pena.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Vampires Suck – Os Vampiros Que Se Mordam

Título original: Vampires Suck; Ano: 2010; Gênero: humor, paródia; Direção: Jason Friedberg e Aaron Seltzer; Elenco: Matt Lanter, Chris Riggi, Jenn Proske e Diedrich Bader.

Jason Friedberg e Aaron Seltzer já se tornaram especialistas em sátiras e paródias de gêneros. Um de seus primeiros sucessos, a série Todo Mundo em Pânico (Scary Movie, 2000, de Keenen Ivory Wayans) satirizava os filmes de terror sanguinolentos muito comuns nas décadas de 80 e 90 e fez um relativo sucesso na época, embora a crítica tenha detestado. Nas suas filmografias também constam os filmes: Date Movie – 2006 (Uma Comédia Nada Romântica); Epic Movie – 2007 (Deu a Louca em Hollywood) e Meet the Startans (Espartalhões), entre outras. Alguns desses filmes foram veiculados na TV aberta no Brasil, portanto vocês já podem ter uma noção do tipo de humor usado em Vampires Suck.

O humor utilizado em filmes de Friedberg e Seltzer é basicamente o tipo que a gente encontra muito em programas semanais de TV, portando dizer que ele não agrada ao público seria faltar com a verdade. Porém, os apreciadores de um humor mais refinado certamente não curtem e, talvez por conta disso, a crítica especializada sempre abominou os filmes de Friedberg e Seltzer. Podemos dizer que a motivação básica desses filmes é aquele velho impulso de bullying que todo ser humano tem dentro de si, bem guardadinho, lá no fundo da alma. Quem nunca sentiu vontade de mandar à merda os fãs daquele filme, ator, diretor que, de tanto ser paparicado pela crítica, já encheram o saco de metade do mundo civilizado? Pois é, acho que é isso o que eles fazem e, pior dos pecados, ganham dinheiro com isso.  Porém, mesmo na hora de parodiar é preciso ter cuidado e dosar um pouco a quantidade de agressividade e escatologia usadas, porque o exagero sempre tira a graça de tudo, em minha opinião.

Vampires suck, lógico, satiriza basicamente a série Crepúsculo, uma franquia de filmes baseada na obra de Stephanie Meyer, entre tantos outros filmes sobre vampiros, e o elenco é basicamente desconhecido. O enredo utilizado é quase o mesmo de Crepúsculo e Lua Nova, sempre aproveitando toda e qualquer oportunidade para ridicularizar os clichês usados e abusados por Meyer e pelos roteiristas nos filmes originais. E embora não exista nomes “famosinhos” nesse filme (imagino que a maioria deve correr e se esconder debaixo da cama, quando os nomes de Friedberg e Seltzer são citados), algumas faces se destacam, como o jovem ator, Matt Lanter, que já estrelou um filme dos diretores anteriormente (Disaster Movie) e também é uma carinha conhecida em seriados de TV (Heroes, Shark, C.S.I., Grey’s Anatomy, Life, etc.). Devo confessar que Matt Lanter está quase irreconhecível como Eduard Sullen (sic), com grande parte de sua beleza de ex-modelo escondida por toneladas de maquiagem e o belo cabelo castanho armado e mantido a poder de laquê num imenso topete. Cedo demais para dizer se o rapaz tem futuro como ator, porém ele conquistou meu coração quando usou e abusou das caras e bocas para interpretar sua paródia de Eduard Cullen (Crepúsculo). Porque é impossível não sorrir, quando se percebe a crítica direta à interpretação patética de Pattinson em Crepúsculo: Quem não se lembra das caras e bocas que ele fazia, tentando criar e mostrar uma profundidade inexistente em seu Eduard Cullen? Pois é. :)
Matt Lanter - Mil vezes mais lindo que o Pattinson.
(pode me morder ontem, seu gostoso, eu deixo... :) )

Meu conselho é, se você assistiu Crepúsculo e Lua Nova, ou leu os livros de Stephanie Meyer, porém não é exatamente um fã doentio da série, então veja “Vampires Suck” para brincar de buscar referências e constatar o ridículo e os clichês gritantes nos roteiros originais. Agora, se você é fã e não gosta ou não consegue lidar muito bem ao ver algo que aprecia submetido ao humor escatológico, ou ainda não suporta filmes que pegam carona no sucesso de outros somente para ridicularizá-los, então nem assista. Vampires Sucks não é um filme de humor, é um filme Bully (criei o termo, sou bonita! \0/), eu poderia até mesmo rebatizá-lo como “Bullies, os caça-vampiros”, porque ele ridiculariza até o limite do possível a série Crepúsculo, seus atores, escritores, roteiristas, fãs, etc., entre outros filmes e séries de vampiros do gênero. Assista por sua conta e risco. Nota cinco.

sábado, 3 de setembro de 2011

Captain América: The First Avenger - Capitão América: O Primeiro Vingador

Título Original: Captain América: The First Avenger; Ano: 2011; Direção: Joe Johnston; Roteiro: Stephen McFeely,Christopher Markus; Elenco: Chris Evans, Tommy Lee Jones, Stanley Tucci, Hugo Weaving, Neal McDonough, Sebastian Stan, Dominic Cooper, Hayley Atwell, Toby Jones.

Essa resenha estava “encalhada” aqui. Pensei até em não publicá-la, mas, enfim, concluí que isso seria uma espécie de auto-censura, então vamos lá.
Capitain America, The First Avenger é mais um filme sobre personagens de histórias em quadrinhos da Marvel. A Marvel está na moda, inspirando filmes de ação de Hollywood como nunca, assim nós já tivemos o prazer (duvidoso ou não) de ver na grande tela, personagens queridos e não tão queridos de nossa infância nerd, como o Homem-Aranha; o Hulk; os X-Man; o Demolidor; o Vingador; o Homem de Ferro; o Motoqueiro Fantasma; o Thor, a Electra e outros dos quais não lembro, mas com certeza estão por lá, cumprindo quota. E, como no cinema, eles imaginam que ninguém sabe quem é o Capitão América, o filme em questão aborda basicamente a origem do herói, geralmente aquela origem conhecida dos gibis (ou, como preferirem, revistas em quadrinhos), porque – Né?- não se pode nunca despertar a fúria dos fãs.

Resumindo: Steve Rogers é um sujeito franzino e de saúde frágil que consegue através de fraude servir o exército norte-americano. No exército, justamente por conta do seu físico, Steve é escolhido para ser cobaia de uma experiência científica (outra né, filmes de ficção estão cheios de clichê do tipo) que visa criar uma espécie de super soldado. A experiência dá certo e Steve não somente adquire músculos hercúleos, como também fica mais alto, mais ágil, etc, porque o soro do super soldado que foi desenvolvido pelos cientistas eleva todas as suas capacidades físicas ao máximo, porém, mantém sua humanidade, isto é, ele não adquire capacidade de voar ou atravessar paredes, etc, como outros super-hérois da Marvel. O Capitão América da Marvel é como se fosse o Batman da DC Comics, tem físico de atleta e capacidades físicas de luta e raciocínio bem acima da média, porém somente isso.

Voltando ao assunto da “origem”, de posse de seu novo corpo, Steve Rogers se torna inicialmente uma espécie de “símbolo” do Exército Norte-Americano, como se fosse uma versão fictícia da Joana D’Arc da Guerra dos Cem Anos, porém, posteriormente, passa a combater os nazistas e também uma facção dissidente de soldados liderados pelo arqui-vilão do Capitão América, o Caveira Vermelha.
O que posso dizer sobre o filme? Achei as cenas de ação fracas, a tentativa de mostrar um romance entre o Capitão América e a mocinha do filme deixaram muito a desejar. E, convenhamos, eu acho o Chris Evans uma delícia; ele recheia com músculos aquele uniforme do Capitão América como ninguém, e eu pegaria aquele gostoso ontem, hoje e para sempre, mas as capacidades interpretativas dele infelizmente são fracas.

Por exemplo, no filme, mesmo quando Chris Evans tenta mostrar-se desajeitado no flerte com a mocinha (Hayley Atwell), agindo com a falta de tato de um ex-feio (e virgem) que nunca teve chance com mulheres antes, a cena não fica convincente. Nessas horas eu confesso que pensei malevolamente que era sem dúvida uma pena que o tal soro do super-soldado não tenha ampliado a capacidade de atuar do Chris, porque, infelizmente, apesar dele ser um ator esforçado, suas capacidades interpretativas estão muito aquém das capacidades de um ator como Robert Downey Jr. (O Homem de Ferro) e até mesmo das capacidades interpretativas de Hugo Weaving, que interpreta o vilão, Caveira Vermelha. A ambientação está relevante, guardadas as licenças poéticas de praxe. O Vilão, Caveira Vermelha, consegue imprimir um pouco de tensão no filme, mas no geral as cenas de luta e ação não impressionam, talvez porque o Capitão América é basicamente uma personagem fraca, “certinha” demais e sem um lado sombrio capaz de despertar grandes empatias com o público.

O roteiro é bem fiel as origens do Capitão América e, apesar de eu ter achado o fim do vilão uma merda, os roteiristas foram respeitosos com as origens do Capitão América que conhecemos nos gibis. No final, lógico, há um “teaser” para o tal filme dos Vingadores, que será lançado, pelo jeito, em breve. Aguardemos.
Minha nota: cinco.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Planeta dos Macacos – A Origem.

Título original: Rise of the Planet of the Apes (2011); Direção: Rupert Wyatt;Roteiro: Amanda Silver e Rick Jaffa; Elenco: Tom Felton, Andy Serkis, James Franco, Freida Pinto, John Lithgow, Brian Cox.

Eu confesso: tenho certa antipatia por macacos. Talvez nem seja antipatia, mas desconforto, eu não sei, mas o caso é que macaco é um bicho que não me atrai mimos ( a não ser que seja filhote, porque então a coisa muda de figura. Filhotes são fofos e ponto final). Também confesso que sinto um pouco de pena quando vejo chimpanzés explorados em shows, portando meu desconforto não é exatamente uma antipatia, mas uma raiva inexplicável ao ver animais sendo treinados para perderem sua espontaneidade de bicho e se transformarem numa paródia tosca para divertimento de seres-humanos . E, talvez por conta disso, eu nunca achei o filme “O Planeta dos Macacos”, com Charlton Heston lá essas coisas, apesar dele ser considerado um clássico. Aquele filme com o Mark Wahlberg, uma versão tecnologicamente mais evoluída do original, não chega nem perto dele, então, vou me abster e também poupá-los de qualquer comentário a respeito dele nessa resenha, por enquanto. :)

Quanto à nova versão, que supostamente tenta explicar ao expectador como os macacos conseguiram se tornar os seres dominantes no planeta, ela também não conseguiu me cativar, apesar dos recursos tecnológicos estarem mais avançados e, conseqüentemente, apresentarem efeitos especiais de primeira linha. Vamos combinar que embora o roteiro acerte em alguns pontos, como na parte onde mostra ao espectador a maneira como a capacidade mental dos macacos foram estimuladas e aumentadas através de pesquisas em engenharia genética, ele é falho ao mostrar os macacos, liderados pelo macaco Caesar (ou César), vencendo uma civilização numérica e tecnologicamente superior a deles. Não existe lógica nisso, é impossível acreditar em uma história assim, me desculpem.

Nas cenas de ação finais, os macacos atacam os humanos usando paus, pedras, lanças e até os próprios corpos como armas, conseguindo derrubar helicópteros, danificar viaturas policiais e carros. Gente, até aí eu só vi o Rambo e o Exterminador do Futuro fazerem isso e olhe lá, mas apesar de achar tudo aquilo uma grande bobagem, fiquei assistindo aquela macaquice (ops, desculpem) e pensando que se fosse atualmente, em um país onde qualquer cidadão tem armas em casa, como os EUA, aquele bando de macacos teria virado um monte de corpos peludos depositados nas ruas em, no máximo, uma semana.

Penso que a idéia dos roteiristas era nos mostrar que após a fuga, os macacos conseguem – o filme não explica isso- reverter sua condição de fugitivos até se tornar uma civilização adversária que posteriormente dominaria a nossa. Mas como isso aconteceria? Talvez os macacos nos subjugassem atirando bananas (de dinamite) em cidades como N. Iorque, Washington, Rio de Janeiro e Madrid (ahahah, desculpem, não resisti...), mas na realidade é que o filme não nos dá explicação sobre a reviravolta dos macacos. Já o filme clássico, aquele onde Charlton Heston foi protagonista, esse sim, nos dá pistas de como os macacos tornaram-se “senhores do mundo”: Na cena final o protagonista encontra a Estátua da Liberdade parcialmente derretida e soterrada por areia, num indício claro de que houve uma hecatombe nuclear que exterminou a civilização humana e favoreceu o crescimento da civilização símia, porém mesmo essa explicação não fica muito plausível, porque você também pensa: “Oras, se acontecesse uma guerra nuclear, os macacos provavelmente morreriam juntamente com os humanos e boa parte dos animais que habitam o planeta”, então, fica aqui a pergunta e a resposta eu deixo por conta de vocês. O caso é que essa história do Planeta dos Macacos já não colava na época do livro do Pierre Boulle e os roteiros do cinema conseguiram fazê-la ficar ainda mais sem sentido. Sorry, não colou.

Com roteiro de Amanda Silver e Rick Jaffa, dirigido pelo inglês Rupert Wyatt, Planeta dos Macacos: A Origem, comete o mesmo pecados de blockbusters passados: é eficiente na hora de mostrar efeitos especiais e cenas de ação de tirar o fôlego, mas infelizmente esses recursos não deixam que o espectador preste atenção na história e roteiro sem sentido. O que para eles acaba sendo bom, lógico, já que boa parte dos espectadores achou tudo “uau” e etc. Já eu, não perdi o foco para o problema que falei anteriormente e,para piorar ainda mais meu desconforto, inventaram de encher o filme com homenagens à série, porque alguns críticos acham isso “cult” e os fãs da série adoram. Então o filme em questão está cheio de referências indiretas a cenas de filmes anteriores, desde uma onde Caesar brinca com uma miniatura da Estátua da Liberdade, até frases de Charlton Heston repetidas na íntegra. Já que eu sempre achei isso pedante, por conta disso, dou nota seis ( e olhe lá).

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Árvore da Vida (The Tree of Life)

Título: The Tree of Live (Árvore da Vida); Ano: 2011; Direção/Roteiro: Terrence Malick; Gênero: Drama; Elenco: Brad Pitt, Sean Penn, Fiona Shaw (Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1), Jessica Chastain (A Dívida), Hunter McCracken, entre outros.

O novo filme de Terrence Malick, Árvore da Vida, não é um filme desses que o grande público está acostumado a ver no cinema. Malick pertence aquela classe de cineastas que fazem filmes que desafiam o espectador a buscar um entendimento sobre aquilo que vê. E, às vezes, nem sempre você, enquanto espectador, consegue captar o que o autor da obra quer nos mostrar. Não em um primeiro momento. É necessário, às vezes, que você faça uma reflexão, pensando e repassando cenas do filme em sua mente e se perguntando: será que é isso mesmo?

Realmente, as obras de Malick, apesar de serem poucas são como pequenos tratados de filosofia, o que não surpreende, já que o cineasta estudou filosofia na Universidade de Harvard, uma das mais conceituadas do mundo, lugar onde ele se formou com as mais altas honras em 1965. Depois quando o cineasta tentou fazer um doutorado em Oxford, ele teve que abandonar seu doutorado devido a divergências com o seu coordenador. Imagino que ele deve ter ficado meio frustrado com isso, porém continuou sua vida e foi dar aulas de filosofia no Instituto de Tecnologia de Massachussetts, trabalhando paralelamente como jornalista. Quer dizer, ele é do tipo que sabe como provocar e como chegar ao seu público, para dizer o mínimo. E pelo jeito não abandonou suas convicções filosóficas, sejam elas quais forem.

Daí que não é surpresa que Árvore da Vida se apresente como um filme “pensante”, um filme que não trata propriamente da divindade ou da busca humana pelo sentido da vida, mas trata da angústia humana diante do vazio que sentimos quando confrontados com o aparente abandono e silêncio divino em face do nosso sofrimento. Podem dizer o que quiserem, mas o filme tem uma atmosfera altamente sacralizada e a trilha sonora do francês, Alexandre Desplat, aliada a fotografia com closes de imagens belíssimas, contribuem muitíssimo para isso.

Para falar a verdade, o filme já nos dá pista sobre o que trata logo no início, quando se apresenta para o espectador uma citação do Livro de Jó, um dos livros mais contestadores da Bíblia. Quem leu o livro de Jó sabe muito bem que, nele, o escritor nos coloca diante do drama de um homem que perde tudo e se põe a questionar o próprio Deus sobre qual o sentido do sofrimento e sobre como funciona a tão proclamada justiça divina. Também percebi uma forte influência do pensamento de Kierkegaard nesse filme, até mesmo de sua biografia, particularmente no que diz respeito a angústia do garoto em face de algo que foge ao seu entendimento e no conflito dele com o pai.

É nesse contexto que somos apresentados a uma pequena família, que tem Brad Pitt e Jessica Chastain como pais de três filhos, mas é sob a ótica do mais velho, Jack, que será vivido na fase adulta por Sean Penn, que o filme deve ser compreendido: O garoto é a chave. O filme se desenvolve dentro de um pequeno drama familiar – logo no começo do filme um dos filhos morre e a mãe se desespera e encontra grandes dificuldades para aceitar a perda, se revoltando, lógico contra Deus-, mas poderia ser outro drama qualquer. Não é um filme linear, você se sente como estivesse dentro da cabeça de outra pessoa, como se todas aquelas imagens fossem as memórias e pensamentos do filho mais velho (Sean Penn) em sua busca para o entendimento de como a tragédia da morte de seu irmão e do conflito com seu pai (Brad Pitt) afetou sua vida.
Várias vezes vemos (e ouvimos) na voz da mãe desesperada, ecos dos gritos de Jó, quando ela fala com Deus em tom de revolta e pergunta: Onde está você? E a resposta, sempre pela ótica do garoto, são imagens belíssimas da natureza, talvez uma forma de Malick fazer uma conexão entre o micro universo daquela família e o macro universo, representado pela natureza. Só não entendi se para Malick Deus e a Natureza sejam uma coisa só, pelo filme parece que essa é a idéia, embora talvez sua intenção seja mostrar Deus como uma força invisível agindo inexoravelmente na Natureza através do tempo. Pelo menos no que se refere ao entendimento da personagem principal, vivida por Sean Penn.

O filme foi premiado em Cannes, ganhou a Palma de Ouro do 64º festival, apesar disso soube que a platéia e parte dos críticos se desesperaram com o excesso de imagens da natureza usada por Malick e muita gente não reagiu positivamente quando o filme foi mostrado: Houve vaias depois da apresentação para o público . Realmente, um filme com poucos diálogos e muitas imagens pode causar descontentamento do grande público, acostumado com produções estilo Wood Allen, cheios de diálogos longos e cansativos, pretensamente inteligentes, ou aqueles filmes "cabeça" onde alguma personagem resolve em algum momento da história fazer um longo discurso filosófico tentando convencer o espectador sobre a profundidade daquilo que o diretor quer mostrar.
Árvore da Vida é filme para ser visto, para fazer o espectador pensar. Há narração em off, principalmente nos momentos onde se apresenta o drama familiar. No mais, quando as personagens falam, suas falas são meras ilustrações para os momentos vividos por eles, nada mais. O fato de Bad Pitt entrar mudo e sair quase calado não faz diferença ali, pois quem brilha mesmo é o garoto que faz o filho mais velho, vivido por um jovem ator chamado Hunter McCracken. É dele a maior parte das falas do filme. Nota: 8.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Lembranças (Remember me)

Título Original: Remember Me; Ano: 2010; Gênero: Drama/Romance; Direção: Allen Coulter; Roteiro: Will Fetters; Elenco: Robert Pattinson, Pierce Brosnan, Emilie de Ravin, Chris Cooper. (*) Atenção, contém spoillers

Só para não passar a imagem de alguém implicante, eu resolvi assistir nesse último final de semana esse filme estrelado pelo queridinho das adolescentes hematófagas, Robert Pattinson, o eterno Edward de Crepúsculo. Queria ver se o ator realmente dá conta de interpretar uma personagem mais normal, que dispensa o uso de pankake e suspiros teatrais para enfatizar o quanto está triste (chateado, aborrecido, irritado, etc.).

O que posso dizer sobre o filme? O roteiro é clichê (riquinho em crise existencial com a família e bleh), mas até aí, quase todo roteiro de Hollywood é basicamente sustentado pelo uso de clichês, isso não é definitivamente um problema. O problema com Remember Me é que Will Fetters não desenvolve suficientemente a trama e você fica ali, sentindo que sua cara de bunda não é somente resultado de uma cirurgia nos olhos que você fez no dia anterior.
Remember Me parece feito de flocos de isopor, as emoções do espectador ficam sempre na superfície, e você se pega incapaz de se aprofundar ou desenvolver cumplicidade ou empatia pelas personagens, por mais que a história mostre elas como vítimas ou sofredoras angustiadas. Algumas cenas são supérfluas, as cenas iniciais, por exemplo, nas quais o espectador testemunha o assassinato da mãe de Ally, poderiam perfeitamente ter sido editadas ou cortadas e o seu trauma apresentado ao espectador de outra forma, através de lembranças (oi? O título do filme) ou até mesmo pesadelos. Então creio que perdeu-se um tempo precioso com uma cena que poderia ter sido resumida, já que a mãe da moça só aparece ali para ser morta e fim de papo.

Tyler (Pattinson) também é refém de uma experiência traumática. Quando ainda era pré-adolescente, ele foi a primeira pessoa a encontrar o cadáver de seu irmão depressivo e suicida e culpa o pai, um workaholic de Wall Street, por conta disso. Nhé! O roteirista Will Fetters deveria levar uma dedada no fiofó por gastar mais tempo do filme tentando mostrar a relação tensa entre Tyler (Robert Pattinson) e seu pai (Pierce Brosnan) do que tentando contar uma história que consiga captar a cumplicidade e desenvolver a empatia do espectador. Sério, tem horas que dá vontade de gritar, “okay, a gente já percebeu que o pai tem dificuldades de expressar sentimentos e que o filho se ressente com isso, poxa!”, mas tudo bem, dá para suportar o roteirista batendo nessa tecla até quase o final e sem ceder a tentação de enfiar o dedo na tecla “fwd” para pular as partes chatas .
No meio do filme, Tyler e Ally já se encontraram, saíram juntos, se amaram, ela descobriu as mentirinhas dele, brigaram, se reconciliaram e, de repente, você percebe que o drama dela fica sempre em segundo plano. Aparentemente, tirando o medo que ela sente de andar de metrô, Ally é bem mais madura que Tyler e superou seu trauma melhor que ele. O filme também aborda a relação dele com a irmã caçula, uma garota superdotada que sofre de bullying na escola. Juro por Deus que se senti mais tocada pelo drama da menina sofrendo bullying das riquinhas escrotas, que pelo drama amoroso vivido por Tyler e Ally. O filme só começa a ficar interessante no último terço, quando tudo parece se resolver e você pensa, “nossa, agora todo mundo vai ser feliz e tal”, mas então Will Fetters resolve adicionar mais um elemento dramático e Tyler se ferra. Literalmente. Porém, dessa vez, o sacrifício de um é a redenção dos outros e, como por encanto, todos conseguem forças através dessa nova tragédia para superar seus traumas do passado e se tornarem pessoas mais fortes e felizes.

Juro que não consegui forças para chorar no final desse filme e que o final me surpreendeu de início. Só depois cheguei a conclusão de que foi apenas mais um elemento emocional para chocar o espectador. A princípio essa tática tem sucesso, mas depois ficamos pensando e chegamos a conclusão de que foi tudo um truque baixo e barato. Mas contar o final seria estragar essa “surpresa”, então eu deixo para o leitor o prazer (ou não) dessa descoberta. Nota 7.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Beastly (A Fera)

Beastly (A Fera), Ano (2010); Direção: Daniel Barnz; Roteiro: Daniel Barnz e Alex Flinn; Elenco: Alex Pettyfer, Vanessa Hudgens, Mary-Kate Olsen, Neil Patrick Harris, Lisa Gay Hamilton, Peter Krause, Dakota Johnson, Erik Knudsen e Gio Perez.

Beastly é uma adaptação do antigo conto de “A Bela e a Fera” para os dias atuais, estrelado pelo ator/modelo, Alex Pettyfer, no papel de Kyle Kingston/Hunter, e a musa de High School Musical, Vanessa Hudgens, no papel de Linda.
A história contada no filme é basicamente aquela que conhecemos do conto-de-fada francês publicado por Gabrielle Suzanne Barbot, Dama De Villeneuve, em 1740. Esse conto, por sua vez, parece nos remeter a uma mitologia ainda mais antiga, a história de Psiquê (se você não conhece, google it, porque né? Não sou obrigada), muito embora o conto francês só guarde semelhanças com a história mitológica nos seus capítulos iniciais, quando Bela é feita refém de um anfitrião invisível em um lugar luxuoso.

Como a história da Bela e da Fera é conhecida de quase todos, acho que não é spoiler contar basicamente um resumo do filme.
Nele, Kyle Kingston (Pettyfer) é um jovem rico e mimado que cultiva uma idéia completamente equivocada do que é ser uma pessoa de sucesso. Popular por conta de seu dinheiro, boa aparência e inteligência, ele se aproveita disso para humilhar os colegas e pessoas mais humildes. Porém, o rapaz se dá mal quando mexe com Kendra (Mary-Kate Olsen), sua adversária na eleição para representante do colégio. Para azar de Kyle, Kendra não é uma garota comum, mas uma feiticeira. Ela lança sobre o jovem mimado uma maldição e ele fica cheio de deformidades e cicatrizes, que se tornarão definitivas, caso ele não encontre no período de um ano, alguém que o ame verdadeiramente.
Depois de perder aquilo que julgava a chave para seu sucesso – a boa aparência – Kyle descobre que era intimamente desprezado e, até mesmo, odiado pelos amigos e ex-namorada. Sua única esperança reside no único sentimento realmente puro que sentiu na vida, quando ainda não estava amaldiçoado, pela colega de colégio, Linda Taylor (Vanessa Hudgens). O filme cumpre bem o seu papel de recontar um conto de fadas como uma história contemporânea. Isso se levarmos em conta a existência de bruxarias e mágicas, claro. Nesse ponto o roteiro não tenta adaptar nada.

Sobre os atores, os protagonistas se esforçam e fazem um belo trabalho, Mary-Kate Olsen aparece muito pouco para se fazer uma avaliação sobre ela; Vanessa Hudgens continua ainda muito água-com-açúcar para o meu gosto, sua atuação é no máximo “correta”, mas não empolga; notável mesmo é a atuação do jovem Alex Pettyfer. Comparando com atuações sem-graça e o rosto inexpressivo de ídolos juvenis como Robert Pattinson e Daniel Radcliff, por exemplo, o garoto é quase um Paul Newman juvenil. Tem um olhar expressivo e consegue transmitir o conflito entre uma atitude brutal, como humilhar a empregada, e ao mesmo tempo deixar transparecer uma sombra de culpa no olhar, como se aquela atitude o ferisse, mais que o alvo de suas críticas. Outra coisa que admirei no ator foi o sacrifício que ele faz pela caracterização da personagem. Não consigo imaginar Pattinson ou Radcliff atuando durante 90% do filme com a cabeça raspada e o rosto bonito coberto por cicatrizes e tatuagens horrendas. Porém, muitas vezes durante o filme, Alex Pettyfer me deixou com vontade de pegar o Hunter (Kyle, transformado em monstro) no colo e enche-lo de beijinhos, apesar da asquerosa caracterização como neonazista da periferia.

No Brasil, o filme ainda não entrou em cartaz, mas quando entrar, se você é do tipo que gosta de histórias de amor com final feliz, de preferência aqueles que passam mensagens morais, assista.
Afinal de contas, os contos de fada serviam basicamente para isso. Nota 8.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Bed & Breakfast (Amor por Acaso)


Título: Bed & Breakfast (Amor por Acaso); Ano:2010; Gênero: Comédia Romântica; Diretor: Márcio Garcia; Roteirista: Leland  Douglas; Elenco: Juliana Paes ('Casa da Mãe Joana'), Jerry O'Connell ('Pânico 2'), Dean Cain ('Lois & Clark: The New Adventures of Superman'), Eric Roberts ('Os Mercenários'), Danny Gloover (2012, Os excêntricos Tenenbaums) e Rodrigo Lombardi, entre outros.

Ontem eu assisti o filme “Amor por Acaso” (Bed & Breakfast), estréia do Márcio Garcia como diretor de cinema. O filme foi rodado em 2010 tem um roteiro assinado por Leland Douglas, cuja experiência anterior como roteirista se resumia a textos escritos para filmes de TV. Atores de TV, roteiristas de TV, um filme de estreantes, podemos dizer. É ruim? Não. É uma experiência.

Aparentemente Juliana Paes gravou o filme quando estava no início de sua gravidez, porque está com um corpão de dar inveja. Já Dean Cain, o superman da série, Louis & Clark, está muito à vontade no papel de Jake, um loser bonitão que foi abandonado pela ex-mulher e tenta refazer a vida administrando uma pousada em sua cidade natal. Porém são aparentemente frustrados, quando a verdadeira herdeira (Juliana Paes) surge inexperadamente, vinda do Brasil, para tomar posse da propriedade que ele julga ser sua. Daí começa o conflito entre os dois.

Roteiro simples? Sim, mas como eu já disse por aqui no passado, não dá para julgar as comédias românticas com muito rigor, porque é um tipo de filme que usa e abusa de clichês. E reclamar do uso e abuso de clichês em comédia romântica é uma atitude clichê, portanto não vou fazer isso. Comentaram comigo que o roteiro de Leland Douglas parece ter se inspirado no livro “Um Bom Ano” (2005), de Peter Mayle. Não sei, não posso afirmar ou comparar nada nesse sentido, porque não li o livro e nem vi a adaptação para o cinema, estrelado por Russell Crowe em 2006. Deixo quieto.

O ator Dean Cain é um homem bonito e interpreta seu papel com certa desenvoltura, mas não me convenceu como par romântico de Juliana Paes. Sei lá, eles pareciam mais irmãos brincando entre si, do que um casal que sente atração um pelo outro. No que me diz respeito, acho que faltou um pouco “tensão sexual” entre os dois, apesar da interpretação de ambos estar “redondinha”. Juliana, sempre linda e simpática, fala um inglês fluente, com um sotaque bem charmoso. Já o casal japonês em lua-de-mel é forçado demais, totalmente sem graça.

No final do filme, Márcio Garcia banca o Hitchcock e faz uma aparição surpresa, porém o merchandising de xampu poderia ser menos explícito. Nos créditos finais, as personagens interpretadas pelos atores brasileiros voltam para comentar a nova vida do casal e eu também achei essa parte desnecessária. No mais o filme vale por ser uma experiência e pela aulinha básica de semântica sobre a palavra inglesa “serendipity”. Nota 5.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Thor

Thor - Ano: 2011; Direção: Kenneth Branagh; Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston , Stellan Skarsgard, Colm Feore, Ray Stevenson, Anthony Hopkins, Rene Russo, Kate Dennings e Adriana Barraza.

Eu confesso, assisti Thor só por conta do interesse despertado pelo Chris Hemsworth, ator australiano de soaps operas (Home and Away) e conhecido do público por interpretar George Kirk no filme Star Trek (2009).

Filmes sobre super-heróis estão na moda, mas geralmente não fazem a minha cabeça. Thor, infelizmente, não fugiu a regra. Kenneth Branagh se revelou um diretor de filmes de ação eficiente, há cenas de luta bem montadas e também um certo elemento de humor, particularmente no início da trama. Já história principal tem todo um viés teatral, digno de Shakespeare, ao mostrar nosso herói como vítima das tramas palacianas de seu irmão adotivo, Loki, o deus do fogo e também da trapaça. No mais, podemos resumir tudo basicamente como: "Príncipe mimado e inconseqüente de outro mundo, herdeiro de um trono, é desacreditado diante do seu pai por conta da traição de seu irmão invejoso e é banido para um outro planeta, onde conhecendo o verdadeiro amor, aprende o significado da palavra heroísmo."
Basicamente a história é simples e a trama novelesca, algo que não deve ter sido um desafio para o ator Chris Hemsworth, uma vez que ele é era em seu país um ator basicamente de novelas, popularmente conhecidas como soap operas. Não se pode esperar grandes interpretações, afinal de contas é um filme de super-herói, onde se prioriza a ação e os efeitos especiais em detrimento do talento interpretativo dos atores.

Porém não podemos negar que o filme é uma boa adaptação, o que não se pode dizer de todos os filmes de super-héroi trazidos para a grande tela. A forma encontrada pelos roteiristas para transportar toda a mitologia nórdica sobre o herói da Marvel Comics para as telas do cinema sem entrar em conflito com o entendimento do espectador que não é fã de quadrinhos é digna da nota.  Em Thor, tiveram a brilhante idéia de mostrar Asgard não como um plano divino, além do tempo e do espaço, mas como um planeta alienígena, uma espécie de Krypton Nórdico, onde alta tecnologia extraterrestre e hábitos remanescentes de uma corte medieval viking  do século X convivem em plena harmonia. Ficou bonito. E plausível, se você não levar em consideração que alienígenas não poderiam ser tão parecidos fisicamente conosco, como são os habitantes de Asgard. Porém de outra forma, seria mais difícil para o grande público entender quem são Odim, Freya e Thor, se eles fossem mostrados no cinema como são mostrados nos gibis, ou seja, como deuses nórdicos.

Anthony Hopkins está muito confortável no papel de Odin; o ator britânico, Tom Hiddleston, interpreta um convincente Loki atormentado pelo ciúme  fraterno e  Chris Hemsworth convence como herói – ou super-herói – viking, Thor.
Logico que não dá para julgar seus talentos interpretativos somente por esse trabalho, mas ele me pareceu ser um bom ator. Não é um homem bonito, mas tem um rosto expressivo e agradável, o que para um ator é bem melhor que ter somente rosto bonito (como alguns que conhecemos por aí). O papel de Thor, aliás, parece ter sido talhado para ele. Pesquisando na internet notei que Chris Hemsworth passou por toda uma transformação cosmética para interpretar Thor. Isso, aliada à sua estrutura óssea massiva, se adaptou perfeitamente à imagem que os fãs tem do super-herói.  Tiraram também o ridículo capacete com asisnhas que o super-herói usa nos quadrinhos. Um ponto positivo para quem transportou a personagem dos quadrinhos para o cinema.

Aliás, no que diz respeito a aparência, só uma coisa me incomodou no visual do super-herói: Acho que o ator depilou o peito e as axilas para a única cena onde Thor aparece sem camisa, porque eu posso dizer que nunca vi um torso tão liso e macio que não tenha sido depilado com cera quente. Obviamente Hemsworth não parece ser do tipo peludo, mas na cena em questão, parecia um bebezão gigante e ficou meio ridículo. Li numa entrevista que o próprio Chris admitiu ter malhado bastante para não ficar “murcho” dentro da armadura de Thor. Nesse ponto, no que diz respeito a caracterização das personagens e do ambiente mitológico, o filme ficou quase perfeito. Nota 7.

domingo, 5 de junho de 2011

Curiosidades sobre a vida dos astros e estrelas - I.

Lendo um desses livros “bagaceiros” que contam as venturas e desventuras da vida sexual dos astros, achei interessante como as atrizes Loretta Young  e Lupe Velez enfrentaram o possível escândalo de uma gravidez fora do casamento.

Loretta Young (1912-2000)
Durante a filmagem de “The Call of the Wild”( O Grito das Selvas, 1935), Loretta viveu uma tórrida história de amor com Clark Gable (1901-1960). Até aí morreu Neves, porque atores e atrizes viviam se envolvendo sexual e sentimentalmente durante as filmagens, porém o envolvimento dos dois não foi nada discreto e diariamente saiam notas nos jornais de fofoca garantindo que Gable estava louco de amor e desejo por Loretta e pediria o divórcio para se casar com ela assim que as filmagens chegassem ao fim. Se as notas eram plantadas por agentes pagos pela própria atriz, ninguém sabe, porém as filmagens acabaram, o romance chegou ao fim e casamento que é bom, nem sinal deu. Abafa o caso. De repente, a Fox anuncia que Loretta tiraria uns meses de descanso por questões de saúde e, anos depois, em 1937, Loretta divulgou ao grande público a adoção de uma menina de dois anos chamada Judy, uma bela garotinha que ao se tornar mais velha, revelaria uma inegável semelhança física com a mãe adotiva. Nem Gable, nem Loretta admitiram em momento algum que Judy era sua filha natural, porém como naquela época não existia, ou não era tão popularizado o exame de DNA, a história ficou apenas na especulação. Gable e a atriz levaram a verdade para o túmulo.

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Lupe Velez (1908-1944)
Quanto a Lupe Velez ou María Guadalupe Vélez de Villalobos, a história foi completamente diferente. Essa atriz mexicana de notável beleza fez sucesso em Hollywood em meados de 1924 e foi casada com nomes como Johnny Weissmüller (1933) e Arturo de Córdova(1938). O primeiro ficou conhecido do público por interpretar Tarzan na grande tela, o segundo foi um ator relativamente desconhecido.
O interessante da vida de Lupe é que ela parecia ser do tipo que adorava um dramalhão. De preferência mexicano, afinal de contas ela era mexicana nata. Porém, não era nada burra: Quando o interesse da novidade começou a arrefecer nos EUA e e a atriz entrou em decadência, a saída para fugir das dívidas foi viajar para o México e filmar por lá. O resultado foi o filme “Naná” (1944), o qual conseguiu trazer Lupe de volta às luzes da ribalta. O problema é que Lupe tinha ou desenvolveu com a idade um “dedo podre” para homem. Acabou envolvendo-se com um cafajeste bonitão e bom de cama chamado Harald Ramond que abusava dela e ela adorava . Quando a atriz ficou grávida, ele, como todo rato de sarjeta, nem ligou e a deixou sozinha com o problema. Católica, mas nem um pouco coerente, Lupe negou-se a fazer um aborto, mas planejou detalhadamente seu suicídio: Um belo dia vestiu-se sofisticadamente e convidou duas amigas para um suntuoso jantar mexicano, regado a muita tequila e molho picante. No fim da noite, depois de comer e beber feito uma bacante, Lupe voltou para o quarto iluminado por luz de velas e decorado com belíssimas flores exóticas, onde engoliu uma bela quantidade de pílulas para dormir. Seria chique, seria uma saída digna de uma estrela, porém seus planos não saíram com esperados – ela teve fortíssimas ânsias de vômito por conta da bebida e do tempero picante – e a pobre Lupe encontrou seu fim com a cabeça enfiada no vaso sanitário. Havia se afogado no próprio vômito. (*)
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(*) Há ceticismo em relação à essa versão.  Sua secretária e amiga, Beulah Kinder, afirma que encontrou a atriz morta e deitada pacificamente na cama, como se estivesse descansando. Outro questionamento é sobre Vélez ter se suicidado por vergonha de carregar um filho ilegítimo. Isso não é improvável, mas deve-se levar em conta que durante toda sua vida, ela  ficou conhecida por desafiar as convenções morais de sua época, sendo pouco provável que ela não soubesse lidar com uma gravidez indesejada. O mais provável é que ela sofria de transtorno bipolar, doença que se não for tratada pode levar a pessoa a práticas de suicídio. O que pode ter sido o caso, vai saber.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Minhas Tardes com Marguerite

Titulo Original: La Tetê en Friche(2010); País: França;  Direção: Jean Becker. Elenco: Gérard Depardieu, Gisèle Casadeus, Maurane, Patrick Bouchitey, Jean François Stévenin, Claire Maurier, Sophie Guillemin.

Olha, se o título fosse “Minhas Tardes com marguerita (e uma tequilinha para rebater)”, poderia ser uma biografia recente de minha vida, mas obviamente trata-se do novo filme de Jean Becker, baseado numa adaptação do romance de Marie-Sabine Roger, chamado, La Tête En Friche.
Já aviso, não li o livro, mas me baseando pelo filme,acho que deve ser excelente, fiquei muito curiosa sobre as obras dessa autora francesa, nascida em 1957, em Bordeaux, França.

Eu geralmente gosto de filmes franceses, tanto quanto aprecio a língua, a cultura e as artes. Acho que existe um refinamento nas coisas que os franceses fazem que é só deles, algo inerente à alma daquele povo, algo que, sei lá, eu não consigo explicar. Nesse singelo filme de Jean Becker eu encontro tudo o que curto em um bom filme: diálogos interessentes, bela fotografia e um enredo que, apesar de aparentemente apostar num clichê, consegue fugir magistralmente da maioria. Marcelo Hessel viu o diabo em forma humana no filme, mas hoje em dia é possível ver pregação ideológica em quase tudo, até mesmo em propaganda de fraldas para bebês. Confesso que há tempos estou extremamente cansada com essa militância chata, quase neurótica, que só faz acumular rancor ao redor e em tudo o que toca e, se o filme na verdade é o eterno "Lobo Mau" travestido de vovózinha, e o público, representado por Gerard Depardieu, é uma espécie de Chapeuzinho Vermelho com muitos quilos a mais, desculpe, eu não percebi. Quer dizer, essa teoria pode até ter sentido, mas também pode não ter, porém de uma coisa eu sei, Marcelo: respeito precisa ser conquistado e, se por um lado precisamos de respeito, por outro precisamos, e muito, de piedade. Todos nós. Não acho que em momento algum o filme fale sobre respeito ou piedade, ele fala sobre amizade e reavaliação de conceitos, entre outras coisas o conceito de amizade. Quem são nossos verdadeiros amigos, aqueles que bebem conosco, batem em nossas costas, elogiam pela frente e nos consideram intimamente uns tolos, ou aqueles que se aproximam por empatia e compartilham conosco sua riqueza interior? Respeito? Piedade? Oi?! Não acho que o filme fale sobre isso.

A história em si, fala basicamente do relacionamento entre um homem mais jovem e uma mulher idosa; não um relacionamento sexual, claro, mas um relacionamento de amizade, carinho e cumplicidade. Vivendo em um mundo onde cada vez mais os jovens acham que os velhos são tolos, chatos, ultrapassados e reacionários, Minhas Tardes com Marguerite, nos fala como a aproximação com alguém mais experiente e sábio pode ser enriquecedora e, também, libertadora. Fugindo do clichê dos velhinhos carentes em busca de companhia, respeito pela terceira idade, etc. o filme nos mostra a aproximação e o estabelecimento da amizade entre as duas personagens exatamente como acontece na vida real, isto é, como uma troca. A idade ali não importa, Margueritte poderia ter qualquer idade, até mesmo ser mais jovem que Germain, o que importa é aquilo que ela tem para oferecer, assim como aquilo que Germain tem para oferecer de volta. E essa troca se dá pelo amor de ambos pela literatura (apesar de Germain ser um quase semi-analfabeto). No primeiro encontro entre os dois, Margueritte recita em voz alta versos de um livro que havia lido, chamando a atenção de Germain e dando a ele a oportunidade de estabelecer contado e descobrir através dela a magia dos livros, objetos que nunca fizeram parte de sua rude vida. Longe de ser aquela velhinha carente que se aproxima de estranhos buscando companhia, Marguerite se mostra uma mulher corajosa, doce e reflexiva e essa amizade leva Germain a rever muitas coisas na sua vida principalmente o relacionamento com sua mãe e as pessoas que o cercam.

Gerard Depardieu (Germain), depois de fazer alguns filmes podreiras nos EUA, está de volta à uma bem-vinda boa forma, não a física, claro, e a atriz, Gisèle Casadeus, interpreta de forma magistral e sem forçar, uma simpática Margueritte. Minhas Tardes com Margueritte é daquele tipo de filme que, ao terminar, deixa um gostinho de “quero mais”. Nota 9.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ainda no clima da Páscoa...

Fiquei meio pasmada quando soube nesse fim de semana que o ator, Jeffrey Hunter (*1926; +1969),  que interpretou Jesus Cristo no clássico da Warner, "Rei dos Reis", teve que raspar o peito e axilas para refilmar a cena da crucificação.  Sério mesmo.
Imagine que o ator, com aproximadamente trinta e cinco anos e todo o "Physique du Rôle" para interpretar Jesus Cristo no cinema, precisou dessas correções para se adequar perfeitamente ao papel de "Messias", porque um Jesus com pêlos no peito evocava uma sensualidade masculina que ofendia a sensibilidade puritana da platéia da época.
E Jeffrey nem tinha tantos pêlos no peito assim, como podemos observar na última imagem abaixo:
Jeffrey também precisou alongar e afinar (com recursos de maquiagem) o nariz, que era um pouco curto e com abas meio largas para o perfil messiânico que conhecemos através de pinturas renascentistas.
Nada é perfeito. 

terça-feira, 12 de abril de 2011

Estréia da Semana: Rio

Rio (Rio) - EUA, 2011. Direção de Carlos Saldanha (Era do Gelo 2 e 3); Genero: animação; Elenco: Anne Hathaway, Jesse Eisenberg, Jamie Foxx, Rodrigo Santoro, Will.i.am, Leslie Mann, Tracy Morgan, Hal Holbrook.

Estreiou na última semana, batendo recordes de arrecadação e bilheteria nacional,  a animação Rio, filme celebrado por aqui como uma declaração de amor pela cidade, já que o diretor, Carlos Saldanha é, além de brasileiro, também Carioca. Não dá para assistir Rio e falar mal daquilo que se mostra ali, porque é um lado da cidade que realmente existe e é extremamente sedutor. Eu adoro o Rio de janeiro, amo de paixão, e posso dizer que sim, o Rio de Janeiro é uma das cidades mais lindas e apaixonantes do mundo.

O filme, aliás, é um sopro de ar fresco na auto-estima do carioca (e também dos brasileiros), porque ao contrário de referências anteriores como Simpsons e até mesmo o último filme do Stallone, Rio veio para as telas de cinema dar um “up”na moral da cidade que será Sede das Olímpiadas de 2016. Deve ser por isso que, dizem por aí, que a Rio Filmes investiu pesado na animação, uma vez que a expectativa da empresa pública municipal de investimento em audiovisual é atrair produções hollywoodianas para filmar na cidade e projetar positivamente a imagem do Rio de Janeiro para o resto do mundo. Oremos.



Penso que também foi positivo convidar um nativo para dirigir a produção, porque além do talento e do primor audiovisual que encontramos em animações anteriores como Era do Gelo 2 e 3, em quase todas as cenas externas dessa nova animação vemos o Rio de Janeiro com um olhar que só um nativo consegue ter: cenas deslumbrantes e primorosas, aliadas a um olhar de indulgência com as belezas e aspectos turísticos da Cidade Maravilhosa que não víamos por aqui desde que Walt Disney lançou “Você Já foi a Bahia?” em 1944. A cena do desfile de Escola de Samba, disponível em traillers no Youtube, é de tirar o fôlego, enquanto que a cena inicial parece um musical, digno desses de figurar em um épico da Disney.
Como não poderia deixar de ser em tempos politicamente corretos, o filme também tem uma mensagem ecológica, já que fala da necessidade de preservação das espécies e do combate ao tráfico de aves.

Sem dúvida não faltarão críticos reclamando que "Rio" não mostra a “realidade” da cidade, com suas favelas e violência urbana, mas – Oi? – não podem se esquecer que é uma animação destinada para crianças e exatamente por conta disso, a animação pega leve na hora de mostrar cenas como na Praia, no próprio desfile de Escola de Samba e também no Baile Funk. A animação Rio não mente, mas mostra apenas o lado luminoso da Cidade Maravilhosa, um Rio que todos sonhamos e, quem sabe, um dia poderemos ter.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sobre o possível "plágio" em Inception

Está é para os fãs de quadrinhos e quetais: “Come out, come out, wherever you are.” :)

Poucos sites dedicados ao Cinema falaram sobre isso, mas no meio dedicado aos quadrinhos, principalmente nos Estados Unidos, o assunto do momento são as diversas coincidências entre o roteiro de “Inception” (A Origem), direção de Christopher Nolan, e a história em quadrinhos “Uncle Scrooge and the Dream of a Life-time”, publicada em 2002, na Finlândia e posteriormente (2004) nos Estados Unidos.


A repercussão, lógico, ainda é pequena, mas se confirmado o plágio (algo que eu não acho que seja realmente possível), será um escândalo digno de equiparar, senão superar, o escabroso caso Milli Vanilli (quem lembra?) em meados de 1990. Afinal de contas trata-se de um filme que ganhou justamente o Oscar de "melhor roteiro"  em 2011 e, lembrando-se que teve "tons of" de gente famosa, gabaritada, etc., rasgando seda para Nolan, o escandâdo de um possível plágio não estará no gibi. Ou estará, sei lá. :)

Sobre as coincidências, tal qual o filme, a história em quadrinhos começa com os Irmãos Metralha usando um mecanismo capaz de entrar nos sonhos de Tio Patinhas e roubar seus segredos. Os Metralhas planejam a combinação do segredo do cofre do pato muquirana, mas ao entrar na mente do velho pato, ficam confusos não conseguindo distinguir entre a realidade e os sonhos. No filme “A Origem” totens ajudam os viajantes de sonhos a distinguir a diferença, na história em quadrinhos isso não fica claro. Apesar disso, outra coisa surpreendente nela é o fato do Tio Patinhas só ter sonhos considerados “ruins”, ou seja, o que para os Metralhas parecia um pesadelo, para o Tio Patinhas era uma espécie de Purgatório psicológico. Outro ponto em comum com Inception.

Descobrindo o plano dos Metralhas, Donald entra na mente do tio para salvá-lo – O Professor Pardal explica que existe o risco do velho pato acordar com os Metralhas dentro de sua mente, algo que poderia causar sua loucura ou morte. Na mente do Tio Patinhas, Donald descobre que a única maneira de frustrar o plano dos metralhas é direcionar seus sonhos. Outra descoberta de Donald é que ao serem “lançados brutalmente” para fora do sonho, os Metralhas acordam. No caso da revista em quadrinhos, os Metralhas devem cair no limbo formado pela dissolução do sonho antigo, enquanto que no filme “A Origem” o esquema é ligeiramente diferente, porém as semelhanças persistem.

Outra coincidência entre Inception e a revista em quadrinhos é o fato de Tio Patinhas nunca se lembrar do sonho anterior, exatamente como a personagem do ator Cillian Murph em “A Origem”. E, lógico, o romantismo não fica de fora. Tio Patinhas vive sonhando o mesmo sonho com a primeira namorada, Goldie. Um sonho que nunca acaba, porque ele sempre acorda antes dele terminar. Embora nos quadrinhos não fique claro se Goldie morreu ou está viva, tal qual Di Caprio, Tio Patinhas tem sonhos recorrentes com a mulher que amou, porque se sente angustiado por alguma coisa que ocorreu no passado e pela qual se culpa.
Enfim, se alguém quiser ler a história em quadrinhos e procurar mais semelhanças entre ela e Inception (ou contestá-las), ela está disponível aqui, em inglês.

A polêmica, por enquanto, existe mais a título de curiosidade, porque mesmo a Disney – detentora dos direitos sobre a história em quadrinhos – não considerou ou se pronunciou sobre o assunto. Quanto a Nolan, ele defende-se afirmando que a escrever “Inception” no final dos anos 90, bem antes da publicação da história em quadrinhos pela Disney.

terça-feira, 29 de março de 2011

A verdadeira beleza por trás de um rosto

Certa noite, saindo de uma festa na casa de uma amiga completamente alcoolizado, um belo, jovem e promissor ator sofreu um acidente de carro, quase morreu e ficou com o rosto desfigurado. Ele não sabia, mas momentos antes, sua melhor amiga, a moça da festa, ficou preocupada ao vê-lo entrar no carro completamente embriagado e resolveu seguí-lo até em casa. Foi ela que o encontrou após o acidente e tomou todas as providências para salvar sua vida, seu emprego e sua dignidade. Foi ela que impediu que fotos sensacionalistas do acidente fossem publicadas nos jornais.  Foi ela que abafou o escândalo ao afastar a imprensa e pagou todas as despesas médicas, além de uma pequena fortuna para que o rapaz tivesse o belo rosto reconstruído. Foi ela que também conseguiu garantir o emprego dele até sua recuperação e a retomada de sua vida profissional. Quanto ao rapaz, ele melhorou, recuperou o emprego e voltou a atuar, mas embora não tivesse ficado inválido e recuperado parte de sua beleza, ele se tornou um homem amargurado e solitário. Eles não se casaram, nem viveram uma "tórrida" história de amor, porém a jovem que o salvou, nunca o abandonou; cuidou dele até o dia de sua morte.

Parece enredo de filme de amor? Pois é, embora a pequena história acima pareça enredo fictício de um romance de banca de revista, ela realmente aconteceu: O jovem acidentado era Montgomery Clift e sua boa samaritana era Elizabeth Taylor. Imagino que boa parte dos meus (agora) poucos leitores já conheça essa história faz tempo, porque ela é contada e recontada em todas as biografias de Clift e em diversos livros sobre os Mitos de Hollywood. Para mim ela serve para ilustrar que a tão falada beleza de Elizabeth Taylor era algo mais profundo que aquilo que víamos em seu rosto e seu corpo. Elizabeth sempre foi uma mulher fiel aos seus amigos, dessas que a gente pode contar sempre, eu imagino.

Como eu já disse aqui, associar Elizabeth com aquela figura débil e encarquilhada de uma velhinha excêntrica e coberta de jóias que eventualmente aparecia no Oscar é um erro. Ela foi sim uma mulher notável e muito querida pelos que a conheciam, não só pelos seus filmes, mas também pelas suas ações fora da tela. De saúde frágil, sabia ser forte quando era necessário; aparentemente leviana ou fútil, mas capaz de mostrar grandeza e desprendimento que muita perua nem sonha em ter, nem que vivesse dez encarnações seguidas.
Senti particularmente sua morte, tanto quanto senti a de Paul Newman ou  Michael Jackson, o qual também desfrutou de sua amizade. Naquele momento, nunca me pareceu tanto que o "fim" de uma Era estava ali, próximo de mim, olhando minha face.
A galáxia dos grandes astros e estrelas da Hollywood clássica, aquela que nos ensinou a amar os filmes, está se apagando gradativamente, nos deixando sozinhos nas trevas da mediocridade. Um lugar frio e vazio, onde atores e atrizes histéricos conseguem fama mostrando a bunda ou expondo a vida pessoal em programas de TV, num processo que eu só posso classificar como charliesheenização da sétima arte.

Pensei muito se deveria escrever um texto póstumo sobre Elizabeth Taylor, porque não queria que o blog ficasse parecendo um necrológio. Porém, depois de ler essa notícia aqui, concluí que seria injusto não homenagear uma atriz que sempre admirei, tanto por seu talento, quanto por sua beleza; mais ainda por seu envolvimento em causas sociais e filantrópicas. Descanse em paz, bela Elizabeth, aquela dos olhos cor de violeta.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Black Swan - Cisne Negro

Título Original: Black Swan;
Ano de Lançamento: 2010;
Gênero:Drama; Diretor: Darren Aronofsky;
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis and Vincent Cassel


Escreveram tanto sobre Cisne Negro que eu cheguei até mesmo a ficar com preguiça de assistir a história. Dezenas de críticos dizendo que o filme falava sobre perfeccionismo, sobre superação, dualismo, inveja e todo o auê em torno da interpretação admirável de Natalie Portman e a cena de sexo oral com a atriz Mila Kunis. Tudo isso uma big piece of bullshit, essa é a grande verdade. Ao assistir a história, a conclusão óbvia é que Cisne Negro fala basicamente sobre loucura. A começar pela loucura da protagonista, porque olha, ali, naquele filme, sem tirar nem por, todo mundo tem um parafuso a menos.

Falar sobre loucura e genialidade não é uma coisa fácil. No mundo real, as duas coisas costumam ser confundidas e aqui no mundo virtual eu poderia dissertar por horas e horas, e escrever linhas e mais linhas sobre a mãe controladora, o diretor assediador, a rival invejosa e a ex-diva frustrada, mas vou apenas me concentrar em falar da principal personagem da história: Nina Sayers.

Resumindo tudo de forma simples e direta, podemos dizer que Nina Sayers é uma garota que tem "pobreme" e fim de papo. Porém, se fizermos isso, não tem filme e a grande sacada de Aronofsky foi criar um thriller psicológico baseado na história da busca do perfeccionismo por uma jovem bailarina: Nina Sayers.
Olhando superficialmente, aparentemente Nina é uma jovem perfeita: boa filha, aplicada naquilo que faz, dorme num quarto de princesa e também tem a aparência de uma princesa. Ou de um cisne branco. Ela é frágil, fala baixo, tem cabelos lisos e perfeitos, grandes e doces olhos castanhos, sorriso inocente e virginal,boquinha de boneca. É também superprotegida pela mãe que vê na filha a chance de se realizar profissionalmente e por conta disso torna-se uma verdadeira megera, às vezes. Ela também sabe que é supercobrada pelo diretor da peça, um homem que exige dela algo que talvez seja mais do que ela possa dar. Aparentemente Nina lida bem com essas cobranças e corresponde as expectativas depositadas nela, porém, debaixo dessa superfície plácida existe algo de muito errado. Algo que tanto o diretor, quanto a mãe de Nina perceberam, mas que eles não sabem que se trazido à superfície pode trazer conseqüências imprevisíveis. Cisne Negro é um filme que não fala apenas de acontecimentos que ocorrem na superfície. Ele busca aquilo que está nas profundezas, algo que a personagem principal nem sabe que existe dentro dela e que vai emergindo aos poucos, a medida que a história se desenvolve.

Já nas cenas iniciais, por exemplo, o filme deixa claro que Nina não aguenta a pressão que vive: os arranhões em seu ombro revelam que ela sofre da tendência de se automulilar. Na história da medicina psiquiátrica, pessoas que se automutilam são consideradas geralmente como seres perfeccionistas e gente que sofre de dificuldade para expor seus sentimentos ou conversar sobre eles. São pessoas que vivem indefinidamente sobre pressão, e é justamente essa pressão que Nina vivência: a expectativa de ser escolhida para interpretar o papel principal de uma das mais famosas peças do ballet universal: "O Lago dos Cisnes".

Outros indícios de que a moça não é muito certa da cabeça é o absoluto estado de tensão sexual que Nina vive. A medida em que o filme se desenvolve, percebemos que ela não tem namorado, amigos, nada. Vive para o Ballet e isso é tudo o que sabe fazer. O fato de Nina se automulitar e sofrer de alucinações nos dá indícios de que ela seja dona de uma personalidade "boderline", ou seja, ela é alguém que está exatamente no limite entre a loucura e a razão. Alguém genial, mas ao mesmo tempo frágil. Não sei o porquê, mas lembrei de Van Gogh ao assistir esse filme. Van Gogh também arrancou uma orelha, durante um de seus surtos e, tal como ele e Nina, a pessoa que se automutila, em geral não é alguém com tendências agressivas ou suicidas, mas em geral são pessoas que enfrentam grandes dificuldades para expor ou extravasar suas emoções. E nesse quesito Nina é uma panela de pressão prestes a explodir.

Então, a medida que o filme se desenrola e a tensão aumenta, Nina fica cada vez mais perdida, sem ter com quem se abrir ou em quem confiar, seus conflitos internos, aliados aos conflitos externos só fazem ela piorar ainda mais, até o momento em que ela "cruza" a linha, nas cenas finais.
O clímax, mais que esperado por mim e pelo restante dos espectadores, se dá ao som da maravilhosa música de Tchaikovsky, a qual fecha com chave de ouro esse Thriller psicológico de Darren Aronofsky. Sem dúvida merece um Oscar, se não de melhor filme, pelo menos o de melhor atriz. Nota 8,5.