sexta-feira, 24 de junho de 2011

Adam Levine contra o câncer

Adam Levine - Clique para ampliar

Só agora, quase cinco meses depois, eu fiquei sabendo que o vocalista do Maroon 5, Adam Levine, posou semi-nu para uma campanha da Revista Cosmopolitan inglesa que visa alertar os homens sobre o câncer de testículos e próstata. Nas fotos o rapaz aparece nu, com apenas as mãos de sua atual namorada, a modelo Anne Vyalitsyna, cobrindo as partes estratégicas. Detalhe, aqui no Brasil a Cosmopolitan chama-se Nova, uma das revistas que eu mais abomino na face da Terra, depois da Caras, por isso nem fiquei sabendo da história e menos ainda da campanha. Para mim, isso cheira mais a jogada de marketing do que propriamente campanha de prevenção, mas enfim, quem sou eu para julgar o que se passa na cabeça dos outros? Desde já podem contar com meu total e irrestrito apoio a essa campanha, ainda mais com um gatão desses, todo tatuado e nu em pêlo, para ilustrar a dita cuja. :)

De acordo com pesquisas de órgãos relacionados a OMS, estima-se que em 2008 ocorreu 12,4 milhões de novos casos de câncer de próstata no mundo e mais de 1,6 milhões de óbitos por causa dessa doença. Na América Latina, estima-se 1 milhão de novos casos e 589 óbitos nesse mesmo período causados pelo câncer. Entre os homens, o principal tipo de câncer detectado foi o de próstata, seguido pelo de pulmão. A probabilidade de ocorrência de câncer, lógico, aumenta a medida que a espectativa de vida de uma população também cresce, já que o fator idade é um dos agravantes.

Já o câncer de testículo é mais comum em homens jovens, homens entre vinte e quarenta anos. Eu mesma, tive um amigo que faleceu vítima desse mal e ele tinha apenas dezenove anos quando descobriu o problema. O principal sintoma do câncer testícular é o aparecimento de um nódulo duro, geralmente indolor, aproximadamente do tamanho de uma ervilha em um dos testículos. Por isso a prevenção é semelhante a do câncer de mama: tem que apalpar as bolinhas, ou seja, geralmente durante o banho, o homem deve efetuar uma apalpação no órgão, delicadamente é claro, e procurar notar se a superfície do testículo se apresenta lisa e sem irregularidades duras. Diante da constatação de qualquer massa que não tenha sido verificada anteriormente, procurar um urologista. Já o exame de próstata deve ser feito anualmente, principalmente após os quarenta anos, somente em consultório com um urologista de confiança.
É nesse momento que eu acho que nós, mulheres, devemos conversar com nossos namorados, maridos, companheiros e conscientizá-los da importância de se prevenir. Quem ama, cuida e, entre os homens, ainda é muito grande o preconceito contra o exame de próstata, o qual pode detectar um dos tipos de câncer que mais mata homens no mundo. Fale para seu companheiro que hoje em dia é possível detectar o risco de desenvolver esse tipo de câncer através de simples exames de sangue. O exame de toque, apesar de constrangedor e desconfortável é indolor e só ocorre se o médico achar que é necessário, portanto, é mais do que hora de deixar qualquer tipo de preconceito de lado e cuidar da saúde.

No mais, contra as DSTs a prevenção é usar preservativo sempre e procurar um médico assim que algum sintoma estranho for detectado. Lembre-se: Preconceito é coisa de gente burra e desinformada. Cuide de sua saúde sempre e faça exames clínicos de prevenção regularmente. A prevenção e detecção de uma doença, principalmente do câncer, em seu estágio inicial é indispensável para o sucesso de seu tratamento e, em muitos casos, faz grande diferença entre morrer e continuar vivendo.

Agora, com vocês, Mr Lavine cantando:

A Árvore da Vida (The Tree of Life)

Título: The Tree of Live (Árvore da Vida); Ano: 2011; Direção/Roteiro: Terrence Malick; Gênero: Drama; Elenco: Brad Pitt, Sean Penn, Fiona Shaw (Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1), Jessica Chastain (A Dívida), Hunter McCracken, entre outros.

O novo filme de Terrence Malick, Árvore da Vida, não é um filme desses que o grande público está acostumado a ver no cinema. Malick pertence aquela classe de cineastas que fazem filmes que desafiam o espectador a buscar um entendimento sobre aquilo que vê. E, às vezes, nem sempre você, enquanto espectador, consegue captar o que o autor da obra quer nos mostrar. Não em um primeiro momento. É necessário, às vezes, que você faça uma reflexão, pensando e repassando cenas do filme em sua mente e se perguntando: será que é isso mesmo?

Realmente, as obras de Malick, apesar de serem poucas são como pequenos tratados de filosofia, o que não surpreende, já que o cineasta estudou filosofia na Universidade de Harvard, uma das mais conceituadas do mundo, lugar onde ele se formou com as mais altas honras em 1965. Depois quando o cineasta tentou fazer um doutorado em Oxford, ele teve que abandonar seu doutorado devido a divergências com o seu coordenador. Imagino que ele deve ter ficado meio frustrado com isso, porém continuou sua vida e foi dar aulas de filosofia no Instituto de Tecnologia de Massachussetts, trabalhando paralelamente como jornalista. Quer dizer, ele é do tipo que sabe como provocar e como chegar ao seu público, para dizer o mínimo. E pelo jeito não abandonou suas convicções filosóficas, sejam elas quais forem.

Daí que não é surpresa que Árvore da Vida se apresente como um filme “pensante”, um filme que não trata propriamente da divindade ou da busca humana pelo sentido da vida, mas trata da angústia humana diante do vazio que sentimos quando confrontados com o aparente abandono e silêncio divino em face do nosso sofrimento. Podem dizer o que quiserem, mas o filme tem uma atmosfera altamente sacralizada e a trilha sonora do francês, Alexandre Desplat, aliada a fotografia com closes de imagens belíssimas, contribuem muitíssimo para isso.

Para falar a verdade, o filme já nos dá pista sobre o que trata logo no início, quando se apresenta para o espectador uma citação do Livro de Jó, um dos livros mais contestadores da Bíblia. Quem leu o livro de Jó sabe muito bem que, nele, o escritor nos coloca diante do drama de um homem que perde tudo e se põe a questionar o próprio Deus sobre qual o sentido do sofrimento e sobre como funciona a tão proclamada justiça divina. Também percebi uma forte influência do pensamento de Kierkegaard nesse filme, até mesmo de sua biografia, particularmente no que diz respeito a angústia do garoto em face de algo que foge ao seu entendimento e no conflito dele com o pai.

É nesse contexto que somos apresentados a uma pequena família, que tem Brad Pitt e Jessica Chastain como pais de três filhos, mas é sob a ótica do mais velho, Jack, que será vivido na fase adulta por Sean Penn, que o filme deve ser compreendido: O garoto é a chave. O filme se desenvolve dentro de um pequeno drama familiar – logo no começo do filme um dos filhos morre e a mãe se desespera e encontra grandes dificuldades para aceitar a perda, se revoltando, lógico contra Deus-, mas poderia ser outro drama qualquer. Não é um filme linear, você se sente como estivesse dentro da cabeça de outra pessoa, como se todas aquelas imagens fossem as memórias e pensamentos do filho mais velho (Sean Penn) em sua busca para o entendimento de como a tragédia da morte de seu irmão e do conflito com seu pai (Brad Pitt) afetou sua vida.
Várias vezes vemos (e ouvimos) na voz da mãe desesperada, ecos dos gritos de Jó, quando ela fala com Deus em tom de revolta e pergunta: Onde está você? E a resposta, sempre pela ótica do garoto, são imagens belíssimas da natureza, talvez uma forma de Malick fazer uma conexão entre o micro universo daquela família e o macro universo, representado pela natureza. Só não entendi se para Malick Deus e a Natureza sejam uma coisa só, pelo filme parece que essa é a idéia, embora talvez sua intenção seja mostrar Deus como uma força invisível agindo inexoravelmente na Natureza através do tempo. Pelo menos no que se refere ao entendimento da personagem principal, vivida por Sean Penn.

O filme foi premiado em Cannes, ganhou a Palma de Ouro do 64º festival, apesar disso soube que a platéia e parte dos críticos se desesperaram com o excesso de imagens da natureza usada por Malick e muita gente não reagiu positivamente quando o filme foi mostrado: Houve vaias depois da apresentação para o público . Realmente, um filme com poucos diálogos e muitas imagens pode causar descontentamento do grande público, acostumado com produções estilo Wood Allen, cheios de diálogos longos e cansativos, pretensamente inteligentes, ou aqueles filmes "cabeça" onde alguma personagem resolve em algum momento da história fazer um longo discurso filosófico tentando convencer o espectador sobre a profundidade daquilo que o diretor quer mostrar.
Árvore da Vida é filme para ser visto, para fazer o espectador pensar. Há narração em off, principalmente nos momentos onde se apresenta o drama familiar. No mais, quando as personagens falam, suas falas são meras ilustrações para os momentos vividos por eles, nada mais. O fato de Bad Pitt entrar mudo e sair quase calado não faz diferença ali, pois quem brilha mesmo é o garoto que faz o filho mais velho, vivido por um jovem ator chamado Hunter McCracken. É dele a maior parte das falas do filme. Nota: 8.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Lembranças (Remember me)

Título Original: Remember Me; Ano: 2010; Gênero: Drama/Romance; Direção: Allen Coulter; Roteiro: Will Fetters; Elenco: Robert Pattinson, Pierce Brosnan, Emilie de Ravin, Chris Cooper. (*) Atenção, contém spoillers

Só para não passar a imagem de alguém implicante, eu resolvi assistir nesse último final de semana esse filme estrelado pelo queridinho das adolescentes hematófagas, Robert Pattinson, o eterno Edward de Crepúsculo. Queria ver se o ator realmente dá conta de interpretar uma personagem mais normal, que dispensa o uso de pankake e suspiros teatrais para enfatizar o quanto está triste (chateado, aborrecido, irritado, etc.).

O que posso dizer sobre o filme? O roteiro é clichê (riquinho em crise existencial com a família e bleh), mas até aí, quase todo roteiro de Hollywood é basicamente sustentado pelo uso de clichês, isso não é definitivamente um problema. O problema com Remember Me é que Will Fetters não desenvolve suficientemente a trama e você fica ali, sentindo que sua cara de bunda não é somente resultado de uma cirurgia nos olhos que você fez no dia anterior.
Remember Me parece feito de flocos de isopor, as emoções do espectador ficam sempre na superfície, e você se pega incapaz de se aprofundar ou desenvolver cumplicidade ou empatia pelas personagens, por mais que a história mostre elas como vítimas ou sofredoras angustiadas. Algumas cenas são supérfluas, as cenas iniciais, por exemplo, nas quais o espectador testemunha o assassinato da mãe de Ally, poderiam perfeitamente ter sido editadas ou cortadas e o seu trauma apresentado ao espectador de outra forma, através de lembranças (oi? O título do filme) ou até mesmo pesadelos. Então creio que perdeu-se um tempo precioso com uma cena que poderia ter sido resumida, já que a mãe da moça só aparece ali para ser morta e fim de papo.

Tyler (Pattinson) também é refém de uma experiência traumática. Quando ainda era pré-adolescente, ele foi a primeira pessoa a encontrar o cadáver de seu irmão depressivo e suicida e culpa o pai, um workaholic de Wall Street, por conta disso. Nhé! O roteirista Will Fetters deveria levar uma dedada no fiofó por gastar mais tempo do filme tentando mostrar a relação tensa entre Tyler (Robert Pattinson) e seu pai (Pierce Brosnan) do que tentando contar uma história que consiga captar a cumplicidade e desenvolver a empatia do espectador. Sério, tem horas que dá vontade de gritar, “okay, a gente já percebeu que o pai tem dificuldades de expressar sentimentos e que o filho se ressente com isso, poxa!”, mas tudo bem, dá para suportar o roteirista batendo nessa tecla até quase o final e sem ceder a tentação de enfiar o dedo na tecla “fwd” para pular as partes chatas .
No meio do filme, Tyler e Ally já se encontraram, saíram juntos, se amaram, ela descobriu as mentirinhas dele, brigaram, se reconciliaram e, de repente, você percebe que o drama dela fica sempre em segundo plano. Aparentemente, tirando o medo que ela sente de andar de metrô, Ally é bem mais madura que Tyler e superou seu trauma melhor que ele. O filme também aborda a relação dele com a irmã caçula, uma garota superdotada que sofre de bullying na escola. Juro por Deus que se senti mais tocada pelo drama da menina sofrendo bullying das riquinhas escrotas, que pelo drama amoroso vivido por Tyler e Ally. O filme só começa a ficar interessante no último terço, quando tudo parece se resolver e você pensa, “nossa, agora todo mundo vai ser feliz e tal”, mas então Will Fetters resolve adicionar mais um elemento dramático e Tyler se ferra. Literalmente. Porém, dessa vez, o sacrifício de um é a redenção dos outros e, como por encanto, todos conseguem forças através dessa nova tragédia para superar seus traumas do passado e se tornarem pessoas mais fortes e felizes.

Juro que não consegui forças para chorar no final desse filme e que o final me surpreendeu de início. Só depois cheguei a conclusão de que foi apenas mais um elemento emocional para chocar o espectador. A princípio essa tática tem sucesso, mas depois ficamos pensando e chegamos a conclusão de que foi tudo um truque baixo e barato. Mas contar o final seria estragar essa “surpresa”, então eu deixo para o leitor o prazer (ou não) dessa descoberta. Nota 7.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Beastly (A Fera)

Beastly (A Fera), Ano (2010); Direção: Daniel Barnz; Roteiro: Daniel Barnz e Alex Flinn; Elenco: Alex Pettyfer, Vanessa Hudgens, Mary-Kate Olsen, Neil Patrick Harris, Lisa Gay Hamilton, Peter Krause, Dakota Johnson, Erik Knudsen e Gio Perez.

Beastly é uma adaptação do antigo conto de “A Bela e a Fera” para os dias atuais, estrelado pelo ator/modelo, Alex Pettyfer, no papel de Kyle Kingston/Hunter, e a musa de High School Musical, Vanessa Hudgens, no papel de Linda.
A história contada no filme é basicamente aquela que conhecemos do conto-de-fada francês publicado por Gabrielle Suzanne Barbot, Dama De Villeneuve, em 1740. Esse conto, por sua vez, parece nos remeter a uma mitologia ainda mais antiga, a história de Psiquê (se você não conhece, google it, porque né? Não sou obrigada), muito embora o conto francês só guarde semelhanças com a história mitológica nos seus capítulos iniciais, quando Bela é feita refém de um anfitrião invisível em um lugar luxuoso.

Como a história da Bela e da Fera é conhecida de quase todos, acho que não é spoiler contar basicamente um resumo do filme.
Nele, Kyle Kingston (Pettyfer) é um jovem rico e mimado que cultiva uma idéia completamente equivocada do que é ser uma pessoa de sucesso. Popular por conta de seu dinheiro, boa aparência e inteligência, ele se aproveita disso para humilhar os colegas e pessoas mais humildes. Porém, o rapaz se dá mal quando mexe com Kendra (Mary-Kate Olsen), sua adversária na eleição para representante do colégio. Para azar de Kyle, Kendra não é uma garota comum, mas uma feiticeira. Ela lança sobre o jovem mimado uma maldição e ele fica cheio de deformidades e cicatrizes, que se tornarão definitivas, caso ele não encontre no período de um ano, alguém que o ame verdadeiramente.
Depois de perder aquilo que julgava a chave para seu sucesso – a boa aparência – Kyle descobre que era intimamente desprezado e, até mesmo, odiado pelos amigos e ex-namorada. Sua única esperança reside no único sentimento realmente puro que sentiu na vida, quando ainda não estava amaldiçoado, pela colega de colégio, Linda Taylor (Vanessa Hudgens). O filme cumpre bem o seu papel de recontar um conto de fadas como uma história contemporânea. Isso se levarmos em conta a existência de bruxarias e mágicas, claro. Nesse ponto o roteiro não tenta adaptar nada.

Sobre os atores, os protagonistas se esforçam e fazem um belo trabalho, Mary-Kate Olsen aparece muito pouco para se fazer uma avaliação sobre ela; Vanessa Hudgens continua ainda muito água-com-açúcar para o meu gosto, sua atuação é no máximo “correta”, mas não empolga; notável mesmo é a atuação do jovem Alex Pettyfer. Comparando com atuações sem-graça e o rosto inexpressivo de ídolos juvenis como Robert Pattinson e Daniel Radcliff, por exemplo, o garoto é quase um Paul Newman juvenil. Tem um olhar expressivo e consegue transmitir o conflito entre uma atitude brutal, como humilhar a empregada, e ao mesmo tempo deixar transparecer uma sombra de culpa no olhar, como se aquela atitude o ferisse, mais que o alvo de suas críticas. Outra coisa que admirei no ator foi o sacrifício que ele faz pela caracterização da personagem. Não consigo imaginar Pattinson ou Radcliff atuando durante 90% do filme com a cabeça raspada e o rosto bonito coberto por cicatrizes e tatuagens horrendas. Porém, muitas vezes durante o filme, Alex Pettyfer me deixou com vontade de pegar o Hunter (Kyle, transformado em monstro) no colo e enche-lo de beijinhos, apesar da asquerosa caracterização como neonazista da periferia.

No Brasil, o filme ainda não entrou em cartaz, mas quando entrar, se você é do tipo que gosta de histórias de amor com final feliz, de preferência aqueles que passam mensagens morais, assista.
Afinal de contas, os contos de fada serviam basicamente para isso. Nota 8.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A fé não precisa de justificativa.

Vamos fazer um exercício mental. Imagine que, de repente, um grande sinal da existência divina fosse dado aos homens e Deus aparecesse diante de nós. Não diante de um, dois ou apenas um grupo específico, mas diante de toda humanidade. Como e de que forma ele apareceria não importa, imagine que ele se manifestasse em um local de grande movimentação e, durante um ano inteiro, todos tivessem acesso à divindade. Programas de TV, revistas, jornais e toda a mídia fariam matérias e entrevistas exclusivas com o Todo Poderoso e elas seriam traduzidas em todas as línguas. Imagine que durante esse fenômeno, cientistas famosos e renomados, céticos contumazes, ateus, crentes de todas as religiões, tivessem a oportunidade de conversar, tirar dúvidas e até mesmo confrontar a divindade. Imagine o impacto que isso teria em nossa sociedade: científico, filosófico, político, religioso... Imagine que diante de prova tão “material” da existência divina, todo o ceticismo se extinguisse, assim como todas as religiões e todos os questionamentos sobre como, onde, porque estamos aqui; imagine que essa experiência única desse lugar a somente uma única e onipresente fé, uma única religião, um único rito, um único povo, um mundo sem guerras, solidário, que essa experiência mudasse toda nossa sociedade de uma forma drástica, mas para melhor. Imagine que depois de um ano, Deus dissesse, “agora não me manifestarei tão fisicamente em seu universo, vocês já sabem porque estão aqui e o que quero de vocês, lembrem-se do que viveram nesses 365 dias e do que conversamos, passem essa experiência para seus filhos e netos, etc.”

Agora vamos fazer outro tipo de exercício. Vamos imaginar o que aconteceria com o mundo, depois que a divindade deixasse de ser uma presença “física” em nosso universo. Eu, por exemplo, tenho quase certeza que num primeiro momento, os homens, todos os homens perseverariam juntos, seguindo a nova revelação, mantendo a unidade, o mundo evoluiria, se tornaria mais coeso, talvez alguns ramos científicos entrassem em decadência, mas no geral, eu imagino que o mundo se tornaria melhor.
Porém, conhecendo a natureza humana como eu conheço, eu tenho quase certeza que a medida em que as gerações se sucedessem, começariam a aparecer dissidências, as dúvidas, os questionamentos. Surgiriam aqueles que, insatisfeitos como rumo e com a doutrina religiosa e científica estabelecida, logo começariam a questioná-las e, confrontados, não tardariam a se tornar dissidêntes, criando uma nova. E, quanto mais o tempo passasse, mais e mais dissidentes e pessoas duvidando dos fatos ocorridos no passado apareceriam e, mesmo diante de provas como vídeos e gravações, ainda assim passariam a duvidar se aquela experiência vivida por seus antepassados seria realmente algo que devesse ser levado à sério. No campo religioso, eu imagino que esse questionamento aconteceria ainda mais rápido. Sem dúvida não faltariam aqueles que atribuiriam à experiência a influências malignas, ou até mesmo, quem sabe, extraterrestres. Surgiriam teorias conspiratórias mil e, gradativamente, nesse mundo futuro hipotético, as coisas voltariam a ser como eram antes. Alguns homens acreditando, outros duvidando e, outros ainda, acreditando à sua maneira. Voltariam a brigar, a perseguir aqueles que refutam os dogmas estabelecidos, ou que simplesmente não querem seguí-los, etc.

Isso sem dúvida alguma aconteceria, porque o espírito humano é assim: Questionador, iconoclasta e rebelde. Portanto, eu, apesar de ser uma pessoa que acredita numa Entidade Superior, ou Deus, como muitos gostam de nomeá-lo, não vejo importância nenhuma em discussões onde se questiona a existência real desse ser. Só sei que para mim ele é real e é isso que importa. Ele é real, porque eu quero que seja assim e assim quero que seja. Ponto final. Eu SEI que ninguém pode provar que algo que está além do nosso universo existe, nem empiricamente, nem fisicamente, mas também, da mesma maneira, não pode provar que não existe.
E, mesmo se provasse a existência ou inexistência, isso não mudaria nada para muita gente, porque, como eu contei na história acima, esses argumentos, ou "provas" logo seriam questionadas, colocadas em dúvida, desacreditadas (até hoje existem pessoas que duvidam que o homem foi até a Lua e mostram “provas” de suas teorias).
O que muda nossa vida é a fé (ou falta dela). Simplesmente é a fé que faz diferença em nossas vidas.
E ter fé, não é como acreditam muitos ateus que eu conheço, sinônimo de certeza, mas de esperança. Se eu creio em Deus e creio nele sempre como uma influência positiva em minha vida (porque do contrário isso não faria sentido), eu creio porque quero crer; porque tenho esperança. Tem gente que não precisa de fé, para viver suas vidas, estão felizes e eu entendo e aceito isso. Porém, para aqueles que ainda acreditam que ter fé é ter certeza da existência divina, deixa eu falar que é exatamente o contrário. Não temos certeza de nada. Apenas acreditamos e temos esperança. Só isso. Não é algo sobrenatural, mas é exercício mental e, ao mesmo tempo espiritual: Ter fé é um exercício diário e, olha, eu sei o que estou falando. Tem que "malhar" para acreditar e malhar muito. Porque é muito mais fácil duvidar. Quando eu não acreditava, certamente eu levava uma vida menos complicada e, de certa forma, até mais feliz. Porém, um dia, eu decidi que faltava essa experiência na minha vida, a experiência de ter fé, de acreditar, mesmo quando algo, ou muita coisa, parece dizer exatamente o contrário.

Não creio em Deus, porque temo a morte. Medo da morte todo mundo tem e, nem por isso, todos saem por aí tornando-se exemplos pios e morais das religiões que dizem seguir, nem se convertem em exemplos morais, pelo contrário (embora existam casos de conversões verdadeiras). Por outro lado, o fato de você não crer em transcendência ou divindade, não faz de você melhor ou pior que eu, nem o contrário. Todo e qualquer argumento nesse sentido acaba se revelando falácia e isso é fato. Veja bem, eu creio, você não crê, ambos morreremos e, se você estiver certo, certamente você não desfrutará de seu triunfo; nem eu amargarei minha decepção. A morte física é o fim da existência física e em alguns casos, soa para alguns indivíduos como uma boa nova de libertação, não como uma sentença condenatória.
Só sei que para mim a vida é um jogo e crentes e ateus apostam em cartas opostas, blefam bastante durante a partida, mas o final do jogo, pelo menos nesse plano que vivemos, todos sabem, sejam crentes ou ateus: É a morte. Porém, existe a carta da fé, que só os crentes possuem. Ela é uma espécie de coringa e só vale se a partida continuar, depois desse primeiro jogo. Se o blefe dos crentes estiver certo, os ateus perdem definitivamente e amargarão o que estiver por vir. Se o blefe dos ateus ganhar o jogo, crentes e ateus perdem, porque aos ateus será retirada o prazer do seu triunfo. A morte física zera tudo e iguala todos, sábios e tolos, crentes e ateus, ignorantes e inteligentes, em um único rebanho de condenados. Game over.

A proposta do ateísmo me parece “pobre” demais. Eu não gosto de perder, eu jogo para ganhar e ganhar sempre. E estou aqui, troquei as cartas e agora blefo desavergonhadamente na esperança de existir algo mais, algo além desse mundo físico em que vivemos. Porque, me desculpe, mas não quero passar a eternidade, que é algo infinito, amargando a rejeição aquilo que eu deveria ter buscado e aceitado durante minha curta vida sobre a Terra, só isso. E depois, eu sou ambiciosa.
A perspectiva de existir, apenas por existir é pouco, é simplória, pobre demais. E eu detesto pobreza. Viver sessenta, oitenta, cem anos de vida farta e feliz é pouco, se isso satisfaz você, ouquei, eu respeito, mas eu quero mais, eu quero viver eternamente, eu quero transcender. Então, todos os dias, eu faço um exercício de fé, eu quero acreditar que transcendemos o plano físico, que há algo além e que esse algo que está além será bom, será melhor do que a maior felicidade que eu possa viver aqui.
Porém, ao contrário do que alguns amigos ateus podem imaginar, a fé não me trouxe certezas, me trouxe sim muitas dúvidas, mais até do que aquelas que eu tinha quando me julgava incrédula ou cética. Porém a fé me trouxe também a esperança, que se não for a própria fé travestida de sentimento, deve ser sua irmã ou sua mãe. E esperança, às vezes consola, outras vezes ilude, mas faz mais bem que mal.
Dizem que quando Joana D’Arc estava para ser amarrada a fogueira, sozinha, afastada dos amigos, humilhada físicamente de várias maneiras que não posso nem mencionar aqui nesse texto, tentaram convencê-la a abjurar de suas visões, renegando tudo o que acreditava e pelo qual havida lutado durante sua curta vida. Diziam para ela algo do tipo: “Sua tola, você está só, o que lhe restou?” e a heroína francesa, que futuramente seria santificada, respondeu com toda a dignidade que lhe restava: “Ainda resta a Esperança...”

É por isso que eu não debato crença religiosa, nem a falta delas. Acho toda e qualquer discussão nesse sentido improdutiva, com uso de técnicas argumentativas falaciosas que muitas vezes escapam ao entendimento de uma maiora e não levam ninguém a lugar algum. É como ter uma visão. Na realidade não importa a visão em si, mas como você reagirá a ela. Se um crente ouve “deus” falar com ele, acreditará ter recebido uma “revelação”; se for um ateu, acreditará sofrer de uma crise esquizofrênica. É isso. A questão não é provar, a questão é aceitar a prova e o que essa aceitação vai fazer em sua vida. Um ateu chega e diz, numa provocação primária: “onde está seu Deus agora? Prove que ele existe.” Pois eu afirmo, conheço gente que, mesmo se alguém dissesse, "ele está aqui, vou apresentá-lo" e assim o fizesse; o próximo questionamento seria: “Duvido que esse cara aí é Deus, cadê as credenciais dele?” Tudo muito sacal, desculpem, essa postura neo-ateísta de gente que não acredita em Deus, mas lê horóscopo e amuletos da sorte, não me parece sincera, mas ilusória.

Qualquer tipo de doutrinação é algo muito cansativo e improdutivo, porque tentar convencer alguém de algo, quanto a pessoa se recusa a aceitar, ou o contrário, tentar convencer alguém de que algo não existe, quando ela crer acreditar, não leva a lugar algum. Por isso, caros amigos, tudo o que posso dizer mais sobre esse assunto é: Senta aí, pegue suas cartas, um bom copo de bebida, acenda um cigarro e vamos jogar. Jogar no sentido de viver sua vida segundo sua fé, ou falta dela, porque, afinal de contas, todos sabemos como termina a primeira partida, mas nunca sabemos quanto tempo vai durar o jogo.
Vamos curtir e esperar se teremos revanche...Ou não.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Bed & Breakfast (Amor por Acaso)


Título: Bed & Breakfast (Amor por Acaso); Ano:2010; Gênero: Comédia Romântica; Diretor: Márcio Garcia; Roteirista: Leland  Douglas; Elenco: Juliana Paes ('Casa da Mãe Joana'), Jerry O'Connell ('Pânico 2'), Dean Cain ('Lois & Clark: The New Adventures of Superman'), Eric Roberts ('Os Mercenários'), Danny Gloover (2012, Os excêntricos Tenenbaums) e Rodrigo Lombardi, entre outros.

Ontem eu assisti o filme “Amor por Acaso” (Bed & Breakfast), estréia do Márcio Garcia como diretor de cinema. O filme foi rodado em 2010 tem um roteiro assinado por Leland Douglas, cuja experiência anterior como roteirista se resumia a textos escritos para filmes de TV. Atores de TV, roteiristas de TV, um filme de estreantes, podemos dizer. É ruim? Não. É uma experiência.

Aparentemente Juliana Paes gravou o filme quando estava no início de sua gravidez, porque está com um corpão de dar inveja. Já Dean Cain, o superman da série, Louis & Clark, está muito à vontade no papel de Jake, um loser bonitão que foi abandonado pela ex-mulher e tenta refazer a vida administrando uma pousada em sua cidade natal. Porém são aparentemente frustrados, quando a verdadeira herdeira (Juliana Paes) surge inexperadamente, vinda do Brasil, para tomar posse da propriedade que ele julga ser sua. Daí começa o conflito entre os dois.

Roteiro simples? Sim, mas como eu já disse por aqui no passado, não dá para julgar as comédias românticas com muito rigor, porque é um tipo de filme que usa e abusa de clichês. E reclamar do uso e abuso de clichês em comédia romântica é uma atitude clichê, portanto não vou fazer isso. Comentaram comigo que o roteiro de Leland Douglas parece ter se inspirado no livro “Um Bom Ano” (2005), de Peter Mayle. Não sei, não posso afirmar ou comparar nada nesse sentido, porque não li o livro e nem vi a adaptação para o cinema, estrelado por Russell Crowe em 2006. Deixo quieto.

O ator Dean Cain é um homem bonito e interpreta seu papel com certa desenvoltura, mas não me convenceu como par romântico de Juliana Paes. Sei lá, eles pareciam mais irmãos brincando entre si, do que um casal que sente atração um pelo outro. No que me diz respeito, acho que faltou um pouco “tensão sexual” entre os dois, apesar da interpretação de ambos estar “redondinha”. Juliana, sempre linda e simpática, fala um inglês fluente, com um sotaque bem charmoso. Já o casal japonês em lua-de-mel é forçado demais, totalmente sem graça.

No final do filme, Márcio Garcia banca o Hitchcock e faz uma aparição surpresa, porém o merchandising de xampu poderia ser menos explícito. Nos créditos finais, as personagens interpretadas pelos atores brasileiros voltam para comentar a nova vida do casal e eu também achei essa parte desnecessária. No mais o filme vale por ser uma experiência e pela aulinha básica de semântica sobre a palavra inglesa “serendipity”. Nota 5.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Thor

Thor - Ano: 2011; Direção: Kenneth Branagh; Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston , Stellan Skarsgard, Colm Feore, Ray Stevenson, Anthony Hopkins, Rene Russo, Kate Dennings e Adriana Barraza.

Eu confesso, assisti Thor só por conta do interesse despertado pelo Chris Hemsworth, ator australiano de soaps operas (Home and Away) e conhecido do público por interpretar George Kirk no filme Star Trek (2009).

Filmes sobre super-heróis estão na moda, mas geralmente não fazem a minha cabeça. Thor, infelizmente, não fugiu a regra. Kenneth Branagh se revelou um diretor de filmes de ação eficiente, há cenas de luta bem montadas e também um certo elemento de humor, particularmente no início da trama. Já história principal tem todo um viés teatral, digno de Shakespeare, ao mostrar nosso herói como vítima das tramas palacianas de seu irmão adotivo, Loki, o deus do fogo e também da trapaça. No mais, podemos resumir tudo basicamente como: "Príncipe mimado e inconseqüente de outro mundo, herdeiro de um trono, é desacreditado diante do seu pai por conta da traição de seu irmão invejoso e é banido para um outro planeta, onde conhecendo o verdadeiro amor, aprende o significado da palavra heroísmo."
Basicamente a história é simples e a trama novelesca, algo que não deve ter sido um desafio para o ator Chris Hemsworth, uma vez que ele é era em seu país um ator basicamente de novelas, popularmente conhecidas como soap operas. Não se pode esperar grandes interpretações, afinal de contas é um filme de super-herói, onde se prioriza a ação e os efeitos especiais em detrimento do talento interpretativo dos atores.

Porém não podemos negar que o filme é uma boa adaptação, o que não se pode dizer de todos os filmes de super-héroi trazidos para a grande tela. A forma encontrada pelos roteiristas para transportar toda a mitologia nórdica sobre o herói da Marvel Comics para as telas do cinema sem entrar em conflito com o entendimento do espectador que não é fã de quadrinhos é digna da nota.  Em Thor, tiveram a brilhante idéia de mostrar Asgard não como um plano divino, além do tempo e do espaço, mas como um planeta alienígena, uma espécie de Krypton Nórdico, onde alta tecnologia extraterrestre e hábitos remanescentes de uma corte medieval viking  do século X convivem em plena harmonia. Ficou bonito. E plausível, se você não levar em consideração que alienígenas não poderiam ser tão parecidos fisicamente conosco, como são os habitantes de Asgard. Porém de outra forma, seria mais difícil para o grande público entender quem são Odim, Freya e Thor, se eles fossem mostrados no cinema como são mostrados nos gibis, ou seja, como deuses nórdicos.

Anthony Hopkins está muito confortável no papel de Odin; o ator britânico, Tom Hiddleston, interpreta um convincente Loki atormentado pelo ciúme  fraterno e  Chris Hemsworth convence como herói – ou super-herói – viking, Thor.
Logico que não dá para julgar seus talentos interpretativos somente por esse trabalho, mas ele me pareceu ser um bom ator. Não é um homem bonito, mas tem um rosto expressivo e agradável, o que para um ator é bem melhor que ter somente rosto bonito (como alguns que conhecemos por aí). O papel de Thor, aliás, parece ter sido talhado para ele. Pesquisando na internet notei que Chris Hemsworth passou por toda uma transformação cosmética para interpretar Thor. Isso, aliada à sua estrutura óssea massiva, se adaptou perfeitamente à imagem que os fãs tem do super-herói.  Tiraram também o ridículo capacete com asisnhas que o super-herói usa nos quadrinhos. Um ponto positivo para quem transportou a personagem dos quadrinhos para o cinema.

Aliás, no que diz respeito a aparência, só uma coisa me incomodou no visual do super-herói: Acho que o ator depilou o peito e as axilas para a única cena onde Thor aparece sem camisa, porque eu posso dizer que nunca vi um torso tão liso e macio que não tenha sido depilado com cera quente. Obviamente Hemsworth não parece ser do tipo peludo, mas na cena em questão, parecia um bebezão gigante e ficou meio ridículo. Li numa entrevista que o próprio Chris admitiu ter malhado bastante para não ficar “murcho” dentro da armadura de Thor. Nesse ponto, no que diz respeito a caracterização das personagens e do ambiente mitológico, o filme ficou quase perfeito. Nota 7.

domingo, 5 de junho de 2011

Conto: Relacionamento Virtual

Certa vez, no Twitter, eu seguia certa pessoa, conhecida das antigas e mandei um reply discordando dela. A resposta veio na forma meio desaforada (e inesperada), algo que me surpreendeu um pouco, mas relevei. Porém confesso que na hora eu me senti como um cachorro que ao latir cordialmente para alguém conhecido leva um chute na boca. Saca? Pois é... Levei uma voadora de coturno no focinho. Caim, Caim...

Pensei que certamente tal pessoa estava num mal dia, sei lá, e, tal como o cão, eu não me importei, porque eu, tal como um cão (no caso, cadela), tolero muita cagada de quem eu gosto, sejam eles pessoas virtuais ou reais. Além do mais, sempre tive tal pessoa em alto conceito; achava ela tolerante, centrada, aberta ao diálogo, etc. Porém, pelo jeito, as coisas estavam mudando e mudando em relação a mim. Ouquei, até aí, cada galho no seu macaco (sic), não vou ficar aqui julgando ninguém, até porque, mesmo achando a nova postura da pessoa meio deslumbradinha e alienante, o direito de escolha inerente a todos deve ser sempre respeitado, quando muito, lamentado.

Um belo dia de sol, eu descubro que a tal pessoa fez outro perfil, secreto, e chamou só as amigue(sic) pra lá. Fechou a porta com cadeadinho e eu fiquei de fora, com cara de cu. Novamente aquela sensação desagradável, tal qual a do cachorro cujo dono muda de casa e o deixa para trás, abandonado. Ainda assim, não me ofendi, mas também desencanei e deixei de seguir o outro perfil, o que era público, porque, afinal de contas, se não fui convidada, não quero fazer parte de nenhum clubinho, cujo dono não me aceite como sócia. Um belo dia, descubro que a tal pessoa abriu o perfil, aquele do cadeado. Oh, que legal, fui até lá ler (porque eu não tenho muita vergonha na cara), mas mesmo assim eu não segui, porque... Né? Vergonha na cara aqui é pouca, mas mesmo assim nós trabalhamos.

Hoje eu tive a certeza que já deu. Fui lá, no perfil da pessoa stalkear, um stalkeamento do bem, lógico, e li uma conversa bem alienante e maniqueísta, dessas que dividem o mundo entre “nós” e “eles”, que eu simplesmente detesto. Nesse momento a imagem idealizada que eu tinha construído e que estava cheia de frestas e rachaduras, desmoronou completamente e eu finalmente percebi por trás dela o discurso vazio de alguém que nada tem a me acrescentar, pelo contrário. Naquele exato momento, tudo o que senti foi vergonha por mim e por ela, só isso. Tudo o que eu pensava era: “mas que merda eu estou fazendo aqui?” e “porquê ainda insisto em ler o que essa pessoa escreve?”.

Então, o quê posso dizer que aprendi com essa história? Que não era para ser? Realmente não era (e a pessoa percebeu isso bem antes de mim, para minha completa vergonha e mérito dela).
Deixei de existir para ela há muito tempo e não havia percebido. Hoje ela deixou de existir para mim... E ela vai continuar não percebendo.

Curiosidades sobre a vida dos astros e estrelas - I.

Lendo um desses livros “bagaceiros” que contam as venturas e desventuras da vida sexual dos astros, achei interessante como as atrizes Loretta Young  e Lupe Velez enfrentaram o possível escândalo de uma gravidez fora do casamento.

Loretta Young (1912-2000)
Durante a filmagem de “The Call of the Wild”( O Grito das Selvas, 1935), Loretta viveu uma tórrida história de amor com Clark Gable (1901-1960). Até aí morreu Neves, porque atores e atrizes viviam se envolvendo sexual e sentimentalmente durante as filmagens, porém o envolvimento dos dois não foi nada discreto e diariamente saiam notas nos jornais de fofoca garantindo que Gable estava louco de amor e desejo por Loretta e pediria o divórcio para se casar com ela assim que as filmagens chegassem ao fim. Se as notas eram plantadas por agentes pagos pela própria atriz, ninguém sabe, porém as filmagens acabaram, o romance chegou ao fim e casamento que é bom, nem sinal deu. Abafa o caso. De repente, a Fox anuncia que Loretta tiraria uns meses de descanso por questões de saúde e, anos depois, em 1937, Loretta divulgou ao grande público a adoção de uma menina de dois anos chamada Judy, uma bela garotinha que ao se tornar mais velha, revelaria uma inegável semelhança física com a mãe adotiva. Nem Gable, nem Loretta admitiram em momento algum que Judy era sua filha natural, porém como naquela época não existia, ou não era tão popularizado o exame de DNA, a história ficou apenas na especulação. Gable e a atriz levaram a verdade para o túmulo.

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Lupe Velez (1908-1944)
Quanto a Lupe Velez ou María Guadalupe Vélez de Villalobos, a história foi completamente diferente. Essa atriz mexicana de notável beleza fez sucesso em Hollywood em meados de 1924 e foi casada com nomes como Johnny Weissmüller (1933) e Arturo de Córdova(1938). O primeiro ficou conhecido do público por interpretar Tarzan na grande tela, o segundo foi um ator relativamente desconhecido.
O interessante da vida de Lupe é que ela parecia ser do tipo que adorava um dramalhão. De preferência mexicano, afinal de contas ela era mexicana nata. Porém, não era nada burra: Quando o interesse da novidade começou a arrefecer nos EUA e e a atriz entrou em decadência, a saída para fugir das dívidas foi viajar para o México e filmar por lá. O resultado foi o filme “Naná” (1944), o qual conseguiu trazer Lupe de volta às luzes da ribalta. O problema é que Lupe tinha ou desenvolveu com a idade um “dedo podre” para homem. Acabou envolvendo-se com um cafajeste bonitão e bom de cama chamado Harald Ramond que abusava dela e ela adorava . Quando a atriz ficou grávida, ele, como todo rato de sarjeta, nem ligou e a deixou sozinha com o problema. Católica, mas nem um pouco coerente, Lupe negou-se a fazer um aborto, mas planejou detalhadamente seu suicídio: Um belo dia vestiu-se sofisticadamente e convidou duas amigas para um suntuoso jantar mexicano, regado a muita tequila e molho picante. No fim da noite, depois de comer e beber feito uma bacante, Lupe voltou para o quarto iluminado por luz de velas e decorado com belíssimas flores exóticas, onde engoliu uma bela quantidade de pílulas para dormir. Seria chique, seria uma saída digna de uma estrela, porém seus planos não saíram com esperados – ela teve fortíssimas ânsias de vômito por conta da bebida e do tempero picante – e a pobre Lupe encontrou seu fim com a cabeça enfiada no vaso sanitário. Havia se afogado no próprio vômito. (*)
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(*) Há ceticismo em relação à essa versão.  Sua secretária e amiga, Beulah Kinder, afirma que encontrou a atriz morta e deitada pacificamente na cama, como se estivesse descansando. Outro questionamento é sobre Vélez ter se suicidado por vergonha de carregar um filho ilegítimo. Isso não é improvável, mas deve-se levar em conta que durante toda sua vida, ela  ficou conhecida por desafiar as convenções morais de sua época, sendo pouco provável que ela não soubesse lidar com uma gravidez indesejada. O mais provável é que ela sofria de transtorno bipolar, doença que se não for tratada pode levar a pessoa a práticas de suicídio. O que pode ter sido o caso, vai saber.

sábado, 4 de junho de 2011

Iconoclastias: Intimidade, cultura, sensualidade...Tudo no banheiro.

Gael Garcia Bernal pelado e sentado em uma latrina? Estou perto de entrar em combustão espontânea de tanto desejo e... Not. Pára tudo!

Alguém por favor me explica o quê de excitante existe nessas imagens que mostram celebridades simulando suas atividades fisiológicas mais básicas? Porque, né, eu posso até entender gente que se excita com cenas de filmes onde o cara tira a bingola das calças e dá aquela mijada básica. Entendo, mas também não acho graça, porém se excitar com um sujeito cagando? Poxa. Isso é muito kinky para minha cabeça.E o moço ainda está com uma revistinha na mão, reparem bem...

Olhando essa foto, eu fiquei aqui, divagando: Será que é uma Sexy? Uma Playboy? Ou será que é uma daquelas revistinhas que o povão no Brasil costuma chamar de catecismo? Meu Deus, aquele tipo que seu irmão, namorado, noivo ou até mesmo marido, costumava levar para o banheiro escondido para se masturbarem quando eram adolescentes. Será?! E se for, qual o objetivo dessa foto, qual o contexto dela? Jesus! Procurei no oráculo e não achei o contexto dessa foto, será que alguém sabe? Será que é cena de algum filme? Enfim, se descobrir me conte. Estou desesperada de curiosidade.

Agora, mudando um pouco de assunto, essa história de fazer leituras no banheiro já é tradição entre algumas pessoas. Eu sei que tem gente que tem toda uma tradição de leituras no banheiro, conheço pessoas que levam o notebook para o banheiro, outros o iphone.
Eu, por exemplo, já namorei um carinha que lia Proust no banheiro, imagina o drama. Você lá, esperando impacientemente sua vez de entrar para tomar o banho matinal, escovar os dentes, passar seus creminhos e o sujeito socado na latrina com o bendito livro no colo, lendo, enquanto ao mesmo tempo choca a “criança” que acabou de “parir”. E todo aquele “aroma” impregnando o ar ao redor... Nhé! :)

Lembro também de uma certa repórter de TV dizendo em uma entrevista que as pessoas quando fossem morar juntas deveriam só comer rosas e beber perfume, tudo para não quebrar o clima de romance pela manhã. Realmente, imagino que descobrir que a Cinderella, ou o Principe Charming, tem prisão de ventre e gases não deve ser muito romântico ou agradável, mas faz parte da vida, né? Comer, rezar, amar... E cagar. Tirando rezar, o resto é tudo processo natural. Ahaha.... Talvez até a fé seja um processo natural, né? Vai saber... Porém o momento activia é o único que incomoda um pouco nessa lista. O ser humano é cheio de não-me-toques.

Quanto a mim, desculpem, eu aceito muita coisa, mas mesmo sendo o Gael Garcia Bernal cagando e lendo no meu banheiro, não dá para não achar a atitude meio freak: cagar e ler ao mesmo tempo. E, olha, eu tenho tara antiga no Gael desde o tempo em que assisti “Y tu mamá también”; lembro que na época eu achei ele o maior pitelzinho e fiquei um bom tempo imaginando cenas eróticas entre nós dois; cenas no banheiro com ele não faltaram, mas só no chuveiro ou em uma banheira de espuma, ahah.
Só desanimei um pouco das minhas fantasias com Gael, depois que descobri que o homem era quase um anão de jardim. Sério, ele tem 1,68 cm de altura. Nada hoje contra baixinhos; alguns, eu sei disso, tem até seu charme, mas eu sou quase sete centímetros mais alta que o Gael. Para uma adolescente, naquela época, isso foi um banho de água fria em suas fantasias românticas. Não iria ornar.

Porque escrevi isso? Sei lá, falta de assunto, ou talvez porque eu goste de escrever sobre banalidades. Falar sobre coisas comuns e até mesmo meio escatológicas é uma forma de desmistificá-las. E depois eu gosto de ser um pouco iconoclasta mesmo, quebrar regras, superar paradigmas. Se acostume comigo, baby, é o meu jeitinho.