Lembro-me de um pastor alemão que meus avós tinham em casa quando eu era pequena. Ele não era muito bravo, mas como os vizinhos recém chegados possuíam um gato vira-latas, minha avó achou que seria prudente manter o cachorro preso durante a noite. O quintal era enorme, mas isso não impedia que o bendito gato sempre andasse, todo desafiador, por sobre o muro. No começo era apenas alguns metros, o cachorro latia e ele rapidamente corria e saltava para o lado de sua casa. Até aí, nada demais, gatos testam os limites de seu território, tentando sempre ampliá-lo. Só que com o passar do tempo o gato foi ficando mais confiante e o cachorro mais furioso. A coisa evoluiu até ao ponto em que o gato cruzava toda a extensão do muro e o cachorro não latia mais. Apenas observava o caminhar elegante, o rabo erguido desafiadoramente e depois, quando o gato saltava para dentro dos limites de seu próprio quintal, o cachorro voltava para o seu canto e deitava, silencioso.
Um dia, o gato achou que era o momento de aumentar o seu território. Começou a cruzar ostensivamente o quintal durante o dia e, quando percebia a proximidade do cão, corria, saltava para o muro, onde andava - indiferente aos fortes e indignados latidos – por toda sua extensão até pular para a segurança de sua casa. Depois disso, virou putaria. O gato perdeu o respeito e a noção do perigo começou a cruzar o quintal, cada vez mais longe do muro e cada vez mais perto do cachorro. Todos ficaram temerosos de que um dia o cão alcançasse e matasse o gato, mas o bichano era esperto e sempre se safava. Essa rotina foi se repetindo até ficar tediosa e todos se cansarem dela, exceto - claro - o gato e o cachorro. Assim, o gato continuava invadindo o quintal, o cão corria para atacá-lo e o gato saltava para o muro, o cão latia indignado e o gato andava por toda sua extensão até chegar em casa.
Um dia, plena madrugada, e meu avô mais uma vez escutou o rosnado furioso, seguido pelo tropel das patas do cão correndo pelo gramado. Era o gato. Mas dessa vez não houve latidos furiosos. Somente o silêncio reinou até o amanhecer. Meu avô voltou a dormir e pela manhã, quando minha avó acordou para fazer o café, encontrou o cão e o gato juntos, isto é, encontrou o cão e os pedaços que sobraram do gato. A cabeça do bichano jazia junto a porta, perto das patas do cão, a parte dianteira do corpo encontrava-se próxima a um vaso de folhagens e a traseira, juntamente com as víceras parcialmente mastigadas, estavam regurgitadas junto ao muro. O gato finalmente pagara o preço por chegar perto demais do cão e longe demais do muro.
Lembrei-me dessa história quando vi o documentário sobre a vida de Timothy Treadwell, um pseudo-ambientalista norte-americano que se mandou para o Parque Ecológico de Katmai, no Alaska, e passou 13 anos filmando e convivendo com os Ursos cinzentos. Convivendo mesmo, porque contrariando o que todo ecologista sério evita fazer, Timothy se aproximava demais dos animais, interferindo em suas vidas. Chegou tão próximo deles que um dia ele se deu mal. O documentário foi feito a partir das 100 horas de filmagens encontradas pelo piloto junto aos restos dos corpos de Treadwell e sua namorada do momento, Amie Huguenard. Todas as fitas foram usadas no documentário, excessão a última, justamente a que gravou os gritos agoniados de Timothy e Amie enquanto seus membros eram destroçados e devorados por um dos ursos que ele tanto amava.
A lição básica que um ecologista precisa saber - e que Timothy, pelo jeito não sabia - é que na Natureza, presas são presas e predadores são predadores. Por isso, ao observar animais selvagens, sempre é bom guardar certo respeito por eles. Animais podem ser lindos e parecerem fofinhos, mas eles não existem para serem acariciados e conviver com eles não é necessariamente se aproximar e abraçá-los como se fossem bichos de pelúcia. Timothy - e o gato - ficaram confiantes, porque baseados numa experiência anterior, julgaram que nada lhes aconteceria. Um dia a situação mudou e eles pagaram o preço por desafiar a sorte.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Mutatis Mutandis
No Youtube existe um documentário da History Channel que gosto muito chamada “Life After People”. Não sei se vocês conhecem ( já falei sobre ela no blog antigo), mas essa série mostra teoricamente o que aconteceria com nossos monumentos, casas, cidades, etc. caso o homem desaparecesse da face da Terra.
Quando assisti pela primeira vez, fiquei fascinada pelos vídeos que mostravam o desaparecimento total de qualquer rastro de nossa civilização sobre a face da Terra em poucos milênios ou em apenas uma Era geológica. Apenas na Lua, talvez, caso não acontecesse uma catástrofe astronômica, sobrariam as marcas da nossa civilização (as pegadas de Armstrong, a bandeira norte-americana e o modulo lunar que o levou até lá). Pensar sobre isso, sobre o quanto somos passageiros no Universo, é um exercício de humildade e, também, um chamado a reflexão: Somos venais, somos frágeis. Nosso desaparecimento, enquanto indivíduos, despertaria no máximo a falta e saudades de uns poucos e, depois, seríamos totalmente esquecidos. Relegados no máximo a uma tênue lembrança do passado.
Nada é eterno, exceto a mudança. O universo, a vida, tudo o que conhecemos e que provavelmente viermos a conhecer no futuro estão sempre em constante transformação e, conosco, as coisas não seriam diferentes. Apesar de querermos, desejarmos e ansiarmos ardentemente pelo contrário, as mudanças são inevitáveis. Existe forte dentro de nós o desejo da perpetuação dos bons momentos, dos amores ardentes, dos sentimentos mais queridos, mas esquecemos que se não somos eternos. E, se não somos eternos, porque nossos sentimentos seriam?
Infelizmente, alguém que você admira ou ama de paixão hoje, pode se tornar alguém que só desperta indiferença amanhã. Isso já aconteceu comigo tantas vezes e certamente acontecerá de novo. E com você também, mesmo que não queira.
Pensar sobre isso, às vezes é triste, outras vezes não. É também um pouco deprimente, porém é um exercício necessário para descobrir, ou se conformar já que a vida não é estática.
Tudo é mudança, tudo é transformação. Os momentos felizes vão se tornar no futuro boas lembranças ou, infelizmente, serão completamente esquecidos. Por outro lado, também existe também o lado bom das coisas serem assim, porque de certa maneira você aprende que o sofrimento também não é eterno, que ele também vai passar e ser substituído por outra coisa, talvez algo bom: Experiência, superação, sabedoria.
Um dia, no futuro, talvez você se pegue rindo muito de um acontecimento desagradável do presente. E isso dá forças para continuarmos vivendo, apesar de tudo. Viver é ter esperança, esperança de que a mudança que fatalmente virá será para melhor e, se não for, ela também, um dia, se tornará passado e será fatalmente esquecida.
Quando assisti pela primeira vez, fiquei fascinada pelos vídeos que mostravam o desaparecimento total de qualquer rastro de nossa civilização sobre a face da Terra em poucos milênios ou em apenas uma Era geológica. Apenas na Lua, talvez, caso não acontecesse uma catástrofe astronômica, sobrariam as marcas da nossa civilização (as pegadas de Armstrong, a bandeira norte-americana e o modulo lunar que o levou até lá). Pensar sobre isso, sobre o quanto somos passageiros no Universo, é um exercício de humildade e, também, um chamado a reflexão: Somos venais, somos frágeis. Nosso desaparecimento, enquanto indivíduos, despertaria no máximo a falta e saudades de uns poucos e, depois, seríamos totalmente esquecidos. Relegados no máximo a uma tênue lembrança do passado.
Nada é eterno, exceto a mudança. O universo, a vida, tudo o que conhecemos e que provavelmente viermos a conhecer no futuro estão sempre em constante transformação e, conosco, as coisas não seriam diferentes. Apesar de querermos, desejarmos e ansiarmos ardentemente pelo contrário, as mudanças são inevitáveis. Existe forte dentro de nós o desejo da perpetuação dos bons momentos, dos amores ardentes, dos sentimentos mais queridos, mas esquecemos que se não somos eternos. E, se não somos eternos, porque nossos sentimentos seriam?
Infelizmente, alguém que você admira ou ama de paixão hoje, pode se tornar alguém que só desperta indiferença amanhã. Isso já aconteceu comigo tantas vezes e certamente acontecerá de novo. E com você também, mesmo que não queira.
Pensar sobre isso, às vezes é triste, outras vezes não. É também um pouco deprimente, porém é um exercício necessário para descobrir, ou se conformar já que a vida não é estática.
Tudo é mudança, tudo é transformação. Os momentos felizes vão se tornar no futuro boas lembranças ou, infelizmente, serão completamente esquecidos. Por outro lado, também existe também o lado bom das coisas serem assim, porque de certa maneira você aprende que o sofrimento também não é eterno, que ele também vai passar e ser substituído por outra coisa, talvez algo bom: Experiência, superação, sabedoria.
Um dia, no futuro, talvez você se pegue rindo muito de um acontecimento desagradável do presente. E isso dá forças para continuarmos vivendo, apesar de tudo. Viver é ter esperança, esperança de que a mudança que fatalmente virá será para melhor e, se não for, ela também, um dia, se tornará passado e será fatalmente esquecida.
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Van Helsing, O Caçador de Monstros
Título Original: Van Helsing; Ano de Lançamento: 2004; Direção e Roteiro: Stephen Sommers; Gênero: Aventura/Ação; Elenco: Hugh Jackman (Gabriel Van Helsing), Kate Beckinsale (Anna Valerious), David Wenham (Carl), Richard Roxburgh (Conde Drácula), Will Kemp (Velkan Valerious), Shuler Hensley (Frankenstein), Elena Anaya (Aleera).
Dia desses passou o filme “Van Helsing, o Caçador de Monstros” na TV e, por curiosidade, resolvi ler críticas de cinema antigas sobre ele na internet. Fiquei basbaque. Depois de ler três ou quatro, a última delas nem perdi tempo de abrir, concluí que boa parte dos críticos de internet não parecem ter muita idéia do que escrevem, ou, se tem, não entendem muito bem o que significa a palavra “crítica”, porque, vamos combinar, a maioria crucificou Van Helsing por motivos absolutamente irrelevantes.
Direção: Critica-se a direção de Stephen Sommers, mas eu penso que dentro do que se propôs a fazer, ele atingiu seus objetivos. Não é um gênio, mas tem talento para filmes desse tipo, já que dirigiu filmes parecidos, como "A Múmia" e "O Retorno da Múmia" onde trabalhou com atores canastrões e atrizes sem muito destaque e mesmo assim produziu entretenimento e humor para o público alvo.
O valor da produção: Tive preguiça de pesquisar se o filme deu lucro ou não, mas lembro que na época que foi lançado, ele bombou, pelo menos nos EUA. Não deve ter sido nenhum recorde de bilheteria, mas, enfim, se Hollywood apostou que o charme e o carisma dos monstros mais queridos do mundo (Vampiro, Lobisomen e monstro de Frankstein) seriam suficientes para carregar um roteiro fraco nas costas, não posso contradizê-los. Eu, que sou fã do gênero terror, gostei de ver os três juntos, não posso negar.
Roteiro: É óbvio que o diretor Stephen Sommers (A Múmia) não teve pretensões de dirigir nenhum filme que levasse o espectador a ficar enlevado com o enredo, roteiro, profundidade psicológica das personagens e, menos ainda, a magnífica interpretação dos atores. Aliás, penso que ao sair de casa com seus filhos para assistir um filme intitulado “Fulando de Tal, o caçador de monstros”, provavelmente seu último objetivo é ver um filme digno de receber o Oscar de melhor roteiro ou de melhor filme. É como pegar o DVD do filme “O ataque dos Tomates Assassinos de Marte” e depois ficar xingando por aí que viu um monte de merda. Fala sério.
As armas do Van Helsing e outras incongruências históricas do filme: Outra vez, os críticos esqueceram que estamos falando de um filme feito especificamente para adolescentes e pré-adolescentes. Van Helsing, apesar de ser um filme de “monstros”, sequer dá medinho. Tanto essa afirmação é verdadeira que aqui em casa as crianças com mais de onze anos nem se assustaram com ele, pelo contrário, acharam tudo “da hora”, “muito legaus”, etc.
Como o filme se presta a fazer homenagens , o diretor faz referências a vários filmes e personagens famosos, provavelmente dos quais ele também é fã. Não somente os filmes de monstro da década de 30 – magistralmente homenageados na seqüencia em preto e branco no início da história -, mas também aos filmes de espião, como 007. Daí, lógico, as armas mirabolantes e ultra modernas usadas por Van Helsing para combater Drácula e outros monstros, algumas delas tão modernas que sequer seriam sonhadas no século XIX, época em que a história se passa. Uma bomba luminosa capaz de simular a luz do sol, por exemplo, não foi inventada até os dias de hoje, então, me poupem, porque nada do que diz respeito ao armamento de Van Helsing deveria ser levado a sério.
Teve um crítico que achou absurdo a seqüencia de perseguição onde uma carruagem cai do penhasco e explode como um carro cheio de gasolina... Oi? Será que ele se lembra de que a tal carruagem era uma armadilha para as noivas de Drácula e estava recheada de explosivos (nitroglicerina)? Pois é, tem gente que se propõe a criticar, mas nem presta atenção ao que está vendo...(Às vezes eu penso que esse pessoal sequer assiste aos filmes que critica).
Os atores: Hugh Jackman não é um dos melhores atores da atualidade. Ele é bonitão, másculo, tem aquele peito musculoso e peludo que... - Ui! -, mas definitivamente não é nenhum prodígio em interpretação. As semelhanças entre sua personagem nesse filme e o Wolverine de X-Men (quadrinhos) é mais que mera coincidência (ambos são másculos, brutos e não se lembram do passado, por exemplo) e é óbvio até para a mais imbecil das criaturas que Jackman foi escalado para viver Van Helsing apenas pelo sucesso de outro filme para jovens: “X-Men, o Filme”. Pessoal queria que eles escalassem quem? O Wood Allen? Ai, sim, seria cômico ver o ator/diretor caçando monstros pelas ruas de Nova Iorque.
Kate Backinsal (Anna Valerious), Richard Roxburgh (Drácula), Will Kemp (Lobisomem) e Shuler Hensley (Frankenstein), também não estão ali por conta de seus talentos interpretativos. Duh!
O figurino, a maquiagem e os cabelos impecáveis de Kate Backinsal: É óbvio que se o objetivo é cativar pela beleza (adolescentes deixam-se influenciar muito por ela), a mocinha e até mesmo as vilãs (exceto quando não se transformam em morcegos gigantes) estão sempre belíssimas e bem arrumadas, imagino que até perfumadas, mesmo nas sequências mais sujas e sanguinolentas do filme. Bicho, quer realidade vai assistir documentário jornalístico da BBC ou da National Geografic, que saco.
O fato do filme parecer um videogame gigante: sem comentários, se você leu até aqui e, óbvio, é leitor desse blog, eu imagino que você tenha mais de dois neurônios na cachola e eu não precise repetir de novo qual é o público alvo do filme e DO QUE esse público gosta.
A falta de feeling e o clima de romance light entre os protagonistas: Oi? De novo? Quem é o público alvo do filme mesmo? Você acha que papai e mamãe norte-americanos permitiriam que seus pimpolhos assistissem um filme onde os protagonistas transam ou mostram explicitamente partes da anatomia dos atores? Dê-se por feliz pelo decote da Kate Backinsal ou pelo peito nu de Jackman e Will Kemp, querido.
Enfim, a única crítica do filme que mais se aproximou da minha opinião pessoal foi a do Celso Sabadin: “Para curtir Van Helsing em toda a sua intensidade, um fator dos mais importantes - fora a pipoca - é não levar o filme a sério. Mesmo porque ele próprio não se leva."
É isso. Uma pena que os nossos críticos de cinema sejam tão mal-humorados e ignorantes. Quem se presta a fazer alguma coisa desse tipo deve ter, além de um mínimo de cultura e conhecimento sobre o que está escrevendo, capacidade de ver o lado humorístico das coisas. Ter que explicar filme para crítico de cinema é como explicar piada para quem não entendeu a malícia por trás dela: o cúmulo da vergonha alheia.
Update: pode ser o caso do crítico ter achado a piada por trás do filme extremamente sem graça, mas na maioria das vezes eu já percebi que nesses casos o problema está mais na pessoa do que na falta de humor da piada. Enfim. Gosto pessoal, cada um com o seu.
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
O TURISTA
Título Original: The Tourist; Ano de lançamento: 2010; Gênero: ? ; Elenco: Angelina Jolie, Johnny Depp, Paul Bettany. Direção: Florian Henckel von Donnersmarck.Putíssima de raiva. Fui ao cinema ver “O Turista”, com Johnny “esquisitinho” Depp e Angelina “Bocão” Jolie e quase morri de raiva. A porcariada que o público jovem faz comendo dentro da sala de exibição é coisa que desafia a imaginação até mesmo do escritor mais talentoso. Deveriam proibir o consumo de guloseimas dentro da sala de cinema, porque gente que não respeita regras mínimas de higiene tem mais é que comer em casa mesmo. De preferência usando seu cocho indivivual.
A cadeira em que me sentei, para vocês terem uma idéia, tinha um chiclete grudado na parte inferior do assento. E estava ainda “fresco”, quer dizer, o porquinho ou porquinha sentou-se ali e cometeu seu “crime” poucos minutos antes, durante a sessão anterior. Eita.
Quanto ao filme, o Rubens Ewald Filho disse em seu site que é uma refilmagem de um filme anterior, uma produção francesa de 2005, chamada “A Caçada” (Anthony Zimmer). Segundo ele o original não era lá essas coisas, mas eu imagino que não deve ser pior que o remake. A maioria dos remakes costumam ser bem inferiores que o original, se bem que há exceções.
Quando começa, o filme parece um thriller de mistério e ação, mas tem tantas reviravoltas que a certa altura você se pega pensando o que esta fazendo ali, assistindo aquela chatice. Sim, há uma lista de nomes respeitáveis que participam dele, como James Newton Howard, John Seale, Collen Atwood, Paul Bettanny (Código Da Vinci) e a direção de Florian Henckel Von Donnerssmarck (A vida dos Outros). A cereja do bolo, lógico, é o casal vip: Jhonny Depp e Angelina Jolie, mas sério, nenhum deles salva o filme.
Como disse uma amiga no Twitter: “Julgando pela quantidade de propaganda na TV, o filme só pode ser uma bomba, porque uma produção que conta com a presença de atores do calibre de Jolie e Depp, se venderia sozinho”. Parabéns, cara Talita, você tem um senso de observação aguçado de uma águia. Já eu, que sou uma topeira teimosa idiota, insisti em conferir de perto e quebrei a cara.
Salvo as locações que são belíssimas, a história toda se resume, como diz o título, em uma aventura na qual um turista norte-americano (Depp) embarca ao ser abordado por uma misteriosa e bela mulher (Angelina Jolie) durante uma viagem de trem. Depois disso começam a acontecer tantas coisas na história que você se perde e já não sabe mais o que está acontecendo, se é para rir, chorar ou para ficar ansiosa esperando o final. Eu rezei mentalmente um “Creio em Deus Pai” durante o filme.
Disseram num site especializado que a única coisa que Jolie faz nesse filme, além das caras e bocas (e bota boca nisso) de sempre, é desfilar usando figurinos maravilhosos como se não houvesse nada mais o que fazer. Bem, resumindo, é isso mesmo.
Mas pelo menos eu vi o Jhonny Depp de cara limpa, sem usar quilos de maquiagem que o deixam com aquela cara de esquisito (alow, Cap. Jack Sparrow, você já cansou). Lógico que o Depp já está meio coroa - Ele é de 1963, acredita? -, mas eu pegaria ele fácil, fácil. Pegaria o Paul Bettany também, aquele loiro com cara de rato albino safado (uia!). Pensando bem, se eu fosse lésbica pegaria até a Jolie, mas no caso dela me conformo em pegar (e usar) um ou dois dos vestidinhos básicos, com jóias e outros acessórios e tudo mais que ela usa no filme.
Nota 6.
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
O lado oculto da Lua
Alguns diriam que ela era boa atriz. Desculpem, eu discordo. Na realidade, como intérprete Marilyn era medíocre e a única coisa que se salvava era o seu visual de deusa. Não gostei de nenhum dos seus filmes, inclusive os famosos e incensados: “Quanto mais quente melhor” e “Os homens preferem as louras”. Marilyn era do tipo que não precisava falar, ela seduzia pelo visual, a imagem era sua arma. A combinação de suas curvas exuberantes aliadas ao jeitinho ao mesmo tempo ingênuo e sensual, conquistava seu público. Homens e mulheres se rendiam aos seus encantos.
Porém, apesar do seu visual “vamp” a Diva era uma criatura extremamente infeliz no amor. Marilyn casou-se várias vezes, mas aparentemente não conseguiu ser feliz.
Segundo dizem, Marilyn sentia uma certa inveja de Elizabeth Taylor, tida na época como uma das mulheres mais lindas e bem casadas do mundo (Richard Burton).
E enquanto Liz Taylor era uma espécie de Angelina Jolie dos tempos "áureos" de Hollywood, casada com um ator famoso e bonitão e expondo o sucesso de seu casamento para os olhos dos fãs, Marilyn provavelmente se afogava num poço de autopiedade.
Porém, ela nunca esteve sozinha. Marilyn teve muitos maridos. E amantes. O caso mais famoso foi com John Kennedy com o qual traia o marido, o draumaturgo Arthur Miller, antes de finalmente se divorciar dele. Elia Kazan dizia que era ninfomaníaca e, sendo isso verdade ou não, reza a lenda que o interesse sexual de Kennedy por ela era tão grande que durante uma recuperação de uma operação na coluna, teve a cara-de-pau de pedir ao irmão que pendurasse sobre a cama uma foto de Marilyn na qual ela se apresentava usando shorts e pernas abertas. Grande motivação para sarar mais rápido, eu imagino, mas isso ilustra bem como os homens da família Kennedy eram cretinos.
Há algo de muito sombrio e misterioso na morte de Marilyn onde a máfia, disputas políticas e até memo o FBI aparecem envolvidos. Ao pensar sobre isso, aquela cena memorável onde ela canta “Feliz Aniversário Sr. Presidente” adquire tons sombrios e sangrentos de uma despedida.
Nesse momento a decisão de Kennedy em abandoná-la já estava tomada e isso se deu através de pressão política e, segundo dizem os livros que cultivam "teorias da conspiraçao", é fato comprovado que um ex-funcionário graduado do FBI tinha grampos telefônicos registrando conversas entre os amantes e usou essa informação para chantagear Kennedy.
A versão oficial para a morte de Marilyn foi uma overdose de medicamentos, mas estranhamente os amigos que tentaram investigar os fatos receberam ameaças de morte anônimas através de telefonemas. Outros fatos estranhos envolvendo sua morte é que evidências importantes como os supostos frascos de medicamentos que ela tomou, desapareceram. O relatório da autópsia foi perdido. Toda a documentação do FBI sobre sua morte foi suprimida dos arquivos. No ano seguinte, morreu o amante, John Kennedy. Mas isso é outra história...
Talvez se ela não tivesse se rendido a tentação de usar a beleza física e o sex-appeal para catalizar a fama que tanto ambicionou na vida, ainda viveria muitos anos e, quem sabe, se tornaria uma boa atriz. Infelizmente Marilyn é mais um daqueles casos onde a atriz é completamente arrasada pela imagem de "vamp glamourosa" que o Cinema ama, mas adora destruir.
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Ollie
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