Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca
| Amy Winehouse (*1983 - +2011) |
A morte de Amy Winehouse, por exemplo, trouxe para a berlinda a discussão sobre o uso de drogas e o conceito de viver intensamente. Uso de drogas, liberação e descriminalização são assuntos chatos, que eu acho um pé no saco, mas o conceito de vida “intensa” me é simpático, então vou dar minha opinião – que não vale nem dois tostões – sobre o que penso a respeito e vou usar o que aconteceu com Miss Amy Winehouse para isso (com todo respeito devido à sua memória e ao luto da família).
Seguinte, eu e você estamos cientes, imagino, que boa parte de nossos conhecidos, de certa forma, já usaram ou estão prestes a usar algum tipo de droga na vida: legal ou ilegal. Cigarros, bebidas alcoólicas e remédios são considerados “drogas legais”, já as ilegais, todo mundo sabe mais ou menos quais são, então eu acho que não preciso falar sobre elas aqui. Já uma celebridade como Amy Winehouse usou, eu imagino, boa parte delas, mas pagou um preço alto por isso. Afinal de contas, morrer para mim é a pior coisa que pode acontecer a alguém. Se a vida de “drogadita” de Amy valeu a pena? Não sei, só a Amy poderia responder isso e ela já não está mais entre nós para dizer o que pensa sobre o assunto. Outros ídolos do Rock/Pop mundial também usaram drogas legais ou foram vítimas delas: Michael Jackson morreu por conta do uso de um anestésico potentíssimo; Marilyn Monroe morreu, porque tomou comprimidos para dormir, num suicídio que até hoje alimenta teorias da conspiração sobre sua morte; tantos outros famosos já morreram ou foram internados por conta de overdose no uso de algum tipo de droga legal ou ilegal, mas eu pergunto: E daí?
Quem somos nós para julgá-los, quem somos nós para endeusá-los ou justificá-los? Somos ninguém e, como liberal, eu acredito que nossos conceitos sobre o que é certo e errado podem, no máximo serem aplicados a nós mesmos e, quando muito, transmitidos aos nossos filhos.
Muita gente julgou Amy, muita gente condenou Amy, porém, pior que ficar “moralizando” em cima da morte dela é dar a essa morte uma importância maior que a merecida. Essa história de dizer que Amy viveu intensamente e por isso morreu aos vinte e sete anos é glamourizar o aspecto da vida dela que não deveria ser glamourizado. Não porque esse aspecto é "imoral" ou "errado", mas porque é irrelevante. Milhares (ou milhões, sei lá) de pessoas morrem por vários motivos em todas as fases da vida, outros vivem (ou sobrevivem) e é assim que o mundo funciona. Nossa percepção de certo e errado, vida intensa ou morte indigna são apenas conceitos, nada mais. E no meu conceito de “vida intensa” se apoia basicamente em uma coisa: o amor. Quem ama, vive intensamente e fim de papo.
Lógico que quem pode julgar se sua vida é intensa e satisfatória é somente você, então, não importa viver sete, quinze, vinte e sete ou cento e quarenta anos, o que importa é estar satisfeito, saciado, completo. Já eu norteio minha vida pelo amor e, para mim,o que importa é amar. Um amor como aquele que Florbela Espanca fala sobre, nesse poema que abre esse texto: Amar só por amar, amar a todos e ao mesmo tempo não amar ninguém (em especial), porque para mim, o sentindo da vida é esse, o amor. E no meu conceito de vida intensa, se Amy amou e soube se fazer amada, então sua vida, mesmo curta, valeu a pena. A fama meteórica, o talento, o uso de drogas, o álcool, a morte precoce aos vinte e sete anos foram apenas detalhes insignificantes (sob meu ponto de vista) de sua biografia, uma construção midiática para divulgar e vender um mito, mais um entre tantos.
Morrer aos vinte e sete não faz de ninguém um ser especial, um exemplo de vida “intensa” ou talento “destruidor”. Também não é a “chave de ouro” que encerra a história de alguém que soube escolher melhor que eu, você ou uma miríade de pessoas consideradas medíocres, seja porque nunca terão a oportunidade de ganhar o premio Grammy Awards 2011, ou seja porque estamos entre aqueles que consideram comer sem culpa um "pão quentinho com manteiga, acompanhado de café" uma das coisas mais deliciosas da vida (e é, acredite). Como eu já disse e volto a repetir, morrer jovem em consequência de uma overdose é apenas um detalhe biográfico, porque afinal de contas, se observarmos bem, encontraremos tantos outros mitos do Rock/Pop, muito mais famosos que Amy, que já beberam, fumaram e treparam mais que eu, você e Amy Winehouse juntas e estão por aí, sessentões, alguns deles ainda fazendo sucesso. "Morrer jovem em decorrência de uma vida intensa" é o escambau.