domingo, 23 de outubro de 2011

Notícias: Akira, Um Clássico do Mangá Japonês Ganhará Versão em Filme.

Numa mega-metrópole futurista, que poderia ser qualquer cidade do mundo, mas no caso da nossa história é Tokio reconstruída, após ter sido devastada por um evento psíquico provocado por uma criança com poderes telecinéticos, gangues de motoqueiros dividem suas vidas entre brigas com outras gangues e corridas insanas em suas motos. Quando um deles se vê envolvido, depois de um acidente, com um departamento secreto do governo e experiências secretas envolvendo crianças e seres humanos dotados de poderes psíquicos, seu amigo resolve resgatá-lo, mergulhando, junto com o espectador, no submundo de uma cidade governada por líderes corruptos e inescrupulosos. Quem hoje tem mais de 30 anos e não se lembra do sucesso da animação “Akira”, de 1.988, dirigido por Katsuhiro Ohtomo?

A animação encontra-se disponível para download na internet, eu vi e é excelente, mas parece que resolveram fazer uma versão da animação em filme e isso nos dará a oportunidade de assistir os personagens do violento e pós-moderno universo ciberpunk, criado por Katsuhiro Ohtomo, vividos por atores de carne e osso. Sempre acreditei que Akira daria um excelente filme de ficção se fosse bem adaptado para o cinema e parece que a Warner resolveu investir nesse projeto.
O estúdio comprou os direitos sobre a produção em meados de 2.008 e já investiu alguns milhões para regularizar normas jurídicas referentes a direitos autorais, criar um roteiro adaptado e finalmente dar o aval para o início da filmagem do longa. Porém o projeto que vem sendo levado a “passo de tartaruga” pela Warner, o que desagradou um pouco Albert Hughes (O Livro de Eli), convidado para dirigir o longa. A data prevista para início da filmagem é março de 2.012 e o orçamento do filme gira em torno de US$90 milhões (fonte: Variety). A adaptação ficará por conta de Steve Kloves, responsável por adaptar sete dos oito livros da série Harry Potter para a Warner.

Recentemente Albert Hughes desistiu da direção de Akira e o cargo ficou por conta de Jaume Collet-Serra (A Casa de Cera). A versão oficial para os sites de notícias, afirma que Albert Hughes preferiu se desligar por conta de “divergências criativas” com o estúdio, mas segundo boatos, o que pesou mesmo na decisão do diretor foi a lentidão da Warner para tocar o projeto, além das indicações fora de propósito de se pensar em contratar atores para os papéis principais; isso entre outras coisas, já que alguns nomes cogitados não se encaixam no perfil das personagens criadas por Katsuhiro Ohtomo.  Imagine que chegaram inclusive a pensar em Keanu Reeves para o papel de Kaneda e por aí você pode tirar uma idéia do que está rolando por aquelas bandas...¬¬ (Gente, pelamor, imagine um quarentão como o Keanu no papel de um motoqueiro adolescente? Que ridículo...).
Outros nomes cogitados para as personagens principais são: Robert Pattinson, Andrew Garfield e James McAvoy para o papel de Tetsuo e Garret Herdlund, Michael Fassbender, Chris Pine, Joaquim Phoenix e Justin Timberlake (socorro!) para o papel de Kaneda. Todos esses atores estão bem longe do perfil adolescente, porque _ Né?! _ são todos já homens feitos, mas enfim, o cinema é uma fábrica de ilusões e vamos esperar e ver se a adaptação fará justiça à animação de 1.988.

Alguns sites sobre cinema brasileiros estão escrevendo sobre essa notícia e sobre o roteiro da animação de Katsuhiro Ohtomo, mas lamentavelmente confundem Akira com Tetsuo ou com uma das crianças psíquicas que é atropelada logo no começo da história. Eita gente mal informada que escreve sobre aquilo que não conhece ou não lê: Akira, na animação de 1.988, havia sido dissecado pelo governo depois do cataclismo - criado por ele - que destruiu Tókio e só aparece no final, quando é reconstituído a forma original pelas crianças psíquicas. Pff! ¬¬

Enfim, vamos esperar, ter paciência e rezar para que tudo dê certo.  Akira tem todo um potencial para ser o Blade Runner do início do século XXI, so espero que esses empresários da Warner não estraguem tudo.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Fright Night - A Hora do Espanto

Fright Night (A Hora do Espanto);  Ano:2011; Direção: Craig Gillespie; Elenco: Colin Farrel, David Tennant, Toni Collette, Anton Yelchin, Imogen Poots, Christopher Mintz-Plasse.

Que mulher não gostaria de ter um bonitão feito o Colin Farrel como vizinho? Toni Collette tem essa oportunidade quando Jerry, seu novo vizinho, muda-se para a casa ao lado, mas, como nem tudo no mundo é perfeito, seu filho (Anton Yelchin) descobre que o misterioso vizinho envolto numa aura de perigo e sedução é na verdade um vampiro sanguinário cujo objetivo é converter todos os seus amigos e conhecidos em vampiros, inclusive, claro, sua mãe.

Remake de um filme de 1985 que teve, entre outros, Chris Saradon (ex-marido de Susan Saradon) e Roddy Mc Dowal no elenco, essa nova versão nos trás Colin Farrel – mais gostoso impossível – no papel do vizinho vampiro e David Tennant - ex-protagonista do seriado britânico “Doctor Who?” - no papel do caçador-de-vampiros. Toni Collette interpreta a mãe de Charlie (Anton Yelchin) e sua bela namorada é interpretada pela jovem atriz britânica, Imogen Poots. O filme ainda conta com uma participação especial de Chris Saradon no papel de uma das vítimas do vampiro.

Uma coisa que me incomodou um pouco - não somente eu, como outras pessoas também - foram as cenas noturnas; elas eram tão escuras que prejudicaram a visualização do que acontecia na tela. Quanto ao roteiro do remake, dirigido por Craig Gillespie, apesar de preservar a idéia do roteiro original ( de Tom Holland), tem algumas mudanças bem-vindas, particularmente no que diz respeito à origem de Peter Vincent  e a relação de amizade entre Charlie e seu amigo Ed (Christopher Mintz-Plasse). Outra mudança mais que bem-vinda e que agradarão minhas amigas feministas é que a namorada e a mãe de Charlie também não são mais as mocinhas em perigo do filme original; no novo elas são mulheres fortes e decididas, que inclusive salvam a vida de Charlie, mais de uma vez, em uma das sequências mais eletrizantes da história.

David Tennant dá uma nota toda especial de humor negro à personagem que interpreta e está bem à vontade no seu papel de especialista em vampiros atrapalhado, covarde e fanfarrão que só resolve enfrentar seus medos, depois que descobre que a família de Charlie esta prestes a ter o mesmo destino na sua; Toni Collette também não se sai mal como mãe de Charlie, apesar de sua participação na trama ser secundária; quanto a Colin Farrel, o qual sabemos ser um bom ator, ele pareceu-me estar um pouco desconfortável no papel, como alguém que estivesse fora de seu ambiente. Bem, alguns atores nutrem certo preconceito contra o gênero “terror” e talvez Colin sinta-se um pouco constrangido ao participar de um filme do gênero. O caso é que ele exagera um pouco nas caras e bocas e seu vampiro fica um pouco caricato, enquanto que o vampiro original era mais sutil e, talvez por isso, mais assustador.

Como vivemos no século XXI e as sutilezas foram abandonadas e substituídas, dando lugar a uma crueza quase pornográfica, baldes de sangue e cenas de mutilações não faltam nesse remake, porém ainda acho que o original, apesar da caracterização datada das personagens, é bem melhor.
Essa nova versão, apesar de contar com um bom elenco e mesmo roteiro, não ficou tão boa quanto o original e dificilmente se tornará "cult", como aconteceu no passado. Parece que falta alma a esse remake, como se ele fosse também um morto-vivo, simples cópia bonitinha e sem conteúdo de algo mais valioso. Sei lá, acabei de ver os dois filmes (Fright Night I e Fright Night II) no Youtube e achei esse remake meio... Bleh!

Que o grande público não curtiu tanto quanto o público de 1986, isso é verdade, porque o remake de Fright Night não foi muito bem nas bilheterias dos EUA e, talvez, o isso se repita também por aqui. Culpar autores e autoras de livros, enredos de cinema e seriados de TV que usam vampiros e monstros no papel de anti-heróis com problemas existenciais pode ser precipitado e injusto, mas acho mesmo que o público se viciou no estereótipo do “vampiro sangue-bom” para apreciar algo que mostre a lenda sob outro contexto que não aquele desenvolvido em romances soft-porn-água-com-açúcar que se vendem em bancas de jornal. Uma pena.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Cartas de uma Adorável Portuguesa

Quem estuda ou é apaixonado por Literatura ou teatro certamente já leu ou ouviu falar de “Cartas Portuguesas” ou “Cartas De Uma Freira Portuguesa”, uma série de cinco cartas de amor atribuídas à sóror Mariana Alcoforado (1640-1723), uma freira portuguesa que viveu no Real Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Beja, região do Alentejo, e cujo texto é considerado por muitos como referência em literatura romântica, tanto pelo seu primor estético, quanto pela sua grande qualidade literária.

Quem lê as cartas destinadas ao oficial de cavalaria francês, o capitão Noël Bouton (1636-1715), certamente nota a paixão, o amor e a esperança despertadas pelo oficial francês no coração daquela mulher solitária e refinada, que devido as conveniências da época, foi obrigada a ingressar em um Convento aos onze anos de idade. É praticamente impossível ler e não se comover, não se emocionar, não se irritar com o drama que se desenvolve nas entrelinhas desse diálogo e tempos depois, quando a relação deixou de existir e ambos seguiram com suas vidas. Para falar a verdade, Cartas Portuguesas é praticamente um monólogo de amor, uma vez que, pelo que se sabe, as cartas de Bouton para Mariana nunca foram encontradas. Ela menciona essas cartas em sua última resposta ao ex-amante e faz menção ao propósito de devolve-las, uma clara demonstração de sua intenção de terminar de vez aquele relacionamento, porém essas cartas ou foram destruídas ou se perderam nas areias do Tempo . Porém, para a nossa sorte e para o risco de opróbrio da honra de sóror Mariana, Bouton teve o desplante de permitir que as cartas dela fossem publicadas, mesmo que anonimamente, quando ambos ainda viviam, o que causou grande polêmica entre os moralistas da época. Por muito tempo, como não se conhecia a autora do texto, ele foi considerado apócrifo, atribuído ao Conde de Guilheragues, mas em 1.810, o jornal parisiense L’Empire, baseado nas investigações posteriores, desvendou o nome de ambos.

Agora, para se compreender o que aconteceu e o quanto Bouton foi cretino e Mariana vítima das circunstâncias (e da sua paixão) é necessário sair da mentalidade moralista e pequeno-burguesa de nosso mundo e buscar a compreensão do contexto histórico onde ambos estavam inseridos: Ela, uma mulher solitária que se viu de repente vivendo em um convento antes mesmo de ingressar na adolescência, provavelmente sem nenhum tipo de vocação religiosa; ele, um jovem da nobreza e oficial do exército francês, casado e servindo em país estrangeiro.
 Pois é, naquela época, quando doenças sexualmente transmissíveis eram praticamente incuráveis e quando não existia nenhum tipo de proteção para as relações sexuais, como temos hoje, era senso comum entre os soldados de alta patente, geralmente descendentes de famílias nobres, buscar amantes em lugares onde a promiscuidade fosse praticamente inexistente. Assim, seduzir uma jovem e virtuosa mulher casada, uma donzela pobre solteira, ou, como no caso de Noel Bouton, uma freira virgem e inexperiente, e mantê-las como amásias durante o período em que estivessem servindo fora de seu país, era pratica comum, embora, quando descobertas, se tornassem motivo de escândalo, ainda mais quando envolviam membros de famílias ricas e influentes, como no caso da família de Mariana.

Noel e Mariana provavelmente se envolveram entre os anos de 1.666 e 1.668, quando ele serviu em Beja com as tropas enviadas pelo rei Luis XIV para auxiliar o rei de Portugal em sua luta contra o rei da Espanha. Quando o tempo de servir acabou e era iminente a partida do oficial francês para o seu lar, Mariana escreveu a primeira carta, um apelo angustiado, no qual se nota a suspeita de que teria sido abandonada, mas ainda assim se percebe nessa carta que ela acalentava remotas esperanças de partirem juntos para a França (“Meus olhos perderam nos teus a única luz que os animava...”; “... Se me fosse possível sair deste malfadado convento, não esperaria em Portugal pelo cumprimento da tua promessa...”).
Noël Bouton era casado e provavelmente não revelou esse detalhe para Mariana,  quando as suspeitas do envolvimento entre os dois começaram a circular na região, ele partiu sem responder, talvez por temer um escândalo (a família de Mariana era muito conhecida e rica). Mariana, ao perceber o acontecido, escreve-lhe uma segunda carta, onde a dolorosa constatação do óbvio fica claríssima nesse trecho: (“...me iludi pensando que terias comigo um procedimento mais leal que de costume...”).
Mesmo assim, ela ainda continua escrevendo-lhe da clausura do Mosteiro até se dar conta de que jamais se encontrariam. Eescreve na última carta: “ É mister que o deixe e não pense mais em si. Creio que não tornarei a escrever-lhe. Tenho acaso alguma obrigação de dar-lhe conta de meus sentimentos?”. Impossível não perceber a dor e a desilusão daquela mulher, expressos nessa última frase e não se identificar com elas.

Ao longo dos anos, desde que foram publicadas, as cinco missivas atribuídas a Mariana foram objetos de polêmicas e discussões entre filósofos (Russeau entre eles*) e estudiosos literários, principalmente aqueles que debatem se elas foram realmente escritas por Mariana ou apenas obra fictícia Conde de Guilleragues. O caso é que os originais em português nunca foram encontrados e isso desperta sim a suspeita de que a atribuição de sua autoria a uma freira internada em um convento em Portugal seja apenas golpe de marketing do autor, porém os defensores de que sua autoria seja mesmo de sóror Mariana alegam que ninguém conseguiu explicar de forma plausível o porquê de uma obra escrita em francês conter tantas coincidências sintáxicas típicas da língua portuguesa, coincidências que só se explicariam se elas fossem, lógico, realmente uma tradução literal ou então escritas por alguém que, conhecendo o idioma francês, não o dominava completamente ao ponto de redigir um texto com absoluta perfeição. Era de conhecimento de alguns estudiosos que na casa da família de Mariana, encontrava-se na época vários livros e textos em francês e que o idioma, portanto, não era desconhecido por ela, embora, talvez, não o dominasse completamente, o que, em tese, explicaria tudo. Particularmente eu gosto de pensar que a autoria das cartas são mesmo de sóror Mariana e que esse amor, mesmo com final infeliz, tenha realmente existido, porque, na minha opinião, é melhor amar e sofrer, do que não amar.

Cartas Portuguesas inspiraram filmes, livros, textos teatrais e até mesmo litografias elaboradas por Matisse (1869-1954); o mosteiro de Beja, onde Mariana viveu e que na sua época chegou a ser um dos mais ricos de Portugal, contando com uma população de aproximadamente 200 religiosas, fora as outras internas, como mulheres órfãs e viúvas, foi desativado e parcialmente demolido; Noël Bouton ,exceto pelo envolvimento com Mariana,  descrito em Cartas Portuguesas, provavelmente teria seu nome esquecido pela história. Ele viveu com a família até o falecimento, em 1.715; quanto a sóror Mariana, ela superou o ocorrido e se resignou a viver a vida religiosa, onde era muito considerada e respeitada entre os que a conheciam por conta das boas obras e sacrifícios praticados. Tanto reconhecimento, sensibilidade e erudição (se ela realmente foi a autora das cartas) não ficariam sem render frutos e eles legaram à Mariana a posição de abadessa do Convento em Beja, onde ela morreu, já idosa, aos oitenta e três anos de idade em 1723.
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(*) Na polêmica literária que se seguiu sobre a autoria das cartas, o cretino do Russeau, que julgava-as belas demais para serem idealizadas por uma mente feminina (?!), negava-lhes preconceituosamente a autenticidade. Só faltou ele explicar, porque a geniosa mente francesa que escreveu as cartas, não teve a capacidade de escreve-las usando a sintaxe correta do francês, por exemplo. :)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Polemistas Sem Esperança


A propaganda em si é de uma pretensão patética, já que parte do pressuposto de ensinar algo a mulher comum que ela não sabe. Agora eu pergunto: Por acaso eu, ou você ( seja mulher ou usuário de calcinha), que lê esse post, precisa realmente de dicas sobre como conduzir uma conversa ou seduzir alguém? Essas dicas funcionarão da maneira como a propaganda dá a entender que funcionarão? Não sei. Porém, acho que a maioria que está lendo esse texto vai responder que não, tenho certeza. Outra pretensão do comercial é a humorística, aquela baseada em preconceitos e lugares comuns ingênuos e baratos, daqueles que assombram humorísticos de TV em noites de sábado e finais de semana. Bem, estamos no Brasil, né? Esperar senso de humor “britânico”, quando o que rola é pastelão e gags estreladas por tipos estereotipados usando bordão é esperar de mais.

Que a propaganda é preconceituosa, não há como discordar. Homens e mulheres batem seus carros todos os dias, muitos homens e mulheres estouram os limites de seus cartões de crédito todos os meses, então ela é preconceituosa por vários motivos, mas o principal é aquele que coloca a mulher na posição de manipuladora (ingênua) de uma situação hipotética e mostra o homem como um ser tosco, burro e incapaz de processar uma notícia quando vê uma fêmea semi-nua na sua frente. Sim, existem homens que se deixam levar por uma oportunidade de fazer sexo e sim, existem mulheres que exploram isso. Porém, nem todos são assim, ou seja, a propaganda ofende os dois gêneros, mas... Perá lá, os humorísticos de TV, novelas e filmes fazem isso direto e reto e até agora ninguém pensou em proibi-los, então qual é o problema? As calcinhas são ruins? Dão alergia? Eles prometeram que elas criariam a ilusão de ótica de transformar minha tia Cotinha em uma magérrima loira de olhos claros e peitos gigantes, uma típica “mulher brasileira”? Ah tá...

Vou te dizer o que me chateia nessa história toda, o que me chateia é viver em um país onde se proíbe comercial em TV, porque algumas pessoas ficaram ofendidas com o que se mostra nele e acham, não sei baseadas em qual pressuposto, que publicidade deve seguir ideologias políticas. Tenho medo da postura autoritária dessas pessoas que querem liberar a prática do aborto, mas por outro lado acham perfeitamente normal o Estado, através de um órgão regulador, “cassar” os direitos alheios, porque eles vão de encontro às suas ideologias. Para mim, desejar ou colaborar para a restrição da publicidade e divulgação de idéias, mesmo aquelas que divergem drasticamente das nossas, é algo profundamente antidemocrático e que sempre carrega um ranço ditatorial. Não gosto, não aprovo e não posso querer isso, mesmo achando o tal comercial uma grande bobagem.

O problema desse pessoal que fica reclamando de propaganda na TV é que eles não entenderam ainda que a prioridade do marketing é vender um produto. O comercial não está ali para defender ideologias sejam elas “de esquerda” ou “de direita”, menos ainda algo tipo “direitos humanos” ou dos animais. Uma propaganda de casacos de pele ou de carro com bancos de couro, por exemplo, está pouco se lixando para os direitos dos animais; uma propaganda de calcinha ou de cerveja, teoricamente, não se importará em reforçar um estereótipo machista, tampouco. Isso te incomoda? Pois é, me incomoda às vezes, mas como eu vivo em um sistema capitalista, tenho que suportar o moço da feira gritar para mim que “moça bonita não paga, mas também não leva”. Porém, justamente por saber que vivo em um sistema capitalista, eu sei que a forma mais eficiente de se protestar contra esse tipo de desrespeito é justamente não comprar a marca anunciada.

E finalmente, não entenda que esse post é uma forma de tentar proibi-lo(a) de reclamar quando vê, ouve ou lê algo que discorda. É seu direito fazer isso, assim como é seu direito ficar de mimimi no blog ou no Twitter, porque não gostou de uma ou outra propaganda ou programa de TV, mas saiba que isso só serve como forma de propaganda indireta e, no caso da propaganda de calcinha, só reforça minhas suspeitas de que essa polêmica toda foi esperada pelos idealizadores da campanha e, quem sabe, contabilizada.  Porque nunca se falou tanto no nome dessas calcinhas e no fato do comercial “daquela modelo famosa” ter sido proibido, como tem se falado ultimamente.

Quer dizer... Mesmo suspenso, o comercial continua gerando publicidade indireta em torno da marca. Virou uma espécie de meme e nem precisa mais da TV para se propagar. Porque você acha que não citei no nome dessas calcinhas até agora nesse texto?
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Update: quando falei sobre essa polêmica ser esperada e contabilizada, obviamente estava falando sobre os idealizadores do comercial, lógico. E isso fica claro nos parágrafos seguintes. Obviamente não preciso ensinar interpretação de texto p/ ninguém. Espero.