terça-feira, 29 de março de 2011

A verdadeira beleza por trás de um rosto

Certa noite, saindo de uma festa na casa de uma amiga completamente alcoolizado, um belo, jovem e promissor ator sofreu um acidente de carro, quase morreu e ficou com o rosto desfigurado. Ele não sabia, mas momentos antes, sua melhor amiga, a moça da festa, ficou preocupada ao vê-lo entrar no carro completamente embriagado e resolveu seguí-lo até em casa. Foi ela que o encontrou após o acidente e tomou todas as providências para salvar sua vida, seu emprego e sua dignidade. Foi ela que impediu que fotos sensacionalistas do acidente fossem publicadas nos jornais.  Foi ela que abafou o escândalo ao afastar a imprensa e pagou todas as despesas médicas, além de uma pequena fortuna para que o rapaz tivesse o belo rosto reconstruído. Foi ela que também conseguiu garantir o emprego dele até sua recuperação e a retomada de sua vida profissional. Quanto ao rapaz, ele melhorou, recuperou o emprego e voltou a atuar, mas embora não tivesse ficado inválido e recuperado parte de sua beleza, ele se tornou um homem amargurado e solitário. Eles não se casaram, nem viveram uma "tórrida" história de amor, porém a jovem que o salvou, nunca o abandonou; cuidou dele até o dia de sua morte.

Parece enredo de filme de amor? Pois é, embora a pequena história acima pareça enredo fictício de um romance de banca de revista, ela realmente aconteceu: O jovem acidentado era Montgomery Clift e sua boa samaritana era Elizabeth Taylor. Imagino que boa parte dos meus (agora) poucos leitores já conheça essa história faz tempo, porque ela é contada e recontada em todas as biografias de Clift e em diversos livros sobre os Mitos de Hollywood. Para mim ela serve para ilustrar que a tão falada beleza de Elizabeth Taylor era algo mais profundo que aquilo que víamos em seu rosto e seu corpo. Elizabeth sempre foi uma mulher fiel aos seus amigos, dessas que a gente pode contar sempre, eu imagino.

Como eu já disse aqui, associar Elizabeth com aquela figura débil e encarquilhada de uma velhinha excêntrica e coberta de jóias que eventualmente aparecia no Oscar é um erro. Ela foi sim uma mulher notável e muito querida pelos que a conheciam, não só pelos seus filmes, mas também pelas suas ações fora da tela. De saúde frágil, sabia ser forte quando era necessário; aparentemente leviana ou fútil, mas capaz de mostrar grandeza e desprendimento que muita perua nem sonha em ter, nem que vivesse dez encarnações seguidas.
Senti particularmente sua morte, tanto quanto senti a de Paul Newman ou  Michael Jackson, o qual também desfrutou de sua amizade. Naquele momento, nunca me pareceu tanto que o "fim" de uma Era estava ali, próximo de mim, olhando minha face.
A galáxia dos grandes astros e estrelas da Hollywood clássica, aquela que nos ensinou a amar os filmes, está se apagando gradativamente, nos deixando sozinhos nas trevas da mediocridade. Um lugar frio e vazio, onde atores e atrizes histéricos conseguem fama mostrando a bunda ou expondo a vida pessoal em programas de TV, num processo que eu só posso classificar como charliesheenização da sétima arte.

Pensei muito se deveria escrever um texto póstumo sobre Elizabeth Taylor, porque não queria que o blog ficasse parecendo um necrológio. Porém, depois de ler essa notícia aqui, concluí que seria injusto não homenagear uma atriz que sempre admirei, tanto por seu talento, quanto por sua beleza; mais ainda por seu envolvimento em causas sociais e filantrópicas. Descanse em paz, bela Elizabeth, aquela dos olhos cor de violeta.

domingo, 6 de março de 2011

Porque não é somente o peixe que morre pela boca...

Nas revistas de moda internacionais (e nacionais) não se fala de outra coisa: O bar La Perle, um pequeno e discreto café localizado no bairro do Marais, no número 78 da rue Vieille du Temple, há tempos havia se tornado palco usual das frequentes carraspanas protagonizadas pelo ex-estilista da Dior, John Galliano. Na última delas, o estilista inglês perdeu completamente o controle e se deu mal. Dominado pelo álcool e fora de seu juízo, o ex-estilista da Dior fez uma série de declarações antisemitas contra um grupo de pessoas, aparentemente sem motivo algum.

Infelizmente para ele, um dos presentes filmou tudo e divulgou para a imprensa, o que consequentemente causou a sua imediata demissão da Dior, além do inevitável processo por racismo, já que o Ministério Público Frances entrou com um pedido contra ele por racismo e antissemitismo, logo em seguida a divulgação da história. Se condenado, Galliano podera pegar uma pena de até seis meses de prisão, além do pagamento de uma multa de 22.500 euros.

Porém, o processo será o menor de seus problemas. A demissão sumária de John Galliano da Dior e sua "crucificação" pela mídia mundial ilustra perfeitamente como a vida de alguém pode dar uma guinada de 180º e virar de pernas para o ar por conta de declarações impensadas e comportamentos de estrelismo.
Nessas horas a opinião pública não perdoa e quem conhece a tragetória de vida de Galliano, homossexual assumido, alguém que lutou muito para chegar ao topo por conta exclusiva do próprio talento, só pode lamentar e ficar triste vendo aquele homem solitário e infeliz sentado em uma mesa de um bar obscuro, dirigindo insultos pesadíssimos com voz pastosa e atitude beligerante.

Embora não seja a mesma coisa, o que está acontecendo atualmente com John Galliano me lembrou um pouco o que aconteceu com Coco Chanel, outro ícone da moda mundial. Acusada de ser colaboracionista durante a II Grande Guerra, por conta de seu envolvimento amoroso com um oficial alemão, Mlle. Chanel só foi salva da morte por conta da intervenção pessoal de seu amigo, Wiston Churchill. Presa, foi libertada num curto período de apenas três horas, quando achou melhor sumir e tirar umas convenientes férias na Suíça até a poeira abaixar. Chanel conseguiu voltar tempos depois e reconquistar o prestígio perdido, embora naquela época não existisse internet e nem as notícias e a mídia tivessem o poder arrasador que tem nos dias atuais.

Quanto a Galliano, acho que será mais difícil dar a volta por cima. Ele admitiu que errou e confessa arrependimento, entretanto, para o público que testemunhou uma das mais famosas estrelas da moda atual vivendo seu dia de lama, atacando com asserções provocativas pessoas desconhecidas e declarando amor por Adolf Hitler, talvez o perdão não venha tão facilmente.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Necrologia - Fevereiro 2011


Luto no meio literário: Nem deu tempo de comentar aqui sobre o falecimento de Moacyr Scliar e Benedito Nunes, porque eu só soube do ocorrido pelo Twitter, dias depois. Faleceram ambos no mesmo dia, último domingo, dia vinte e sete de fevereiro. O primeiro de falência múltipla dos órgãos (conseqüência de um AVC) e o segundo de hemorragia estomacal.

Ambos são considerados uma grande perda para a área da literatura brasileira contemporânea, mas lamento especialmente pelo escritor gaúcho, Moacyr Scliar, homem gentil, educado e pessoa muito querida no meio por todos aqueles que o conheciam pessoalmente.
Moacyr Scliar, apesar de ser médico sanitarista de formação, era escritor pelo coração; um homem que sempre arranjava um jeito de se dedicar a arte de escrever e contar histórias. Ele foi autor de diversas obras literárias, as mais diversas, entre romances, contos, crônicas, livros infantis, ensaios e traduções e ganhador de diversos prêmios por conta de sua contribuição para a literatura brasileira.

Trabalhou durante 15 anos como colunista do Jornal Zero Hora, onde, lógico, falava especialmente sobre os assuntos que gostava e dominava: medicina, literatura e fatos do cotidiano.
Um de seus romances - Um Sonho no Caroço do Abacate - foi adaptados para o cinema e chegou até nós com o nome de "Caminho dos Sonhos", estrelado por atores e atrizes conhecidos do grande público de novelas, tais como: Tais Araújo, Mariana Ximenes, Caio Blat e Caco Ciocler, entre outros. Esse filme também foi a estréia como diretor de Lucas Amberg, cineasta brasileiro.

Moacyr Scliar era membro da Academia Brasileira de Letras, o sétimo ocupante da Cadeira nº 31, eleito em 31 de julho de 2003 e sucessor de Geraldo França de Lima. No site da página da ABL podemos ter acesso a lista de sua pletora produção literária (bibliografia). R.I.P., Moacyr  Scliar, descanse em paz.


Já o paraense Benedito Nunes era crítico literário, professor, escritor, ensaísta e filósofo, um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará e Professor Emérito da Universidade dessa universidade, já em 1998. Admirador de vários escritores brasileiros, tinha especial predileção pela obra de Clarice Lispector, a qual chamava simpatica e carinhosamente de "Dona Clarice", escritora considerada por ele como principal fonte de inspiração.

Conhecido e admirado por seus hábitos simples, ele era um homem de baixa estatura, apenas 1,60 m, mas considerado no meio como um dos maiores filósofos/pensadores brasileiros. Ganhou o Prêmio Jabuti em 1987, na categoria "Estudos Literários", com a obra: Passagem para o Poético - Filosofia e Poesia Heidegger (Editora Ática, São Paulo, 1986).

Obs: Já o povão no Twitter, comentava mesmo era a morte da ex-socielite  e ex-mulher de Chiquinho Scarpa, Carola de Oliveira, provavelmente de anorexia e outras complicações decorrentes desse mal que afeta  cada vez  mais mulheres no mundo.