Ano de Lançamento: 2008 ; Gênero: Drama/Terror. Direção: Dennis Gansel , estrelado por Jürgen Vogel, Frederick Lau, Max Riemelt, Jennifer Ulrich, Christiane Paul, Jacob Matschenz, Elyas M'Barek e Cristina do Rego.Die Welle é um remake de um filme de 1981 com o mesmo título, com a realização, adaptação e argumentação de Dennis Gansel. O elenco de atores alemães é formado por nomes desconhecidos do público nacional e conta, inclusive, coma participação de uma brasileira: Cristina do Rego, uma fluminense natural de Anchieta-RJ.
O filme original é curto, tem aproximadamente 46 minutos e foi feito exclusivamente para TV. Na realidade a idéia original era que o filme passasse nas salas de aula dos EUA e mostrasse aos jovens como se processa e funciona a manipulação ideologica das massas.
Confesso que desconhecia completamente tanto o próprio filme em si, quanto a fascinante história que deu origem a ele, mas, depois que o programa terminou, fui pesquisar sobre e não só achei um artigo muito interessante, como também encontrei o filme original, em inglês, o qual, aparentemente, segundo comentários de amigos no Twitter, é bem melhor que o remake de Dennis Gansel. Li o artigo, assisti ao filme e achei tudo absolutamente fantástico. É o tipo de filme que faz você ficar pensando durante dias sobre ele.
Inspirado em um incidente real ocorrido em uma escola secundária norte-americana em 1967 (Palo Alto, Califórnia), antes de virar filme para TV e agora esse remake para o cinema, Die Welle, como tantas outras histórias que conhecemos, foi romanceada e virou livro.
O propósito do filme original (1981) era alertar os jovens sobre os perigos oferecidos pela onda nazi-fascista que começou no final da década de 1930 e que ainda existe nos dias atuais. A mensagem principal é a seguinte: “ independente do que somos e do que acreditamos, a verdade é que todos temos uma forte tendência ao totalitarismo. Sacrificamos a individualidade em nome da coletividade e, quando os interesses da coletividade tornam-se mais valiosos que o próprio ser humano, temos materializado diante de nós uma ditadura totalitarista, não importando qual a ideologia política ou filosófica por trás dela”.
E embora a história de ‘A Onda’ mostre tudo de uma forma bem sucinta e até mesmo caricata, não podemos fechar os olhos e dizer que isso não ocorre atualmente, diante de nossos olhos e debaixo de nossos narizes, porque ocorre e nem percebemos (e se percebemos, nos omitimos, porque é cômodo e seguro ficar em silêncio diante da maioria).
Impressionante constatar o quanto o alerta de “A Onda” permanece atual em um mundo onde mais do que nunca movimentos semelhantes surgem, articulam-se e propagam-se em diferentes tipos de mídia valendo-se da influência e do carisma de figuras toscas alçadas à categoria de líderes. Gente que do alto dos seus púlpitos virtuais e revestidos de uma aura pretensamente “professoral” fazem valer suas palavras à base de carteiradas acadêmicas e apelos constantes à meritocracia. Quando não fazem pior, valendo-se da força mesmo, seja ela política, jurídica ou mesmo bruta.
Como aparentemente a juventude (e não somente ela) é bem sensível a esse tipo de abordagem, ela torna-se campo fértil para esses “líderes” deitarem e rolarem, criando fatos que ilustram perfeitamente como os movimentos totalitaristas estão mais presentes na nossa vida do que gostaríamos.
Sobre a história em si, não encontro palavras melhores para resumi-la do que aquelas encontradas nesse site:
O filme “A onda” (The wave) tem início com o professor de história Burt Ross explicando aos seus alunos a atmosfera da Alemanha, em 1930, a ascensão e o genocídio nazista. Os questionamentos dos alunos levam o professor a realizar uma arriscada experiência pedagógica que consiste em reproduzir na sala de aula alguns clichês do nazismo: usariam o slogan “Poder, Disciplina e Superioridade”, um símbolo gráfico para representar “A onda”, etc.
O professor Ross se declara o líder do movimento da “onda”, exorta a disciplina e faz valer o poder superior do grupo sobre os indivíduos. Os estudantes o obedecem cegamente. A tímida recusa de um aluno o obriga a conviver com ameaças e exclusão do grupo. A escola inteira é envolvida no fanatismo d’A onda, até que um casal de alunos mais consciente alerta ao professor ter perdido o controle da experiência pedagógica que passou ao domínio da realidade cotidiana da comunidade escolar.
O desfecho do filme é dado pelo professor ao desmascarar a ideologia totalitária que sustenta o movimento d’A onda , denuncia aos estudantes o sumiço dos sujeitos críticos diante de poder carismático de um líder e do fanatismo por uma causa.
Embora o filme seja uma metáfora de como surgiu o nazi-fascismo e o poder de seus rituais, pode conscientizar os estudantes sobre o poder doutrinário dos movimentos ideológicos políticos ou religiosos. O uso de slogans, palavras de ordem e a adoração a um suposto “grande líder” se repetem na história da humanidade: aconteceu na Alemanha nazista, na Itália fascista, e também no chamado ‘socialismo real’ da União Soviética, principalmente no período stalinista, na China com a “revolução cultural” promovida por Mao Tsé Tung, na Argentina com Perón, etc. Ainda, recentemente, líderes neo-populistas da América Latina, valendo-se de um discurso tosco anti-americano, conseguem enganar uma parte da esquerda resistente a aprender com a história.
Obs: Nesse link pode-se assistir aos 46 minutos do filme original (em inglês) e compará-lo com o remake de Dennis Gansel. Assista e tire suas próprias conclusões. Nota 8.
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