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domingo, 3 de junho de 2012

FORA DO TOM

No mundo literário dedicado aquele nicho que os críticos classificam como “Literatura Cor-de-Rosa”, o nome que atualmente se destaca é o de Erika Leonard James, uma ex-gerente de produção de TV, casada e mãe de dois filhos adolescentes.

Inspirada (e apaixonada) pelos livros da Série Crepúsculo, Erika começou a escrever em meados de 2008 variações sobre a trama em sites de Fanfiction, lugares onde os fãs podem postar versões próprias de livros de sucesso favoritos. Um belo dia Erika saiu um pouco da rotina e começou a escrever aquilo que seria esboço do seu primeiro livro da Trilogia que agora faz sucesso entre seus fãs: Uma história semelhante aquelas que compramos em bancas de jornais e que fizeram o nome de escritoras renomadas no meio, como por exemplo, Barbara Cartland, considerada a rainha dos romances cor-de-rosa no seu país de origem: A Inglaterra. O diferencial entre os romances de Barbara Cartland e Erica Leonard James é que a história de Erika envolve sexo. Não apenas o sexo, digamos “convencional” que estamos acostumadas a ler em livros mais picantes estilo “Momentos Íntimos”, mas uma história onde protagonistas não tem medo de sair da rotina papai "meets" mamãe, para sessões de sexo picantes envolvendo Bondage e Sado-mazoquismo. Tudo com o consentimento dos protagonistas, lógico. :)

Sim, a heroína de Cinquenta Tons de Cinza, embora ingênua e virginal, como qualquer heroína de um romance de Barbara Cartland, não se assusta ao descobrir que seu “príncipe encantado”, além de bonito, rico e sexy, tem um apetite sexual e tendências sexuais além daquelas consideradas convencionais pelos mortais comuns. Digamos que estamos diante de um romance onde o protagonista não é nenhum Mr. Darcy e o termo “baunilha” fica no passado, porque, na luxuosa cobertura onde o “herói” de Cinquenta Tons de Cinza vive, num cômodo situado entre paredes decoradas com veludo e couro negro, podemos encontrar todo um aparato que deixaria os praticantes de bondage e S&M inspirados: cama gigante, almofadas macias, chicotes, coleiras, algemas e tudo mais que for necessário para a prática de sexo sadomasoquista. O diferencial entre esse romance e os outros é que em vez de proposta de casamento, o mocinho propõe a heroína que ela se torne sua escrava sexual e objeto de prazer. E ela... Aceita! Uma desconstrução do mito romântico da Cinderella (e outras princesas de contos de fada) que deixaria qualquer vovó de cabelos em pé.

Vendido inicialmente como E-book e tornando-se rapidamente um grande sucesso principalmente entre as mulheres, ávidas leitoras desse tipo de literatura (porém não somente elas, vale a pena frisar isso), não demorou muito para o livro atrair a atenção de Editoras Norte-americanas que passaram a disputar os direitos de publicação, inclusive os direitos de adaptação cinematográfica. Considerado um “fenômeno literário” por alguns críticos, o livro é criticado por outros que acusam a história de funcionar como manual erótico de auto-ajuda para donas de casa entediadas. O caso é que, gostando ou não, o livro é sucesso e já tornou-se uma trilogia. As seqüências encontram-se a disposição dos leitores na forma de e-books : “Cinquenta Tons Mais Escuros” e “Cinquenta Tons de Liberdade” (sic).

Não entendo o porquê de tanto auê em torno do tema. Aliás, até entendo, porque histórias envolvendo sexo, sempre fazem sucesso e todo mundo lê, mesmo aqueles que negam esse tipo de interesse literário, porém, quanto ao tema abordado por Cinquenta Tons de Cinza, particularmente acho bondage e sadomasoquismo práticas sexuais “boring”. Não me excitam, não me despertam interesse e essa história de "um tapinha não dói" não me agrada. Detesto pessoas agressivas, seja na cama ou fora dela, mas é compreensível que algumas pessoas sintam curiosidade e resolvam se “informar” , ler, e também “gostar” daquilo que descrevem para elas. Eu mesma, apesar do que afirmei no parágrafo anterior, não posso jurar que não lerei a trilogia ou não assistirei o filme.
Mulher é bicho curioso e, além do mais, a fantasia erótica de ser submisso (ou submissa) a um macho (fêmea) alfa ainda povoa a mente de muita gente, homens e mulheres, e é esse o nicho que "Cinquenta Tons de Cinza" pretende reconquistar.
Sim, reconquistar, já que livros  como "A História de O" (1954, Pauline Réage), um livro que também virou filme em 1975, já abordaram o tema no passado.

Aqui no Brasil, os direitos da obra foram recentemente adquiridos pela editora Intrínseca e o lançamento está previsto ainda para esse ano. Já a adaptação cinematográfica ainda pode demorar um pouco.

domingo, 23 de outubro de 2011

Notícias: Akira, Um Clássico do Mangá Japonês Ganhará Versão em Filme.

Numa mega-metrópole futurista, que poderia ser qualquer cidade do mundo, mas no caso da nossa história é Tokio reconstruída, após ter sido devastada por um evento psíquico provocado por uma criança com poderes telecinéticos, gangues de motoqueiros dividem suas vidas entre brigas com outras gangues e corridas insanas em suas motos. Quando um deles se vê envolvido, depois de um acidente, com um departamento secreto do governo e experiências secretas envolvendo crianças e seres humanos dotados de poderes psíquicos, seu amigo resolve resgatá-lo, mergulhando, junto com o espectador, no submundo de uma cidade governada por líderes corruptos e inescrupulosos. Quem hoje tem mais de 30 anos e não se lembra do sucesso da animação “Akira”, de 1.988, dirigido por Katsuhiro Ohtomo?

A animação encontra-se disponível para download na internet, eu vi e é excelente, mas parece que resolveram fazer uma versão da animação em filme e isso nos dará a oportunidade de assistir os personagens do violento e pós-moderno universo ciberpunk, criado por Katsuhiro Ohtomo, vividos por atores de carne e osso. Sempre acreditei que Akira daria um excelente filme de ficção se fosse bem adaptado para o cinema e parece que a Warner resolveu investir nesse projeto.
O estúdio comprou os direitos sobre a produção em meados de 2.008 e já investiu alguns milhões para regularizar normas jurídicas referentes a direitos autorais, criar um roteiro adaptado e finalmente dar o aval para o início da filmagem do longa. Porém o projeto que vem sendo levado a “passo de tartaruga” pela Warner, o que desagradou um pouco Albert Hughes (O Livro de Eli), convidado para dirigir o longa. A data prevista para início da filmagem é março de 2.012 e o orçamento do filme gira em torno de US$90 milhões (fonte: Variety). A adaptação ficará por conta de Steve Kloves, responsável por adaptar sete dos oito livros da série Harry Potter para a Warner.

Recentemente Albert Hughes desistiu da direção de Akira e o cargo ficou por conta de Jaume Collet-Serra (A Casa de Cera). A versão oficial para os sites de notícias, afirma que Albert Hughes preferiu se desligar por conta de “divergências criativas” com o estúdio, mas segundo boatos, o que pesou mesmo na decisão do diretor foi a lentidão da Warner para tocar o projeto, além das indicações fora de propósito de se pensar em contratar atores para os papéis principais; isso entre outras coisas, já que alguns nomes cogitados não se encaixam no perfil das personagens criadas por Katsuhiro Ohtomo.  Imagine que chegaram inclusive a pensar em Keanu Reeves para o papel de Kaneda e por aí você pode tirar uma idéia do que está rolando por aquelas bandas...¬¬ (Gente, pelamor, imagine um quarentão como o Keanu no papel de um motoqueiro adolescente? Que ridículo...).
Outros nomes cogitados para as personagens principais são: Robert Pattinson, Andrew Garfield e James McAvoy para o papel de Tetsuo e Garret Herdlund, Michael Fassbender, Chris Pine, Joaquim Phoenix e Justin Timberlake (socorro!) para o papel de Kaneda. Todos esses atores estão bem longe do perfil adolescente, porque _ Né?! _ são todos já homens feitos, mas enfim, o cinema é uma fábrica de ilusões e vamos esperar e ver se a adaptação fará justiça à animação de 1.988.

Alguns sites sobre cinema brasileiros estão escrevendo sobre essa notícia e sobre o roteiro da animação de Katsuhiro Ohtomo, mas lamentavelmente confundem Akira com Tetsuo ou com uma das crianças psíquicas que é atropelada logo no começo da história. Eita gente mal informada que escreve sobre aquilo que não conhece ou não lê: Akira, na animação de 1.988, havia sido dissecado pelo governo depois do cataclismo - criado por ele - que destruiu Tókio e só aparece no final, quando é reconstituído a forma original pelas crianças psíquicas. Pff! ¬¬

Enfim, vamos esperar, ter paciência e rezar para que tudo dê certo.  Akira tem todo um potencial para ser o Blade Runner do início do século XXI, so espero que esses empresários da Warner não estraguem tudo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Aprendendo a amar

Ultimamente a única coisa que me tocou e que me motivou a abrir o Word para escrever um post foi a chocante a história do pai e do filho agredidos no interior de São Paulo por conta de uma manifestação homofóbica da parte de um grupo de animais. Sim, animais. Desculpando-me aqui com os defensores dos nossos amigos bichos e afirmando que não tenho intenção alguma de ofender os animais, que, lógico, são basicamente seres que agem movidos por instinto.

Já a criatura que praticou o crime, também parece agir por instinto, porém aqueles mais baixos, mais baixos até que o de qualquer animal que conheço, se é que se pode classificar a atitude de seres humanos desse naipe como instintiva. O caso é que o homem mais velho e seu filho, confundidos com um casal homossexual, foram barbaramente agredidos e o pai teve sua orelha decepada a dentadas por um dos agressores. Quer dizer, eu não sou "psica" (sic) para analisar a carga de significado por trás do ato, bastante erótico, de morder a orelha de outra pessoa do mesmo sexo até decepá-la, mas existe sim uma carga de desejo reprimido nesse tipo de agressão. A orelha foi cordada a dentadas, num ato de agressão muito íntimo que caracteriza a maioria dos crimes passionais; aqueles crimes que envolvem geralmente pessoas que de alguma forma nutrem sentimento por outras e extravasam esse sentimento de forma negativa e fatal. Qualquer estudioso de casos criminais pode explicar isso. Quem age friamente mata a distância, usa armas de fogo, veneno e até bombas (no caso de atentados terroristas), porém as pessoas que praticam crimes passionais usam armas brancas ou o próprio corpo como instrumento de agressão e é tudo feito por impulso, em um ato desengatilhado pelo extravasamento no conflito de fortes sentimentos.

Aprendi isso há muito tempo, quando ainda era quase adolescente: O contrário do amor é a indiferença. O ódio nada mais é que o amor disfarçado de vilão da novela das oito. Então, desculpem os amigos que dizem não existir homofobia no Brasil e desculpem também aqueles que dizem sequer existir o conceito de homofobia, mas isso me parece sim, um crime motivado pelo medo e pelo ódio aos homossexuais. A pessoa, ou pessoas, que agrediram aquele pai e filho, porque supunham que eram um casal gay, possuem sim uma carga de homoeroticidade reprimida (e nem sei se existe o termo “homoeroticidade”, porém que se foda o léxico) e a manifestação dessa homoeroticidade teve seu clímax na mordida na orelha.

Tem certas coisas que eu não consigo entender. Certamente, pela estupidez ser algo incognoscível. Pior é que o caso do ataque no interior de São Paulo nem ganhou tanto destaque na mídia, certamente porque a família das vítimas se sentiu constrangida com a exposição e preferiu abafar o caso, mas, enfim, quem sou eu para julgar os motivos pelos quais eles resolveram se resguardar? Talvez estejam simplesmente com medo. Eu, no lugar deles, estaria, porém isso não me impede de me identificar com o drama, não só dessa família como de todos os homossexuais que eu conheço. Ou não. E acho que também é o momento de agir, de cruzar a linha e marcar posição, porque agir assim não se trata de militância, mas de exercício de cidadania. Eu não sou militante LGBTXYZ e nem tenho nenhuma pretensão a sê-lo, mas acredito que há momentos na vida em que você, mesmo não sendo parte de nenhuma “minoria” historicamente discriminada, tem que lutar pelos direitos deles. Direitos básicos que são garantidos a todos, mas a eles, por conta de erros históricos e perpetuação da ignorância, são negados. Eu não sou negra, nem homossexual, vivo no país em que nasci, não sou gorda, não uso óculos nem aparelho nos dentes, porém isso não me isenta de me sentir agredida com ataques contra essas categorias. E não estou falando de uma agressão fruto de um erro de avaliação, como no caso de São João da Boa Vista, falo de uso do bom senso, da razão e dos bons sentimentos. Onde eles ficam no coração dessas pessoas? Que tipo de doença social é essa que divide a sociedade em guetos onde bandos se perseguem e se agridem? Quando vejo o sofrimento e a ameaça sendo imposto ao meu semelhante, isso também me machuca, mesmo que eu não seja vítima de qualquer tipo de intimidação ou ameaça naquele momento, mesmo que não participe daquele grupo.

Se identificar com o sofrimento alheio chama-se empatia, uma característica bem humana e preciosa, porém muito fácil de se perder. Que o digam os antigos romanos que iam ao Coliseu para assistir seus semelhantes virarem ração de Leões, ou o pessoal que praticou a caça às bruxas na idade média. Tirar a humanidade e os direitos básicos de outros ser humano é o primeiro passo para perder a empatia, por isso o perigo de se omitir, quando se é necessário agir, é muito sério. Os animais sociais, como pássaros e os símios até se confortam nos momentos de angústia, mas somente o ser humano consegue atribuir significado ao sofrimento e redimir-se através dele. O dia em que perdemos a empatia pelos nossos semelhantes, perderemos também nossa humanidade e daí a atacar os outros a dentadas é apenas um passo. 

E se você é do tipo que se cala e que pensa “não é da minha conta”, me desculpe, mas você pode está errado. Você pode até não ter mordido a orelha de ninguém na sua vida, mas de certa forma também tem culpa pelas dentadas que seus semelhantes levam por aí, mundo afora: Quem se omite também tem responsabilidade.
Exercite sua empatia. Sempre.

"Primeiro vieram buscar os judeus e eu não me incomodei, porque não era judeu. Depois levaram os comunistas e também não me importei, pois não era comunista. Levaram os liberais e também encolhi os ombros. Nunca fui liberal. Em seguida os católicos, mas eu era protestante. Quando me vieram buscar, já não havia ninguém para me defender."
Martin Niemoller

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Adam Levine contra o câncer

Adam Levine - Clique para ampliar

Só agora, quase cinco meses depois, eu fiquei sabendo que o vocalista do Maroon 5, Adam Levine, posou semi-nu para uma campanha da Revista Cosmopolitan inglesa que visa alertar os homens sobre o câncer de testículos e próstata. Nas fotos o rapaz aparece nu, com apenas as mãos de sua atual namorada, a modelo Anne Vyalitsyna, cobrindo as partes estratégicas. Detalhe, aqui no Brasil a Cosmopolitan chama-se Nova, uma das revistas que eu mais abomino na face da Terra, depois da Caras, por isso nem fiquei sabendo da história e menos ainda da campanha. Para mim, isso cheira mais a jogada de marketing do que propriamente campanha de prevenção, mas enfim, quem sou eu para julgar o que se passa na cabeça dos outros? Desde já podem contar com meu total e irrestrito apoio a essa campanha, ainda mais com um gatão desses, todo tatuado e nu em pêlo, para ilustrar a dita cuja. :)

De acordo com pesquisas de órgãos relacionados a OMS, estima-se que em 2008 ocorreu 12,4 milhões de novos casos de câncer de próstata no mundo e mais de 1,6 milhões de óbitos por causa dessa doença. Na América Latina, estima-se 1 milhão de novos casos e 589 óbitos nesse mesmo período causados pelo câncer. Entre os homens, o principal tipo de câncer detectado foi o de próstata, seguido pelo de pulmão. A probabilidade de ocorrência de câncer, lógico, aumenta a medida que a espectativa de vida de uma população também cresce, já que o fator idade é um dos agravantes.

Já o câncer de testículo é mais comum em homens jovens, homens entre vinte e quarenta anos. Eu mesma, tive um amigo que faleceu vítima desse mal e ele tinha apenas dezenove anos quando descobriu o problema. O principal sintoma do câncer testícular é o aparecimento de um nódulo duro, geralmente indolor, aproximadamente do tamanho de uma ervilha em um dos testículos. Por isso a prevenção é semelhante a do câncer de mama: tem que apalpar as bolinhas, ou seja, geralmente durante o banho, o homem deve efetuar uma apalpação no órgão, delicadamente é claro, e procurar notar se a superfície do testículo se apresenta lisa e sem irregularidades duras. Diante da constatação de qualquer massa que não tenha sido verificada anteriormente, procurar um urologista. Já o exame de próstata deve ser feito anualmente, principalmente após os quarenta anos, somente em consultório com um urologista de confiança.
É nesse momento que eu acho que nós, mulheres, devemos conversar com nossos namorados, maridos, companheiros e conscientizá-los da importância de se prevenir. Quem ama, cuida e, entre os homens, ainda é muito grande o preconceito contra o exame de próstata, o qual pode detectar um dos tipos de câncer que mais mata homens no mundo. Fale para seu companheiro que hoje em dia é possível detectar o risco de desenvolver esse tipo de câncer através de simples exames de sangue. O exame de toque, apesar de constrangedor e desconfortável é indolor e só ocorre se o médico achar que é necessário, portanto, é mais do que hora de deixar qualquer tipo de preconceito de lado e cuidar da saúde.

No mais, contra as DSTs a prevenção é usar preservativo sempre e procurar um médico assim que algum sintoma estranho for detectado. Lembre-se: Preconceito é coisa de gente burra e desinformada. Cuide de sua saúde sempre e faça exames clínicos de prevenção regularmente. A prevenção e detecção de uma doença, principalmente do câncer, em seu estágio inicial é indispensável para o sucesso de seu tratamento e, em muitos casos, faz grande diferença entre morrer e continuar vivendo.

Agora, com vocês, Mr Lavine cantando:

domingo, 6 de março de 2011

Porque não é somente o peixe que morre pela boca...

Nas revistas de moda internacionais (e nacionais) não se fala de outra coisa: O bar La Perle, um pequeno e discreto café localizado no bairro do Marais, no número 78 da rue Vieille du Temple, há tempos havia se tornado palco usual das frequentes carraspanas protagonizadas pelo ex-estilista da Dior, John Galliano. Na última delas, o estilista inglês perdeu completamente o controle e se deu mal. Dominado pelo álcool e fora de seu juízo, o ex-estilista da Dior fez uma série de declarações antisemitas contra um grupo de pessoas, aparentemente sem motivo algum.

Infelizmente para ele, um dos presentes filmou tudo e divulgou para a imprensa, o que consequentemente causou a sua imediata demissão da Dior, além do inevitável processo por racismo, já que o Ministério Público Frances entrou com um pedido contra ele por racismo e antissemitismo, logo em seguida a divulgação da história. Se condenado, Galliano podera pegar uma pena de até seis meses de prisão, além do pagamento de uma multa de 22.500 euros.

Porém, o processo será o menor de seus problemas. A demissão sumária de John Galliano da Dior e sua "crucificação" pela mídia mundial ilustra perfeitamente como a vida de alguém pode dar uma guinada de 180º e virar de pernas para o ar por conta de declarações impensadas e comportamentos de estrelismo.
Nessas horas a opinião pública não perdoa e quem conhece a tragetória de vida de Galliano, homossexual assumido, alguém que lutou muito para chegar ao topo por conta exclusiva do próprio talento, só pode lamentar e ficar triste vendo aquele homem solitário e infeliz sentado em uma mesa de um bar obscuro, dirigindo insultos pesadíssimos com voz pastosa e atitude beligerante.

Embora não seja a mesma coisa, o que está acontecendo atualmente com John Galliano me lembrou um pouco o que aconteceu com Coco Chanel, outro ícone da moda mundial. Acusada de ser colaboracionista durante a II Grande Guerra, por conta de seu envolvimento amoroso com um oficial alemão, Mlle. Chanel só foi salva da morte por conta da intervenção pessoal de seu amigo, Wiston Churchill. Presa, foi libertada num curto período de apenas três horas, quando achou melhor sumir e tirar umas convenientes férias na Suíça até a poeira abaixar. Chanel conseguiu voltar tempos depois e reconquistar o prestígio perdido, embora naquela época não existisse internet e nem as notícias e a mídia tivessem o poder arrasador que tem nos dias atuais.

Quanto a Galliano, acho que será mais difícil dar a volta por cima. Ele admitiu que errou e confessa arrependimento, entretanto, para o público que testemunhou uma das mais famosas estrelas da moda atual vivendo seu dia de lama, atacando com asserções provocativas pessoas desconhecidas e declarando amor por Adolf Hitler, talvez o perdão não venha tão facilmente.