Ano de lançamento: 1965; gênero: Drama/Guerra. Direção: Valerio Zurlini; Elenco: Anna Karina (Alphaville), Lea Massari, Marie Laforêt, Tomas Milian, Mario Adorf, Valeria Moriconi, Aleksandar Gavric, Rossana Di Rocco, Milena Dravic, Guido Alberti, Mila Stanic.Lançado em DVD em 2009, Mulheres no Front aborda basicamente o dilema da miséria moral provocada pela guerra. Numa Grécia ocupada pelos soldados italianos durante a Segunda Guerra Mundial, Valério Zurlini, nos apresenta a história de um grupo de mulheres gregas que se vendem - corpos e dignidade - aos invasores em troca de um pouco de comida. Ou seja, é uma história basicamente sobre sobrevivência e os sacrifícios. E miséria.
Na história, o grupo de mulheres aliciado para prestar esse “serviço” é bem heterogêneo e incorpora desde sonhadoras românticas como Elenitza (Anna Karina) à patriotas como sua amiga, Eftikia (Marie Laforêt), a qual, cada vez que se deita com um soldado, se sente como traidora a serviço do inimigo. No meio desses dois extremos de comportamento, talvez para contrabalançar os estereótipos representados pelas amigas Elenitza e Eftikia , temos Toula (Lea Massari) – uma mulher que eu classificaria como “prática” e que sem maiores problemas ou dilemas morais, transa com qualquer um, não importando-se se ele é um soldado fascista ou não. Toula é daquele tipo que eu costumo chamar de “folha ao vento”. Ela não resiste a onda, mas deixa-se levar por ela e, se possível, surfa até chegar à praia.
Nesse filme o clima é de desencanto total. Mulheres no Front não é definitivamente um filme sobre heroísmo ou patriotismo, menos ainda um filme sobre feminismo. O seu principal objetivo é denunciar um dos inúmeros abusos cometidos contra a população civil durante a Segunda Guerra Mundial e, no que diz respeito a essa função, tudo é feito com eficiência e senso artístico dignos de Valério Zurlini.
Entre os homens, a personagem mais interessante na minha opinião é a do Tenente Martini ( Tomas Milian) responsável pela inglória missão de fornecer mulheres para os soldados que estão no front de batalha, tarefa que ele cumpre com evidente desprazer, embora, como todo soldado honrado, seja extremamente profissional no desempenho dessa função. Imagino que para um homem como o Tenente Martini, tal tarefa se mostre humilhante, indigna de um soldado, porém um soldado honrado não tem escolha, precisa cumprir sua missão. É isso ou a deserção, vergonha ainda maior. Viajando ao lado do Tenente Martini, de carona em seu caminhãozinho velho (o meio de transporte das mulheres tratadas como mercadoria), está o seu companheiro de farda, o Major Castagnoli ( Mário Adorf), um tipo tão superficial quanto Toula e que não parece sofrer nem um pouco com o dilema moral que atormenta o seu companheiro de farda.
Mulheres do Front não é aquele tipo de filme que você assiste e depois suspira, encantada com o enredo romântico por trás da História; longe disso, ele promove por trás de todo aquela tristeza e desencanto uma oportunidade para o espectador pensar sobre os dilemas morais enfrentados pelo ser humano quando confrontado com uma adversidade maior que ele. Nota 8.
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