quinta-feira, 3 de março de 2011

Necrologia - Fevereiro 2011


Luto no meio literário: Nem deu tempo de comentar aqui sobre o falecimento de Moacyr Scliar e Benedito Nunes, porque eu só soube do ocorrido pelo Twitter, dias depois. Faleceram ambos no mesmo dia, último domingo, dia vinte e sete de fevereiro. O primeiro de falência múltipla dos órgãos (conseqüência de um AVC) e o segundo de hemorragia estomacal.

Ambos são considerados uma grande perda para a área da literatura brasileira contemporânea, mas lamento especialmente pelo escritor gaúcho, Moacyr Scliar, homem gentil, educado e pessoa muito querida no meio por todos aqueles que o conheciam pessoalmente.
Moacyr Scliar, apesar de ser médico sanitarista de formação, era escritor pelo coração; um homem que sempre arranjava um jeito de se dedicar a arte de escrever e contar histórias. Ele foi autor de diversas obras literárias, as mais diversas, entre romances, contos, crônicas, livros infantis, ensaios e traduções e ganhador de diversos prêmios por conta de sua contribuição para a literatura brasileira.

Trabalhou durante 15 anos como colunista do Jornal Zero Hora, onde, lógico, falava especialmente sobre os assuntos que gostava e dominava: medicina, literatura e fatos do cotidiano.
Um de seus romances - Um Sonho no Caroço do Abacate - foi adaptados para o cinema e chegou até nós com o nome de "Caminho dos Sonhos", estrelado por atores e atrizes conhecidos do grande público de novelas, tais como: Tais Araújo, Mariana Ximenes, Caio Blat e Caco Ciocler, entre outros. Esse filme também foi a estréia como diretor de Lucas Amberg, cineasta brasileiro.

Moacyr Scliar era membro da Academia Brasileira de Letras, o sétimo ocupante da Cadeira nº 31, eleito em 31 de julho de 2003 e sucessor de Geraldo França de Lima. No site da página da ABL podemos ter acesso a lista de sua pletora produção literária (bibliografia). R.I.P., Moacyr  Scliar, descanse em paz.


Já o paraense Benedito Nunes era crítico literário, professor, escritor, ensaísta e filósofo, um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará e Professor Emérito da Universidade dessa universidade, já em 1998. Admirador de vários escritores brasileiros, tinha especial predileção pela obra de Clarice Lispector, a qual chamava simpatica e carinhosamente de "Dona Clarice", escritora considerada por ele como principal fonte de inspiração.

Conhecido e admirado por seus hábitos simples, ele era um homem de baixa estatura, apenas 1,60 m, mas considerado no meio como um dos maiores filósofos/pensadores brasileiros. Ganhou o Prêmio Jabuti em 1987, na categoria "Estudos Literários", com a obra: Passagem para o Poético - Filosofia e Poesia Heidegger (Editora Ática, São Paulo, 1986).

Obs: Já o povão no Twitter, comentava mesmo era a morte da ex-socielite  e ex-mulher de Chiquinho Scarpa, Carola de Oliveira, provavelmente de anorexia e outras complicações decorrentes desse mal que afeta  cada vez  mais mulheres no mundo.

3 comentários :

Marcus Pessoa disse...

Assisti a algumas palestras de Benedito Nunes. Ele tinha uma erudição, digamos, "natural", sabe? Emendava um assunto no outro na maior tranquilidade, sempre com conhecimento de causa, e sem nunca parecer pernóstico. Falava e escrevia de forma simples, didática. Era um verdadeiro sábio.

Carol disse...

Grande perda. Moacir era um dos meus escritores brasileiros preferidos. Adoro aquele sobre a história da mulher que escreveu a bíblia.

O autor vai, sua obra fica.

Bj

Ollie disse...

Marcus » A verdadeira sabedoria geralmente vem embalada na simplicidade. Benedito Nunes era um Mestre.

Carol » Ele também era um dos meus favoritos. Vai deixar saudade, mas sua obra permanecerá e não será esquecida.

bjs,