domingo, 6 de março de 2011

Porque não é somente o peixe que morre pela boca...

Nas revistas de moda internacionais (e nacionais) não se fala de outra coisa: O bar La Perle, um pequeno e discreto café localizado no bairro do Marais, no número 78 da rue Vieille du Temple, há tempos havia se tornado palco usual das frequentes carraspanas protagonizadas pelo ex-estilista da Dior, John Galliano. Na última delas, o estilista inglês perdeu completamente o controle e se deu mal. Dominado pelo álcool e fora de seu juízo, o ex-estilista da Dior fez uma série de declarações antisemitas contra um grupo de pessoas, aparentemente sem motivo algum.

Infelizmente para ele, um dos presentes filmou tudo e divulgou para a imprensa, o que consequentemente causou a sua imediata demissão da Dior, além do inevitável processo por racismo, já que o Ministério Público Frances entrou com um pedido contra ele por racismo e antissemitismo, logo em seguida a divulgação da história. Se condenado, Galliano podera pegar uma pena de até seis meses de prisão, além do pagamento de uma multa de 22.500 euros.

Porém, o processo será o menor de seus problemas. A demissão sumária de John Galliano da Dior e sua "crucificação" pela mídia mundial ilustra perfeitamente como a vida de alguém pode dar uma guinada de 180º e virar de pernas para o ar por conta de declarações impensadas e comportamentos de estrelismo.
Nessas horas a opinião pública não perdoa e quem conhece a tragetória de vida de Galliano, homossexual assumido, alguém que lutou muito para chegar ao topo por conta exclusiva do próprio talento, só pode lamentar e ficar triste vendo aquele homem solitário e infeliz sentado em uma mesa de um bar obscuro, dirigindo insultos pesadíssimos com voz pastosa e atitude beligerante.

Embora não seja a mesma coisa, o que está acontecendo atualmente com John Galliano me lembrou um pouco o que aconteceu com Coco Chanel, outro ícone da moda mundial. Acusada de ser colaboracionista durante a II Grande Guerra, por conta de seu envolvimento amoroso com um oficial alemão, Mlle. Chanel só foi salva da morte por conta da intervenção pessoal de seu amigo, Wiston Churchill. Presa, foi libertada num curto período de apenas três horas, quando achou melhor sumir e tirar umas convenientes férias na Suíça até a poeira abaixar. Chanel conseguiu voltar tempos depois e reconquistar o prestígio perdido, embora naquela época não existisse internet e nem as notícias e a mídia tivessem o poder arrasador que tem nos dias atuais.

Quanto a Galliano, acho que será mais difícil dar a volta por cima. Ele admitiu que errou e confessa arrependimento, entretanto, para o público que testemunhou uma das mais famosas estrelas da moda atual vivendo seu dia de lama, atacando com asserções provocativas pessoas desconhecidas e declarando amor por Adolf Hitler, talvez o perdão não venha tão facilmente.

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