terça-feira, 11 de outubro de 2011

Fright Night - A Hora do Espanto

Fright Night (A Hora do Espanto);  Ano:2011; Direção: Craig Gillespie; Elenco: Colin Farrel, David Tennant, Toni Collette, Anton Yelchin, Imogen Poots, Christopher Mintz-Plasse.

Que mulher não gostaria de ter um bonitão feito o Colin Farrel como vizinho? Toni Collette tem essa oportunidade quando Jerry, seu novo vizinho, muda-se para a casa ao lado, mas, como nem tudo no mundo é perfeito, seu filho (Anton Yelchin) descobre que o misterioso vizinho envolto numa aura de perigo e sedução é na verdade um vampiro sanguinário cujo objetivo é converter todos os seus amigos e conhecidos em vampiros, inclusive, claro, sua mãe.

Remake de um filme de 1985 que teve, entre outros, Chris Saradon (ex-marido de Susan Saradon) e Roddy Mc Dowal no elenco, essa nova versão nos trás Colin Farrel – mais gostoso impossível – no papel do vizinho vampiro e David Tennant - ex-protagonista do seriado britânico “Doctor Who?” - no papel do caçador-de-vampiros. Toni Collette interpreta a mãe de Charlie (Anton Yelchin) e sua bela namorada é interpretada pela jovem atriz britânica, Imogen Poots. O filme ainda conta com uma participação especial de Chris Saradon no papel de uma das vítimas do vampiro.

Uma coisa que me incomodou um pouco - não somente eu, como outras pessoas também - foram as cenas noturnas; elas eram tão escuras que prejudicaram a visualização do que acontecia na tela. Quanto ao roteiro do remake, dirigido por Craig Gillespie, apesar de preservar a idéia do roteiro original ( de Tom Holland), tem algumas mudanças bem-vindas, particularmente no que diz respeito à origem de Peter Vincent  e a relação de amizade entre Charlie e seu amigo Ed (Christopher Mintz-Plasse). Outra mudança mais que bem-vinda e que agradarão minhas amigas feministas é que a namorada e a mãe de Charlie também não são mais as mocinhas em perigo do filme original; no novo elas são mulheres fortes e decididas, que inclusive salvam a vida de Charlie, mais de uma vez, em uma das sequências mais eletrizantes da história.

David Tennant dá uma nota toda especial de humor negro à personagem que interpreta e está bem à vontade no seu papel de especialista em vampiros atrapalhado, covarde e fanfarrão que só resolve enfrentar seus medos, depois que descobre que a família de Charlie esta prestes a ter o mesmo destino na sua; Toni Collette também não se sai mal como mãe de Charlie, apesar de sua participação na trama ser secundária; quanto a Colin Farrel, o qual sabemos ser um bom ator, ele pareceu-me estar um pouco desconfortável no papel, como alguém que estivesse fora de seu ambiente. Bem, alguns atores nutrem certo preconceito contra o gênero “terror” e talvez Colin sinta-se um pouco constrangido ao participar de um filme do gênero. O caso é que ele exagera um pouco nas caras e bocas e seu vampiro fica um pouco caricato, enquanto que o vampiro original era mais sutil e, talvez por isso, mais assustador.

Como vivemos no século XXI e as sutilezas foram abandonadas e substituídas, dando lugar a uma crueza quase pornográfica, baldes de sangue e cenas de mutilações não faltam nesse remake, porém ainda acho que o original, apesar da caracterização datada das personagens, é bem melhor.
Essa nova versão, apesar de contar com um bom elenco e mesmo roteiro, não ficou tão boa quanto o original e dificilmente se tornará "cult", como aconteceu no passado. Parece que falta alma a esse remake, como se ele fosse também um morto-vivo, simples cópia bonitinha e sem conteúdo de algo mais valioso. Sei lá, acabei de ver os dois filmes (Fright Night I e Fright Night II) no Youtube e achei esse remake meio... Bleh!

Que o grande público não curtiu tanto quanto o público de 1986, isso é verdade, porque o remake de Fright Night não foi muito bem nas bilheterias dos EUA e, talvez, o isso se repita também por aqui. Culpar autores e autoras de livros, enredos de cinema e seriados de TV que usam vampiros e monstros no papel de anti-heróis com problemas existenciais pode ser precipitado e injusto, mas acho mesmo que o público se viciou no estereótipo do “vampiro sangue-bom” para apreciar algo que mostre a lenda sob outro contexto que não aquele desenvolvido em romances soft-porn-água-com-açúcar que se vendem em bancas de jornal. Uma pena.

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