quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Van Helsing, O Caçador de Monstros
Título Original: Van Helsing; Ano de Lançamento: 2004; Direção e Roteiro: Stephen Sommers; Gênero: Aventura/Ação; Elenco: Hugh Jackman (Gabriel Van Helsing), Kate Beckinsale (Anna Valerious), David Wenham (Carl), Richard Roxburgh (Conde Drácula), Will Kemp (Velkan Valerious), Shuler Hensley (Frankenstein), Elena Anaya (Aleera).
Dia desses passou o filme “Van Helsing, o Caçador de Monstros” na TV e, por curiosidade, resolvi ler críticas de cinema antigas sobre ele na internet. Fiquei basbaque. Depois de ler três ou quatro, a última delas nem perdi tempo de abrir, concluí que boa parte dos críticos de internet não parecem ter muita idéia do que escrevem, ou, se tem, não entendem muito bem o que significa a palavra “crítica”, porque, vamos combinar, a maioria crucificou Van Helsing por motivos absolutamente irrelevantes.
Direção: Critica-se a direção de Stephen Sommers, mas eu penso que dentro do que se propôs a fazer, ele atingiu seus objetivos. Não é um gênio, mas tem talento para filmes desse tipo, já que dirigiu filmes parecidos, como "A Múmia" e "O Retorno da Múmia" onde trabalhou com atores canastrões e atrizes sem muito destaque e mesmo assim produziu entretenimento e humor para o público alvo.
O valor da produção: Tive preguiça de pesquisar se o filme deu lucro ou não, mas lembro que na época que foi lançado, ele bombou, pelo menos nos EUA. Não deve ter sido nenhum recorde de bilheteria, mas, enfim, se Hollywood apostou que o charme e o carisma dos monstros mais queridos do mundo (Vampiro, Lobisomen e monstro de Frankstein) seriam suficientes para carregar um roteiro fraco nas costas, não posso contradizê-los. Eu, que sou fã do gênero terror, gostei de ver os três juntos, não posso negar.
Roteiro: É óbvio que o diretor Stephen Sommers (A Múmia) não teve pretensões de dirigir nenhum filme que levasse o espectador a ficar enlevado com o enredo, roteiro, profundidade psicológica das personagens e, menos ainda, a magnífica interpretação dos atores. Aliás, penso que ao sair de casa com seus filhos para assistir um filme intitulado “Fulando de Tal, o caçador de monstros”, provavelmente seu último objetivo é ver um filme digno de receber o Oscar de melhor roteiro ou de melhor filme. É como pegar o DVD do filme “O ataque dos Tomates Assassinos de Marte” e depois ficar xingando por aí que viu um monte de merda. Fala sério.
As armas do Van Helsing e outras incongruências históricas do filme: Outra vez, os críticos esqueceram que estamos falando de um filme feito especificamente para adolescentes e pré-adolescentes. Van Helsing, apesar de ser um filme de “monstros”, sequer dá medinho. Tanto essa afirmação é verdadeira que aqui em casa as crianças com mais de onze anos nem se assustaram com ele, pelo contrário, acharam tudo “da hora”, “muito legaus”, etc.
Como o filme se presta a fazer homenagens , o diretor faz referências a vários filmes e personagens famosos, provavelmente dos quais ele também é fã. Não somente os filmes de monstro da década de 30 – magistralmente homenageados na seqüencia em preto e branco no início da história -, mas também aos filmes de espião, como 007. Daí, lógico, as armas mirabolantes e ultra modernas usadas por Van Helsing para combater Drácula e outros monstros, algumas delas tão modernas que sequer seriam sonhadas no século XIX, época em que a história se passa. Uma bomba luminosa capaz de simular a luz do sol, por exemplo, não foi inventada até os dias de hoje, então, me poupem, porque nada do que diz respeito ao armamento de Van Helsing deveria ser levado a sério.
Teve um crítico que achou absurdo a seqüencia de perseguição onde uma carruagem cai do penhasco e explode como um carro cheio de gasolina... Oi? Será que ele se lembra de que a tal carruagem era uma armadilha para as noivas de Drácula e estava recheada de explosivos (nitroglicerina)? Pois é, tem gente que se propõe a criticar, mas nem presta atenção ao que está vendo...(Às vezes eu penso que esse pessoal sequer assiste aos filmes que critica).
Os atores: Hugh Jackman não é um dos melhores atores da atualidade. Ele é bonitão, másculo, tem aquele peito musculoso e peludo que... - Ui! -, mas definitivamente não é nenhum prodígio em interpretação. As semelhanças entre sua personagem nesse filme e o Wolverine de X-Men (quadrinhos) é mais que mera coincidência (ambos são másculos, brutos e não se lembram do passado, por exemplo) e é óbvio até para a mais imbecil das criaturas que Jackman foi escalado para viver Van Helsing apenas pelo sucesso de outro filme para jovens: “X-Men, o Filme”. Pessoal queria que eles escalassem quem? O Wood Allen? Ai, sim, seria cômico ver o ator/diretor caçando monstros pelas ruas de Nova Iorque.
Kate Backinsal (Anna Valerious), Richard Roxburgh (Drácula), Will Kemp (Lobisomem) e Shuler Hensley (Frankenstein), também não estão ali por conta de seus talentos interpretativos. Duh!
O figurino, a maquiagem e os cabelos impecáveis de Kate Backinsal: É óbvio que se o objetivo é cativar pela beleza (adolescentes deixam-se influenciar muito por ela), a mocinha e até mesmo as vilãs (exceto quando não se transformam em morcegos gigantes) estão sempre belíssimas e bem arrumadas, imagino que até perfumadas, mesmo nas sequências mais sujas e sanguinolentas do filme. Bicho, quer realidade vai assistir documentário jornalístico da BBC ou da National Geografic, que saco.
O fato do filme parecer um videogame gigante: sem comentários, se você leu até aqui e, óbvio, é leitor desse blog, eu imagino que você tenha mais de dois neurônios na cachola e eu não precise repetir de novo qual é o público alvo do filme e DO QUE esse público gosta.
A falta de feeling e o clima de romance light entre os protagonistas: Oi? De novo? Quem é o público alvo do filme mesmo? Você acha que papai e mamãe norte-americanos permitiriam que seus pimpolhos assistissem um filme onde os protagonistas transam ou mostram explicitamente partes da anatomia dos atores? Dê-se por feliz pelo decote da Kate Backinsal ou pelo peito nu de Jackman e Will Kemp, querido.
Enfim, a única crítica do filme que mais se aproximou da minha opinião pessoal foi a do Celso Sabadin: “Para curtir Van Helsing em toda a sua intensidade, um fator dos mais importantes - fora a pipoca - é não levar o filme a sério. Mesmo porque ele próprio não se leva."
É isso. Uma pena que os nossos críticos de cinema sejam tão mal-humorados e ignorantes. Quem se presta a fazer alguma coisa desse tipo deve ter, além de um mínimo de cultura e conhecimento sobre o que está escrevendo, capacidade de ver o lado humorístico das coisas. Ter que explicar filme para crítico de cinema é como explicar piada para quem não entendeu a malícia por trás dela: o cúmulo da vergonha alheia.
Update: pode ser o caso do crítico ter achado a piada por trás do filme extremamente sem graça, mas na maioria das vezes eu já percebi que nesses casos o problema está mais na pessoa do que na falta de humor da piada. Enfim. Gosto pessoal, cada um com o seu.
Postado por
Ollie
às
14:04
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cinema

Um comentário :
Oi concordo com tudo que escreveste, amei esse filme e os meus filhos também, é realmente uma pena que esses críticos sejam tão estranhos e mal humorados, o comentário sobre a parte da carruagem explodir...ele com certeza não assistiu o filme, é impossível não ter visto aquele monte de coisas para explodir dentro dela no momento que a vampira abre a porta. Abraços. Mônica
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