Beastly (A Fera), Ano (2010); Direção: Daniel Barnz; Roteiro: Daniel Barnz e Alex Flinn; Elenco: Alex Pettyfer, Vanessa Hudgens, Mary-Kate Olsen, Neil Patrick Harris, Lisa Gay Hamilton, Peter Krause, Dakota Johnson, Erik Knudsen e Gio Perez.
Beastly é uma adaptação do antigo conto de “A Bela e a Fera” para os dias atuais, estrelado pelo ator/modelo, Alex Pettyfer, no papel de Kyle Kingston/Hunter, e a musa de High School Musical, Vanessa Hudgens, no papel de Linda.
A história contada no filme é basicamente aquela que conhecemos do conto-de-fada francês publicado por Gabrielle Suzanne Barbot, Dama De Villeneuve, em 1740. Esse conto, por sua vez, parece nos remeter a uma mitologia ainda mais antiga, a história de Psiquê (se você não conhece, google it, porque né? Não sou obrigada), muito embora o conto francês só guarde semelhanças com a história mitológica nos seus capítulos iniciais, quando Bela é feita refém de um anfitrião invisível em um lugar luxuoso.
Como a história da Bela e da Fera é conhecida de quase todos, acho que não é spoiler contar basicamente um resumo do filme.
Nele, Kyle Kingston (Pettyfer) é um jovem rico e mimado que cultiva uma idéia completamente equivocada do que é ser uma pessoa de sucesso. Popular por conta de seu dinheiro, boa aparência e inteligência, ele se aproveita disso para humilhar os colegas e pessoas mais humildes. Porém, o rapaz se dá mal quando mexe com Kendra (Mary-Kate Olsen), sua adversária na eleição para representante do colégio. Para azar de Kyle, Kendra não é uma garota comum, mas uma feiticeira. Ela lança sobre o jovem mimado uma maldição e ele fica cheio de deformidades e cicatrizes, que se tornarão definitivas, caso ele não encontre no período de um ano, alguém que o ame verdadeiramente.
Depois de perder aquilo que julgava a chave para seu sucesso – a boa aparência – Kyle descobre que era intimamente desprezado e, até mesmo, odiado pelos amigos e ex-namorada. Sua única esperança reside no único sentimento realmente puro que sentiu na vida, quando ainda não estava amaldiçoado, pela colega de colégio, Linda Taylor (Vanessa Hudgens). O filme cumpre bem o seu papel de recontar um conto de fadas como uma história contemporânea. Isso se levarmos em conta a existência de bruxarias e mágicas, claro. Nesse ponto o roteiro não tenta adaptar nada.
Sobre os atores, os protagonistas se esforçam e fazem um belo trabalho, Mary-Kate Olsen aparece muito pouco para se fazer uma avaliação sobre ela; Vanessa Hudgens continua ainda muito água-com-açúcar para o meu gosto, sua atuação é no máximo “correta”, mas não empolga; notável mesmo é a atuação do jovem Alex Pettyfer. Comparando com atuações sem-graça e o rosto inexpressivo de ídolos juvenis como Robert Pattinson e Daniel Radcliff, por exemplo, o garoto é quase um Paul Newman juvenil. Tem um olhar expressivo e consegue transmitir o conflito entre uma atitude brutal, como humilhar a empregada, e ao mesmo tempo deixar transparecer uma sombra de culpa no olhar, como se aquela atitude o ferisse, mais que o alvo de suas críticas. Outra coisa que admirei no ator foi o sacrifício que ele faz pela caracterização da personagem. Não consigo imaginar Pattinson ou Radcliff atuando durante 90% do filme com a cabeça raspada e o rosto bonito coberto por cicatrizes e tatuagens horrendas. Porém, muitas vezes durante o filme, Alex Pettyfer me deixou com vontade de pegar o Hunter (Kyle, transformado em monstro) no colo e enche-lo de beijinhos, apesar da asquerosa caracterização como neonazista da periferia.
No Brasil, o filme ainda não entrou em cartaz, mas quando entrar, se você é do tipo que gosta de histórias de amor com final feliz, de preferência aqueles que passam mensagens morais, assista.
Afinal de contas, os contos de fada serviam basicamente para isso. Nota 8.

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