Thor - Ano: 2011; Direção: Kenneth Branagh; Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston , Stellan Skarsgard, Colm Feore, Ray Stevenson, Anthony Hopkins, Rene Russo, Kate Dennings e Adriana Barraza. Eu confesso, assisti Thor só por conta do interesse despertado pelo Chris Hemsworth, ator australiano de soaps operas (Home and Away) e conhecido do público por interpretar George Kirk no filme Star Trek (2009).
Filmes sobre super-heróis estão na moda, mas geralmente não fazem a minha cabeça. Thor, infelizmente, não fugiu a regra. Kenneth Branagh se revelou um diretor de filmes de ação eficiente, há cenas de luta bem montadas e também um certo elemento de humor, particularmente no início da trama. Já a história principal tem todo um viés teatral, digno de Shakespeare, ao mostrar nosso herói como vítima das tramas palacianas de seu irmão adotivo, Loki, o deus do fogo e também da trapaça. No mais, podemos resumir tudo basicamente como: "Príncipe mimado e inconseqüente de outro mundo, herdeiro de um trono, é desacreditado diante do seu pai por conta da traição de seu irmão invejoso e é banido para um outro planeta, onde conhecendo o verdadeiro amor, aprende o significado da palavra heroísmo."
Basicamente a história é simples e a trama novelesca, algo que não deve ter sido um desafio para o ator Chris Hemsworth, uma vez que ele é era em seu país um ator basicamente de novelas, popularmente conhecidas como soap operas. Não se pode esperar grandes interpretações, afinal de contas é um filme de super-herói, onde se prioriza a ação e os efeitos especiais em detrimento do talento interpretativo dos atores.
Porém não podemos negar que o filme é uma boa adaptação, o que não se pode dizer de todos os filmes de super-héroi trazidos para a grande tela. A forma encontrada pelos roteiristas para transportar toda a mitologia nórdica sobre o herói da Marvel Comics para as telas do cinema sem entrar em conflito com o entendimento do espectador que não é fã de quadrinhos é digna da nota. Em Thor, tiveram a brilhante idéia de mostrar Asgard não como um plano divino, além do tempo e do espaço, mas como um planeta alienígena, uma espécie de Krypton Nórdico, onde alta tecnologia extraterrestre e hábitos remanescentes de uma corte medieval viking do século X convivem em plena harmonia. Ficou bonito. E plausível, se você não levar em consideração que alienígenas não poderiam ser tão parecidos fisicamente conosco, como são os habitantes de Asgard. Porém de outra forma, seria mais difícil para o grande público entender quem são Odim, Freya e Thor, se eles fossem mostrados no cinema como são mostrados nos gibis, ou seja, como deuses nórdicos.
Anthony Hopkins está muito confortável no papel de Odin; o ator britânico, Tom Hiddleston, interpreta um convincente Loki atormentado pelo ciúme fraterno e Chris Hemsworth convence como herói – ou super-herói – viking, Thor.
Logico que não dá para julgar seus talentos interpretativos somente por esse trabalho, mas ele me pareceu ser um bom ator. Não é um homem bonito, mas tem um rosto expressivo e agradável, o que para um ator é bem melhor que ter somente rosto bonito (como alguns que conhecemos por aí). O papel de Thor, aliás, parece ter sido talhado para ele. Pesquisando na internet notei que Chris Hemsworth passou por toda uma transformação cosmética para interpretar Thor. Isso, aliada à sua estrutura óssea massiva, se adaptou perfeitamente à imagem que os fãs tem do super-herói. Tiraram também o ridículo capacete com asisnhas que o super-herói usa nos quadrinhos. Um ponto positivo para quem transportou a personagem dos quadrinhos para o cinema.
Aliás, no que diz respeito a aparência, só uma coisa me incomodou no visual do super-herói: Acho que o ator depilou o peito e as axilas para a única cena onde Thor aparece sem camisa, porque eu posso dizer que nunca vi um torso tão liso e macio que não tenha sido depilado com cera quente. Obviamente Hemsworth não parece ser do tipo peludo, mas na cena em questão, parecia um bebezão gigante e ficou meio ridículo. Li numa entrevista que o próprio Chris admitiu ter malhado bastante para não ficar “murcho” dentro da armadura de Thor. Nesse ponto, no que diz respeito a caracterização das personagens e do ambiente mitológico, o filme ficou quase perfeito. Nota 7.
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