segunda-feira, 20 de junho de 2011

Lembranças (Remember me)

Título Original: Remember Me; Ano: 2010; Gênero: Drama/Romance; Direção: Allen Coulter; Roteiro: Will Fetters; Elenco: Robert Pattinson, Pierce Brosnan, Emilie de Ravin, Chris Cooper. (*) Atenção, contém spoillers

Só para não passar a imagem de alguém implicante, eu resolvi assistir nesse último final de semana esse filme estrelado pelo queridinho das adolescentes hematófagas, Robert Pattinson, o eterno Edward de Crepúsculo. Queria ver se o ator realmente dá conta de interpretar uma personagem mais normal, que dispensa o uso de pankake e suspiros teatrais para enfatizar o quanto está triste (chateado, aborrecido, irritado, etc.).

O que posso dizer sobre o filme? O roteiro é clichê (riquinho em crise existencial com a família e bleh), mas até aí, quase todo roteiro de Hollywood é basicamente sustentado pelo uso de clichês, isso não é definitivamente um problema. O problema com Remember Me é que Will Fetters não desenvolve suficientemente a trama e você fica ali, sentindo que sua cara de bunda não é somente resultado de uma cirurgia nos olhos que você fez no dia anterior.
Remember Me parece feito de flocos de isopor, as emoções do espectador ficam sempre na superfície, e você se pega incapaz de se aprofundar ou desenvolver cumplicidade ou empatia pelas personagens, por mais que a história mostre elas como vítimas ou sofredoras angustiadas. Algumas cenas são supérfluas, as cenas iniciais, por exemplo, nas quais o espectador testemunha o assassinato da mãe de Ally, poderiam perfeitamente ter sido editadas ou cortadas e o seu trauma apresentado ao espectador de outra forma, através de lembranças (oi? O título do filme) ou até mesmo pesadelos. Então creio que perdeu-se um tempo precioso com uma cena que poderia ter sido resumida, já que a mãe da moça só aparece ali para ser morta e fim de papo.

Tyler (Pattinson) também é refém de uma experiência traumática. Quando ainda era pré-adolescente, ele foi a primeira pessoa a encontrar o cadáver de seu irmão depressivo e suicida e culpa o pai, um workaholic de Wall Street, por conta disso. Nhé! O roteirista Will Fetters deveria levar uma dedada no fiofó por gastar mais tempo do filme tentando mostrar a relação tensa entre Tyler (Robert Pattinson) e seu pai (Pierce Brosnan) do que tentando contar uma história que consiga captar a cumplicidade e desenvolver a empatia do espectador. Sério, tem horas que dá vontade de gritar, “okay, a gente já percebeu que o pai tem dificuldades de expressar sentimentos e que o filho se ressente com isso, poxa!”, mas tudo bem, dá para suportar o roteirista batendo nessa tecla até quase o final e sem ceder a tentação de enfiar o dedo na tecla “fwd” para pular as partes chatas .
No meio do filme, Tyler e Ally já se encontraram, saíram juntos, se amaram, ela descobriu as mentirinhas dele, brigaram, se reconciliaram e, de repente, você percebe que o drama dela fica sempre em segundo plano. Aparentemente, tirando o medo que ela sente de andar de metrô, Ally é bem mais madura que Tyler e superou seu trauma melhor que ele. O filme também aborda a relação dele com a irmã caçula, uma garota superdotada que sofre de bullying na escola. Juro por Deus que se senti mais tocada pelo drama da menina sofrendo bullying das riquinhas escrotas, que pelo drama amoroso vivido por Tyler e Ally. O filme só começa a ficar interessante no último terço, quando tudo parece se resolver e você pensa, “nossa, agora todo mundo vai ser feliz e tal”, mas então Will Fetters resolve adicionar mais um elemento dramático e Tyler se ferra. Literalmente. Porém, dessa vez, o sacrifício de um é a redenção dos outros e, como por encanto, todos conseguem forças através dessa nova tragédia para superar seus traumas do passado e se tornarem pessoas mais fortes e felizes.

Juro que não consegui forças para chorar no final desse filme e que o final me surpreendeu de início. Só depois cheguei a conclusão de que foi apenas mais um elemento emocional para chocar o espectador. A princípio essa tática tem sucesso, mas depois ficamos pensando e chegamos a conclusão de que foi tudo um truque baixo e barato. Mas contar o final seria estragar essa “surpresa”, então eu deixo para o leitor o prazer (ou não) dessa descoberta. Nota 7.

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